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Projeto Suncatcher do Google levará centros de dados de IA para o espaço
O Google pretende enviar data centers de inteligência artificial para a órbita, impulsionados por energia solar, para lidar com grandes volumes de trabalho de IA.

Em um movimento que pode redefinir a infraestrutura de inteligência artificial, o Google se prepara para testar seus chips de IA, conhecidos como Unidades de Processamento Tensor (TPUs), no espaço. Este experimento marca o primeiro passo do Projeto Suncatcher, uma iniciativa ambiciosa da empresa para construir futuros centros de dados de IA em órbita.
A missão inicial, que acontecerá na próxima semana, enviará um protótipo de satélite para a órbita baixa da Terra. O principal objetivo é observar como os TPUs do Google se comportam nas condições desafiadoras do ambiente espacial, que incluem vibrações intensas e forças gravitacionais elevadas durante o lançamento, além da radiação e das temperaturas extremas no espaço.
O Projeto Suncatcher, anunciado em 2025, visa explorar a viabilidade de operar uma infraestrutura de computação de IA em grande escala no espaço. A ideia central é aproveitar a luz solar quase constante para alimentar satélites equipados com chips de IA, que se comunicariam entre si usando lasers para processar cargas de trabalho complexas de inteligência artificial.
Uma das principais motivações para essa mudança para o espaço é o potencial de geração de energia. O Google estima que satélites em órbita baixa da Terra poderiam gerar até oito vezes mais energia solar do que na superfície terrestre. Isso poderia ajudar a mitigar os crescentes problemas energéticos e ambientais associados aos centros de dados terrestres, que enfrentam cada vez mais resistência.
A jornada para o espaço, que dura cerca de 10 minutos, expõe as naves a forças até 10 vezes mais fortes que a gravidade da Terra. Componentes individuais, como os chips TPU, podem experimentar brevemente forças ainda maiores, entre 50 e 100 vezes a gravidade terrestre. Uma vez em órbita, os chips terão que suportar altos níveis de radiação, provenientes de eventos solares e raios cósmicos, que podem danificar eletrônicos ou causar erros de dados, conhecidos como 'bit flips' (mudanças inesperadas nos valores binários).
Para se preparar para esses desafios, o Google já realizou testes em laboratório. Por exemplo, os TPUs Trillium, uma versão dos chips, foram expostos a um feixe de prótons no Laboratório Nuclear Crocker da UC Davis enquanto executavam tarefas de IA. A equipe monitorou como os erros de 'bit flips' afetavam essas operações. Segundo o Google, os chips resistiram 'notavelmente bem', suportando uma dose total de radiação maior do que a que encontrariam em uma missão espacial de cinco anos.

Outro grande desafio no espaço é o resfriamento. Como não há fluxo de ar no vácuo espacial, os sistemas de resfriamento comuns em data centers terrestres não funcionam. O Google está desenvolvendo novas abordagens, incluindo uma combinação de tubos de calor e radiadores para resfriar os chips. Essa tecnologia tem sido testada em câmaras de vácuo térmico na Terra, que simulam o ambiente espacial. O objetivo é observar o desempenho do novo sistema de resfriamento dos TPUs no espaço para aprimorar os designs futuros.
O satélite protótipo do Google, apelidado de MVP e com o tamanho aproximado de uma geladeira, transportará quatro aceleradores de IA TPU personalizados. Embora em terra um centro de dados utilize milhares desses chips, que consomem enormes quantidades de energia, o MVP começará pequeno, com painéis solares que fornecem cerca de um quilowatt de energia, o suficiente para alimentar um micro-ondas ou um secador de cabelo. Os chips rodarão modelos Gemini para testes, mas não continuamente. O sistema de resfriamento permitirá que operem por breves períodos de cerca de 15 minutos, após os quais precisarão ser desligados para resfriar.
O Google não está sozinho nessa corrida. Empresas como SpaceX e Starcloud também estão explorando centros de dados orbitais. A Starcloud, por exemplo, lançou uma GPU Nvidia H100 em órbita em novembro de 2025. A SpaceX, por sua vez, incluiu a infraestrutura de IA baseada no espaço como parte de sua oferta pública inicial no início deste ano.
Os dados coletados desses testes serão cruciais para moldar as futuras missões do Projeto Suncatcher. O Google já planeja lançar dois satélites adicionais em 2027 para testar os lasers de alta largura de banda que, espera-se, conectarão futuros aglomerados de satélites. No entanto, o custo continua sendo um obstáculo significativo, com estimativas de que os preços de lançamento precisariam cair para cerca de 200 dólares por quilograma para que a computação espacial seja competitiva em termos de custo.
Fontes
- Google’s Project Suncatcher Is Sending AI Chips Into Space Next Week - Gizmodo — gizmodo.com · 24/09/2026
- Google plans first test of AI chips in space under Project Suncatcher - Reuters — reuters.com · 24/09/2026
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