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    NotíciaAgentes e automação

    Opposable põe a IA para tocar a tela do celular; tarefa de 4 segundos levou 50

    Ferramenta da Reval Labs liga Claude e ChatGPT ao celular para abrir apps, tocar e digitar pelo usuário. Nos exemplos divulgados, é lenta, cobra por tarefa e erra cerca de metade do que não conhece.

    Celular apoiado em um suporte sobre uma mesa, sem ninguém por perto, com a tela mudando para o tema escuro e um timer de cinco minutos sendo configurado; ao lado, um cronômetro digital marca 50 segundos
    Nos testes divulgados, ativar o tema escuro e criar um timer, tarefa que uma pessoa faz em cerca de 4 segundos, levou 50 segundos com o Opposable no controle da tela
    Neste artigo

    Quatro segundos. É o que uma pessoa gasta, com o polegar, para pôr o celular no tema escuro e programar um timer de cinco minutos. A Opposable (abre em nova aba) é uma ferramenta que deixa a inteligência artificial mexer no telefone pelo usuário. Ela levou 50 segundos para fazer o mesmo e precisou de 17 chamadas de ferramenta. Cada chamada é uma rodada em que a máquina olha a tela, decide e age. O número não saiu de um laboratório independente: vem de exemplos divulgados pela própria empresa e descritos pelo site The Register.

    O mérito precisa ser registrado: a coisa funciona. Criada pela Reval Labs, a Opposable conecta o iPhone ou o Android de uso diário ao Claude (abre em nova aba). A partir daí, segundo a empresa, o assistente abre aplicativos, lê o que aparece na tela, toca e digita, "conectado como você". Também há um conector. Basta colar um endereço no Claude ou no ChatGPT (abre em nova aba), entrar na página da empresa, escolher o aparelho e autorizar o acesso. O nome evoca o polegar opositor, e o slogan é "dê polegares à sua IA".

    Como a máquina chega ao telefone

    No Android, o caminho é um aplicativo gratuito de 43 MB, que exige Android 11 ou mais recente. A instalação é feita por fora da loja oficial, e o usuário precisa conceder à mão a permissão de acessibilidade. No iPhone, a engenhoca é mais curiosa. É preciso um Mac, que se emparelha com o telefone fingindo ser um teclado e um mouse Bluetooth e enxerga a tela por cabo ou por AirPlay. Essa versão está em beta. Quem usa Windows ou Linux precisa de um pequeno acessório, o Opposable Stick, para cuidar da parte do Bluetooth. Quem não tem um aparelho sobrando pode alugar um Android privado na nuvem.

    iPhone ligado por cabo a um MacBook sobre uma bancada iluminada por luz natural, com uma seta de mouse na tela do celular abrindo um aplicativo
    Com o celular conectado ao computador, o Opposable abre apps, toca e digita no lugar do usuário, mas leva bem mais tempo que uma pessoa.

    O cérebro da operação é pequeno. Cerca de 40 tarefas comuns rodam como código fixo, sem modelo de IA nenhum. Para o resto entra o GUI-Owl 1.5 2B, um modelo que lê telas, cabe em 1,4 GB e roda por meio do llama.cpp. Segundo a equipe, num Galaxy S25 a etapa de visão foi medida em cerca de um quarto de segundo, umas 16 vezes mais rápida que no processador de um notebook. A rapidez de uma etapa, porém, não garante a rapidez do conjunto.

    Devagar, e com conta

    Os outros exemplos seguem o mesmo padrão. A pergunta sobre quando a Apollo 11 decolou e quem estava a bordo tomou quase dois minutos e custou US$ 0,44 em execução. Abrir o relógio e trocar para a aba do cronômetro, num Android virtual com o agente local, levou cerca de 96 segundos. É aí que se queimam os tokens, as unidades em que os serviços de IA medem e cobram o trabalho. Cada olhada na tela entra na conta. A preguiça, nesse caso, tem preço.

    Pior que a lentidão é a pontaria. A documentação da própria Opposable relata um teste com oito tarefas para as quais o modelo não havia sido ajustado, repetidas duas vezes num emulador. Ele acertou quatro numa rodada e três na outra. O placar subiu para seis acertos nas duas rodadas com duas mudanças. A primeira foi entregar ao modelo um objetivo intermediário de cada vez. A segunda foi conferir cada "sucesso" anunciado pela máquina na árvore de acessibilidade, o mapa que o sistema mantém dos botões e textos da tela. Conferir só faz sentido quando o anúncio pode ser falso, e isso vale para máquinas e para ministros.

    Quanto custa

    PlanoPreçoO que inclui
    FreeUS$ 0Uso no próprio celular e na rede do usuário
    Pro (oferta de fundador)US$ 8/mês ou US$ 79/ano; US$ 5/mês vitalício para membros fundadoresAcesso remoto, após teste de 14 dias por aparelho
    PowerUS$ 29/mêsAté 10 celulares
    Celular na nuvem Startera partir de US$ 19/mêsAndroid 15, 60 horas de uso ativo, depois US$ 0,15 por hora
    Celular na nuvem Always-onUS$ 49/mêsAparelho sempre ligado
    Celular na nuvem TeamUS$ 149/mêsTrês celulares

    Os pacotes para dez telefones e para equipes dizem muito sobre o produto. O freguês imaginado não é só o preguiçoso de sofá. Também é quem precisa operar vários aparelhos ao mesmo tempo, e para esse cliente 50 segundos de máquina podem valer mais que quatro segundos de um funcionário.

    O polegar continua mandando

    Instalar por fora da loja e liberar a acessibilidade significa entregar a um programa o celular "conectado como você", com e-mail, conversas e aplicativos abertos em seu nome. O próprio site avisa que quem tiver o token pode operar o telefone. Aqui a palavra tem outro sentido: é a chave de acesso. Perdê-la equivale a perder a chave de casa.

    A Opposable é hoje uma demonstração honesta de que a IA já consegue usar um celular. É também uma demonstração igualmente honesta de que ainda o usa mal: devagar, cobrando por isso e errando cerca de metade do que não conhece. Por enquanto, a hora da verdade, a do dinheiro, continua dependendo do velho polegar humano.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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