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    Tesla e SpaceX: como funciona a collab que está construindo o Roadster

    Parceria reúne engenharia automotiva e tecnologia de propulsão para levar o esportivo além da tração dos pneus; desafio agora é transformar a demonstração em produto comercial.

    Traseira do novo Tesla Roadster com asa aerodinâmica e lanterna contínua em leito seco de deserto
    Foto: Divulgação/Tesla
    Neste artigo

    A colaboração entre Tesla e SpaceX ganhou uma demonstração pública na quinta-feira, 15 de outubro, quando o novo Roadster executou manobras aéreas em um centro de testes no Texas. O projeto combina um esportivo elétrico com sistemas de propulsão desenvolvidos a partir da experiência da empresa espacial.

    A ideia tem um histórico longo. Em janeiro de 2019, Elon Musk já descrevia um Roadster equipado com propulsores de gás frio e reservatórios de ar sob alta pressão. Na ocasião, o empresário associou expressamente o sistema à SpaceX. Quase oito anos depois, a demonstração apresentou um veículo que utiliza esse princípio.

    Como a tecnologia espacial entra no carro?

    O ponto central da parceria é acrescentar ao veículo uma forma de produzir força que não depende exclusivamente da aderência dos pneus.

    Roadster percorre rampa invertida durante a demonstração no Texas
    Roadster na rampa invertida durante a apresentação no Texas (Foto: Divulgação/Tesla)

    Nos propulsores de gás frio, o gás armazenado sob pressão é liberado por bocais. Essa expulsão gera uma força na direção oposta, permitindo acrescentar impulso ou modificar a orientação do veículo. No Roadster, o sistema foi apresentado como parte da tecnologia responsável pelas manobras aéreas.

    Segundo explicações da Tesla reproduzidas pela publicação internacional Tesla Newswire, adaptar esses dispositivos ao automóvel exigiu novos componentes e controles. A aplicação envolve acomodar reservatórios e coordenar a atuação dos propulsores dentro das limitações de espaço e massa de um carro.

    A colaboração, portanto, vai além de instalar uma peça de foguete na carroceria. O desafio está em integrar diferentes sistemas para que trabalhem juntos durante movimentos rápidos.

    O Roadster usa combustível de foguete?

    O sistema apresentado utiliza gás comprimido. Isso o diferencia de um motor de foguete que produz empuxo pela queima de propelentes.

    Na demonstração, a Tesla descreveu reservatórios de ar sob pressão que alimentam os propulsores. A Car and Driver relatou que o próprio veículo pode recompor essa reserva de ar, conforme as informações fornecidas durante o evento.

    Essa solução também impõe uma limitação prática: a quantidade de gás disponível influencia a duração da atuação dos jatos. Na explicação divulgada pela fabricante e reproduzida pela Tesla Newswire, aumentar o armazenamento permite prolongar o tempo de operação aérea. Isso não estabelece, por si só, autonomia para viagens pelo céu.

    Para que serve o sistema de sucção?

    Os propulsores não explicam sozinhos a demonstração. O Roadster também utiliza ventiladores e vedação sob a carroceria para gerar uma diferença de pressão e aumentar a força que o mantém contra a superfície.

    Segundo a descrição da fabricante, esse mecanismo permite aderência mesmo com o carro invertido. Sua função é diferente da dos jatos: a sucção atua na relação com a pista; os propulsores acrescentam forças capazes de alterar o movimento do veículo.

    A combinação ajuda a entender por que a apresentação envolveu uma estrutura curva. Permanecer junto à rampa e controlar a orientação após sair dela são problemas distintos de engenharia.

    A parceria começou antes da apresentação

    Em junho de 2018, Musk já mencionava a possibilidade de distribuir aproximadamente dez propulsores pelo Roadster. No ano seguinte, detalhou a proposta de armazenar ar sob alta pressão em um reservatório reforçado com material composto. Essas declarações foram recuperadas pelo Business Insider após o evento.

    A demonstração atual representa, assim, um avanço em relação a uma proposta antiga. Mas comprovar que um protótipo executa uma manobra não resolve automaticamente os desafios de fabricação, manutenção e utilização pelo consumidor.

    A collab significa uma fusão entre Tesla e SpaceX?

    A colaboração de engenharia não comprova uma fusão societária. A Axios noticiou expectativas de analistas sobre uma possível combinação, sem apresentar uma operação concluída.

    Também não é possível deduzir, apenas pela apresentação do carro, como serão distribuídos custos, receitas ou responsabilidades comerciais entre as empresas. O que foi tornado visível é o trabalho conjunto aplicado ao desenvolvimento do produto.

    O que falta para chegar às ruas?

    Musk anunciou produção para 2028. O cronograma sucede anos de adiamentos de um projeto apresentado originalmente em 2017, com fabricação inicialmente prevista para 2020.

    Além do calendário industrial, há limites de utilização. A configuração Rocket, associada às capacidades aéreas, não está aprovada para vias públicas, conforme o aviso da Tesla relatado pela Associated Press.

    O próximo marco da colaboração será transformar os sistemas demonstrados em um produto entregue aos compradores, com capacidades e condições de uso claramente definidas. A engenharia já produziu uma demonstração concreta; a experiência comercial ainda está por ser comprovada.

    Fontes

    • Tesla Newswire
    • Car and Driver
    • Business Insider
    • Axios
    • Associated Press
    Foto de Simão Vieira de Mairins

    Simão Vieira de Mairins

    COO e co-fundador do ia.com.br

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