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    NotíciaRobótica e dispositivos

    Roadster: novo carro da Tesla usa IA? Entenda o que já se sabe

    Esportivo reúne sistemas de controle, tecnologia da SpaceX e componentes do programa Optimus, mas a Tesla ainda não detalhou quais recursos de inteligência artificial estarão na versão comercial.

    Traseira do novo Tesla Roadster com asa aerodinâmica e lanterna contínua em leito seco de deserto
    Foto: Divulgação/Tesla
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    O novo Tesla Roadster chamou a atenção ao realizar manobras aéreas durante sua apresentação, em 15 de outubro, no Texas. Mas o espetáculo também levantou uma pergunta: quanto desse desempenho depende de inteligência artificial? Até agora, as informações divulgadas não permitem identificar com precisão quais funções do esportivo utilizam IA e quais são executadas por outros sistemas de controle.

    A distinção importa porque automação, robótica e inteligência artificial não são sinônimos. Um componente que se movimenta automaticamente ou um veículo que executa uma sequência sem motorista não comprovam, isoladamente, o uso de um modelo de IA.

    No caso do Roadster, existem tecnologias demonstradas, aplicações anunciadas e questões ainda sem resposta sobre o produto que chegará aos consumidores.

    A demonstração sem motorista comprova o uso de IA?

    Segundo a revista Wired, o veículo não levava um ocupante humano durante a demonstração. Musk explicou que a decisão buscava evitar colocar uma pessoa em risco nas manobras.

    Isso confirma que o protótipo executou a apresentação sem alguém ao volante, mas não esclarece, por si só, sua arquitetura de controle. As informações consultadas não detalham quanto da operação dependia de comandos previamente definidos, controle remoto, sistemas automáticos ou modelos de inteligência artificial.

    Também não é possível concluir que a apresentação tenha comprovado a disponibilidade do Full Self-Driving, o FSD, no novo Roadster. Demonstrar movimentos em um ambiente preparado é diferente de oferecer condução automatizada em ruas abertas, com pedestres, cruzamentos e situações imprevisíveis.

    O que a Tesla já faz com inteligência artificial?

    A fabricante utiliza IA em seus programas de condução e robótica. Em sua página oficial sobre o tema, descreve redes neurais voltadas à percepção visual e ao planejamento, além do desenvolvimento de hardware para executar esses modelos.

    Esse histórico mostra que a empresa dispõe de tecnologias que poderiam ser aplicadas ao Roadster. Não confirma, entretanto, quais delas estarão no esportivo ou em que condições funcionarão.

    Há ainda uma diferença entre assistência ao motorista e autonomia. A própria Tesla informa que o FSD supervisionado exige supervisão ativa e não transforma o veículo em um automóvel autônomo. Essa ressalva se refere ao sistema descrito pela fabricante, não a uma confirmação de sua presença no Roadster.

    Usar tecnologia do Optimus significa usar a IA do robô?

    Uma ligação com o programa de robótica foi anunciada: a Tesla informou que a asa aerodinâmica do Roadster utiliza o sistema de atuadores do Optimus. A publicação foi reproduzida pela agência EFE na cobertura da apresentação.

    Atuadores são dispositivos responsáveis por produzir movimento controlado. Nesse caso, a aplicação divulgada está no mecanismo que reposiciona a asa.

    Compartilhar essa tecnologia não comprova que o carro utilize os modelos de inteligência artificial do robô. É possível aproveitar um sistema mecânico ou eletromecânico de outro projeto sem transferir também seu software de percepção e tomada de decisão.

    E os propulsores da SpaceX?

    A colaboração com a SpaceX resultou na incorporação de propulsores de gás comprimido. Na apresentação, o Roadster combinou esses dispositivos com um sistema de sucção para percorrer uma rampa invertida, girar no ar e retornar ao solo.

    Roadster percorre rampa invertida durante a demonstração no Texas
    Roadster na rampa invertida durante a apresentação no Texas (Foto: Divulgação/Tesla)

    Essas manobras exigem coordenação dos sistemas do veículo. Mas complexidade de controle não é evidência suficiente para afirmar que uma rede neural comandou os movimentos.

    Os materiais consultados explicam os componentes físicos e suas funções, sem apresentar detalhes suficientes para atribuir a uma IA o controle dos propulsores.

    O novo Roadster terá Grok?

    A integração específica com o Roadster ainda não foi confirmada nos materiais consultados. O Grok, porém, já está disponível em veículos Tesla compatíveis.

    Segundo a documentação oficial da fabricante, o assistente permite conversar por voz, iniciar navegação, realizar chamadas, procurar músicas e executar determinados comandos de conveniência. A disponibilidade depende de requisitos de hardware, software e conectividade.

    Uma implementação semelhante no esportivo é uma possibilidade, não uma característica anunciada. Mesmo que seja incorporado, um assistente conversacional não deve ser confundido com o sistema responsável pela condução ou pelas manobras aéreas.

    O que ainda precisa ser esclarecido?

    Para definir o papel da IA no Roadster, faltam informações específicas sobre os modelos utilizados, as funções sob seu controle e os recursos que serão entregues aos compradores.

    Musk afirmou que, no longo prazo, o Roadster deverá ser o único carro da Tesla destinado à condução manual. Essa declaração estabelece o posicionamento pretendido para o esportivo, mas não esclarece quais assistências eletrônicas ele oferecerá.

    Com produção prevista para 2028, o projeto ainda tem espaço para mudanças. Por enquanto, é possível afirmar que o Roadster reúne sistemas sofisticados de engenharia e automação. A extensão de sua inteligência artificial embarcada, contudo, permanece sem detalhamento público suficiente.

    Fontes

    • Wired
    • Tesla — página oficial de inteligência artificial e robótica
    • Tesla — informações sobre o FSD (supervisionado)
    • Agência EFE
    • Tesla — documentação de suporte do Grok
    Foto de Simão Vieira de Mairins

    Simão Vieira de Mairins

    COO e co-fundador do ia.com.br

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