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    NotíciaAgentes e automação

    Vercel abre o código do fx0 e da libfx, base para agentes de IA que sobrevivem a quedas

    A Vercel liberou em código aberto o fx0 e a biblioteca libfx, que registram o trabalho dos agentes de IA passo a passo e os deixam retomar a tarefa depois de uma queda. O motivo é que robôs de programação já fazem mais da metade das publicações na plataforma.

    Caderno-razão aberto sobre uma mesa, iluminado por uma luminária à noite, com etapas numeradas anotadas à mão e a última linha interrompida no meio da escrita
    Com o fx0 e a libfx, a Vercel abre o código de ferramentas que registram cada etapa do trabalho e permitem retomar tarefas interrompidas por falhas
    Neste artigo

    Em seis meses, os agentes de programação passaram de menos de 3% para mais de 50% de tudo o que vai ao ar pela Vercel (abre em nova aba). São robôs de inteligência artificial que escrevem código e publicam sites sem que ninguém aperte o botão. Os números são internos da empresa e foram relatados pelo Forkast News. As publicações disparadas por agentes se multiplicaram por 28 no período. Em meio ano, a máquina se tornou a principal freguesa da casa.

    A freguesa tem um defeito: memória de peixe. Se o computador que a hospeda cai no meio da tarefa, o trabalho feito até ali desaparece junto. Nesta semana veio à tona a resposta da Vercel. A empresa colocou em código aberto o fx0 (abre em nova aba), um agente enxuto de design que serve de aplicação-modelo, e a libfx (abre em nova aba), a biblioteca que o faz funcionar. Segundo a reportagem, as duas peças permitem que os agentes sobrevivam à queda das funções que os executam e guardem o andamento de uma sessão para outra. O fx0 usa a licença Apache-2.0 e roda sobre o AI Gateway (abre em nova aba), serviço da própria Vercel.

    O livro-caixa do robô

    A ideia tem nome técnico, "agente durável", e um conceito antigo por trás. A Vercel o explica em texto próprio: o agente executa uma etapa, anota o resultado, faz uma pausa quando precisa esperar algo de fora e, ao voltar, parte do que já está registrado. É o guarda-livros que lança cada operação no caderno. Se a luz acabar, quem chegar depois sabe em que linha parou.

    Livro-caixa antigo aberto sobre mesa de madeira, com operações anotadas linha a linha, lápis pousado sobre a última entrada e lampião apagado ao lado, em escritório na penumbra
    Como num livro-caixa, o fx0 e a libfx registram cada passo dos agentes para que a tarefa seja retomada de onde parou após uma queda

    O exemplo da empresa é concreto. Um agente de pesquisa analisou 12 arquivos quando o processo caiu. Sem registro, ninguém sabe quais análises terminaram, onde estão os resultados e o que falta fazer. O risco é recomeçar do zero ou repetir uma ação que já tinha sido feita. A Vercel também admite que, em interações curtas, repetir o pedido custa pouco e o modelo antigo dá conta.

    A engrenagem do fx0 tem três peças. As sessões ficam guardadas no World, a camada de armazenamento que sustenta o Vercel Workflow. Cada rodada de trabalho passa pelo Vercel Queues, uma fila que garante a continuidade mesmo se a função morrer. Cada execução tem limite de 800 segundos, pouco mais de 13 minutos. A libfx para 30 segundos antes do prazo e deixa na fila a continuação, como o operário que, ao fim do turno, deixa um bilhete para o colega da noite. Há ainda um teto de 64 passos por rodada, contabilizado num banco de dados chamado Redis.

    O teto tem razão de ser. Todo agente trabalha em ciclo: consulta o modelo, usa uma ferramenta, lê o resultado e repete até que uma regra mande parar. Um levantamento do site Developers Digest mostra que cada kit de desenvolvimento escolhe um limite diferente: 20 passos, 25, 5, 10 ou nenhum. A recomendação do site é definir o limite sempre, de forma explícita. A Vercel escolheu 64 e escreveu esse número no código.

    A corrida mudou de lugar

    A novidade diz mais pelo que revela do que pelo código. O Forkast cita uma tese da TGVP sobre gargalos de infraestrutura. Segundo ela, o que trava a adoção nas empresas não é a qualidade dos modelos, e sim quatro pilares: memória, execução, ferramentas e governança. Dias antes, o Google Research havia aberto o Harness² (abre em nova aba), que melhora o código em volta de um modelo sem mexer no modelo. O MarkTechPost resumiu a proposta assim: o agente pode melhorar sem um modelo melhor. Num dos testes, o GLM-5 rodando no OpenCode subiu de 64,2 para 75,7 pontos.

    Durante dois anos, a briga foi para ver quem tinha o cérebro mais brilhante. Agora a disputa é pelo encanamento. Faz sentido. Um gênio que esquece tudo a cada queda de energia vale menos que um funcionário mediano que anota o que fez.

    O que não está no anúncio

    Há motivos para cautela. Os números de adoção são da própria Vercel e ninguém os auditou de fora. O fx0 tinha 228 estrelas no GitHub, marca modesta. E o detalhe principal: o código é aberto, mas o alicerce é proprietário. World, Queues e AI Gateway são serviços da Vercel. O código livre funciona como vitrine, e a durabilidade depende da infraestrutura da empresa. Não há nada de errado nisso, é modelo de negócio. Quem adotar deve saber onde está pisando.

    Para quem não programa, o efeito prático cabe no exemplo que a própria Vercel escolheu. Um agente passa a tarde juntando fontes, analisando dados e montando um relatório. O revisor humano só aprova o envio na manhã seguinte, quando o pedido original já acabou. A durabilidade permite que o robô espere pela aprovação sem perder o trabalho. Nada disso faz a máquina acertar mais. Faz com que, quando ela cair, se saiba exatamente onde parou. Para uma ferramenta que já responde por metade do que a Vercel põe no ar, essa garantia chegou tarde.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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