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    Trump anuncia criação de uma 'AI Force' e nomeação de novo 'AI czar' nos EUA

    Em publicação nas redes sociais no sábado (19/9/2026), o presidente dos EUA disse que formará um grupo dedicado à inteligência artificial e nomeará um novo 'zar da IA', sem apresentar detalhes, em meio a alertas de especialistas sobre os riscos da tecnologia.

    Trump anuncia criação de uma 'AI Force' e nomeação de novo 'AI czar' nos EUA
    Filipe Mendes

    20 de setembro de 2026

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (19 de setembro de 2026) que pretende criar uma "AI Force" — uma espécie de "força da inteligência artificial" — e nomear um novo "AI czar", ou "zar da IA", um conselheiro de confiança que ficaria à frente do desenvolvimento dessa tecnologia no país. A declaração foi feita em uma longa publicação na rede social Truth Social, que pertence a ele.

    Para quem está começando a entender o assunto, vale traduzir os termos: inteligência artificial (IA) é a tecnologia capaz de realizar tarefas que normalmente exigem raciocínio humano, como responder perguntas ou gerar imagens. O apelido "czar", na política americana, é usado de forma informal para designar alguém nomeado para coordenar um tema específico dentro do governo — imagine um "ponto focal" responsável por acompanhar tudo o que se relaciona à IA.

    O que o presidente disse

    Segundo a cobertura da Al Jazeera, Trump descreveu a IA como "a próxima Revolução Industrial" e disse que ela seria fundamental para o crescimento econômico do país. "Não vamos, de forma alguma, atrapalhar ou sufocar o Crescimento desta incrível Indústria", escreveu. "Pelo contrário, vamos acolhê-la, ajudá-la e vigiá-la enquanto ela cresce!". Na mesma publicação, segundo o site NBC News, o presidente declarou que não deixaria acontecer a "decimação" da IA e disse que buscará identificar o que chamou de "RUIM" usando o sistema judicial criminal e civil já existente.

    Trump comparou a iniciativa à criação da Space Force, a força espacial dos EUA, novo ramo das Forças Armadas americanas criado durante seu primeiro mandato — ou seja, ele quer que a nova frente tenha a mesma visibilidade. Ele, porém, não apresentou detalhes sobre o grupo nem sobre quando nomeará o novo conselheiro, e não indicou quem ocuparia o cargo. A Casa Branca, segundo a NBC News, não forneceu imediatamente mais detalhes sobre a iniciativa.

    Curiosamente, este não seria o primeiro "AI czar" do governo: o investidor de risco David Sacks já ocupava esse papel, renunciou no início deste ano e passou a atuar como conselheiro externo do presidente, presidindo hoje o Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia. Em entrevista recente à CBS News, Sacks minimizou os temores sobre a tecnologia: "Acho que isso está se tornando um pânico", disse.

    Data center nos Estados Unidos, instalação alvo de resistência comunitária sobre energia
    Centros de dados, 'fábricas' da IA, enfrentam resistência em comunidades americanas pelo consumo de energia.

    Por que o anúncio acontece agora

    O contexto ajuda a entender o anúncio. Nos dias anteriores, alertas sobre os riscos da IA ganharam força nos EUA. Ainda nesta semana, líderes das maiores empresas de IA do mundo pediram publicamente um desaceleração no desenvolvimento da tecnologia, após avisos de que avanços rápidos poderiam superar a capacidade de desenvolvê-la com segurança. Um pesquisador de segurança da Anthropic, empresa americana de destaque no setor, alertou que havia mais de 10% de chance de que a tecnologia "pudesse matar todos os humanos" na próxima década.

    Trump rejeitou essas preocupações, chamando-as de "hoax" — isto é, fraude ou engano —, uma opinião que se diferencia dos alertas feitos pelos próprios pesquisadores do setor. "Os robôs não vão tomar o controle", declarou ele na segunda-feira, durante uma ligação telefônica com Jensen Huang, diretor-executivo da Nvidia, enquanto o executivo participava de uma cúpula do setor.

    Uma divergência com a opinião pública

    Há também um debate em andamento sobre os data centers — enormes galpões cheios de computadores que armazenam e processam os dados usados pela IA, funcionando como as "fábricas" dessa tecnologia. Essas instalações vêm enfrentando resistência em comunidades americanas pelo uso de recursos naturais e pela contribuição para o aumento dos custos de energia — um tema que uniu congressistas dos dois grandes partidos antes das eleições legislativas de novembro. Nesta semana, a Câmara dos Representantes aprovou, por 417 votos a 3, um projeto de lei que reduziria o impacto do consumo de eletricidade desses centros nas contas de luz dos residentes.

    No sábado, contudo, Trump defendeu os centros de dados, chamando as instalações de "prestigiosas" e afirmando que os resultados seriam "salários mais altos, impostos mais baixos e ruas mais seguras". No mês passado, ele já havia dito que comunidades que não quisessem tais instalações "acabariam sendo atrasadas e pobres".

    A jornalista da Al Jazeera Eva McKend observou que "a postura de Trump sobre a IA está cada vez mais em desacordo com o sentimento público", incluindo o de seus próprios eleitores: moradores de regiões conservadoras que votaram nele em 2024 também estão resistindo aos centros de dados. Trata-se, aqui, de uma análise da própria fonte — ou seja, uma avaliação, não um fato encerrado.

    Próximos passos

    Apesar dos apelos por freios, o anúncio de sábado reforça a postura do presidente, favorável ao crescimento sem regulações, com base na crença de que a IA é essencial para competir com a China. "Quem ganha na IA, ganha", repetiu Trump na última semana, segundo a NBC News. O tema deve dominar a cúpula que ele realizará na próxima semana, em Washington, com o presidente chinês Xi Jinping. Para os próximos dias, ficam as perguntas ainda sem resposta: quem será o novo "czar" da IA e o que exatamente fará a recém-criada "AI Force".

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