A Perplexity passou a oferecer no Computer, seu agente que executa tarefas em nome do usuário, um comando chamado /reverse-engineer. O usuário aponta um aplicativo, o agente observa como ele funciona sem ter acesso ao código-fonte e depois tenta construir uma versão própria que funcione. O anúncio saiu em 16 de outubro pela conta oficial do produto no X. Até 31 de outubro, as tarefas que usam o comando são gratuitas, com limite de 10 mil créditos por usuário. Na data de referência deste texto, 18 de outubro, restam treze dias de oferta.
A novidade tem um traço pouco comum: a Perplexity não desenvolveu a tecnologia. Ela adotou um projeto aberto feito por um desenvolvedor de fora, conhecido como morluto, e o colocou dentro de um produto pago.
O que a empresa anunciou
O texto oficial é curto e cabe inteiro na citação abaixo. Ele confirma três pontos: o nome da ferramenta, a autoria externa e a regra da gratuidade.

REA (Reverse Engineer Anything), de @morluto, agora é uma skill no Computer. Peça ao Computer para fazer engenharia reversa de um app e ele inspeciona como o app funciona sem o código-fonte, depois constrói uma versão funcional. Tarefas que usam /reverse-engineer são gratuitas até 31 de outubro, com até 10.000 créditos por usuário. Aqui estão 5 apps que o Computer fez com ela, disponíveis para testar por tempo limitado.
O CEO, Aravind Srinivas, reforçou a oferta no mesmo dia. Segundo o site Tao Media, ele escreveu que a empresa daria "até 10000 créditos como saldo inicial" para qualquer pessoa fazer engenharia reversa "de qualquer app de sua escolha". Um guia comunitário, que se declara não oficial, registra que morluto agradeceu publicamente.
Até agora a confirmação se limita a esses posts. Esse mesmo guia informa que a Perplexity não publicou uma página de instruções detalhadas. O anúncio também não diz quais planos têm direito à gratuidade (Free, Pro, Max ou Enterprise). A recomendação razoável é conferir as condições na própria conta antes de começar uma tarefa longa.
As vitrines
Para mostrar o resultado, a Perplexity publicou cinco aplicativos feitos com o comando, que ficam no ar por tempo limitado. Cada um imita um programa conhecido.
| Inspiração | Endereço da demonstração |
|---|---|
| Figma (design) | ui-editing.pplx.app |
| LibreOffice Calc (planilha) | spreadsheet-editor.pplx.app |
| Photopea (edição de foto) | photo-editor.pplx.app |
| Harvey (revisão de contratos) | contract-review.pplx.app |
| Audacity (edição de áudio) | audio-editor.pplx.app |
Na versão inspirada no Figma, a empresa diz haver camadas, auto-layout, login, sincronização entre aparelhos e edição simultânea por várias pessoas. São demonstrações escolhidas pela própria Perplexity. Elas mostram o que o comando é capaz de produzir nos melhores casos, e não o resultado médio que um usuário comum vai obter.
O que é o REA
O REA (abre em nova aba) ("Reverse Engineer Anything", ou "faça engenharia reversa de qualquer coisa") é um kit de código aberto sob licença MIT, que permite uso comercial. A página do repositório exibia cerca de 315 mil estrelas e 80 mil cópias (forks). O primeiro commit, de 14 de abril de 2026, ainda trazia outro nome, betterBinaryMCP. Em 18 de outubro saiu a versão 6.7.0. Em seis meses, um projeto de um desenvolvedor virou peça de produto de uma empresa de IA conhecida.
Tecnicamente, o REA é um servidor MCP, um padrão que conecta agentes de IA a ferramentas externas. Pelo README, ele dá ao agente instrumentos para examinar programas compilados, apps em JavaScript e Electron, componentes .NET e sites. Também afirma que cada conclusão vem acompanhada das evidências e das limitações que a sustentam. A análise de programas nativos depende de ferramentas profissionais já instaladas, como Hopper, Ghidra ou IDA.
Existe uma diferença importante entre as duas formas de uso. No kit original, a análise roda no computador do usuário, que precisa ter Node.js e instalar o kit pelo comando npx rea-agents setup. O kit funciona com agentes como Claude Code, Codex, Cursor e Gemini CLI. No Computer, segundo o guia comunitário, a skill roda na nuvem da Perplexity. Para o usuário iniciante, isso significa que não há nada a instalar. Significa também que o aplicativo analisado passa pelos servidores da empresa.
O Tao Media faz uma ressalva: o suporte a binários nativos é recurso do kit, e a Perplexity não documentou que ele exista no Computer. Pelo que a empresa mostrou, o alvo são aplicativos que rodam no navegador.
Os créditos depois da promoção
O teto de 10 mil créditos não é um número escolhido ao acaso. Segundo a central de ajuda da Perplexity, citada pelo guia comunitário, o plano Max começa com 10 mil créditos por mês, e os planos Pro pagos incluem uso semanal do Computer. Na prática, a promoção oferece a qualquer usuário o equivalente a um mês do plano mais caro, gasto apenas nessa função. Nenhuma das fontes informa quanto custa uma tarefa típica nem o que acontece com o comando depois de 31 de outubro. A explicação mais provável é a de sempre nesse tipo de oferta: o comando continua disponível e passa a consumir o saldo normal do plano.
O que fica de fora do anúncio
O anúncio não trata dos riscos. A Perplexity chama de "versão funcional" uma cópia do comportamento de produtos de terceiros, como Figma e Photopea. Não há, nas informações publicadas, nenhum aviso da empresa sobre termos de uso dos apps analisados, marcas registradas ou direitos autorais. Reproduzir o comportamento de um programa é diferente de copiar o seu código. Mesmo assim, quem pretende publicar ou vender o resultado deve ler os termos do software original antes. O comando entrega a técnica, e a responsabilidade pelo uso fica com o usuário.
Também não há informação sobre o Brasil: disponibilidade, cobrança em reais ou aceitação de instruções em português não aparecem em nenhuma fonte. O Computer é cobrado dentro das assinaturas da Perplexity, e o anúncio não faz restrição geográfica. É preciso confirmar na conta.
O que muda para quem lê
Para o público iniciante, o comando permite pedir "faça algo que funcione como este programa" e receber um protótipo, sem saber programar. Isso serve para testar uma ideia de produto, entender como um concorrente organiza uma tela ou montar uma ferramenta interna simples. Com a gratuidade valendo até o fim do mês, o custo de experimentar é baixo. As condições pouco claras ficam por conta da Perplexity, que lançou a oferta antes de publicar o manual.


