A OpenAI (abre em nova aba) lançou nesta segunda-feira (26) o GPT-6.1 Terra. O que chama atenção não é uma posição no topo de algum ranking de inteligência, e sim o preço. O Terra é o modelo intermediário da família da empresa. Foi desenhado para ser rápido, barato e competente numa tarefa que virou obsessão do setor: usar o computador no seu lugar, olhando a tela, clicando e digitando entre aplicativos.
Para quem se perdeu na constelação de nomes, a tabela de preços ajuda. As empresas cobram por "tokens", pedaços de texto que o modelo lê (entrada) e escreve (saída). Os valores abaixo são por milhão de tokens na API, a porta de acesso para desenvolvedores.
| Modelo | Entrada | Saída |
|---|---|---|
| GPT-6 Astra | US$ 10,00 | US$ 50,00 |
| GPT-6.1 Sol | US$ 2,00 | US$ 10,00 |
| GPT-6.1 Terra | US$ 1,00 | US$ 5,00 |
| GPT-5.6 Terra (antecessor) | US$ 2,00 | US$ 12,00 |
| GPT-6 Luna | US$ 0,10 | US$ 0,50 |
Parte da cobertura misturou as coisas, então vale esclarecer: o GPT-6.1 Sol não ficou mais barato. Ele continua listado a US$ 2 e US$ 10 na página de preços da OpenAI. O que mudou é que agora existe um modelo que custa exatamente metade do Sol e promete dar conta de boa parte do mesmo trabalho com agentes, os assistentes que executam tarefas de várias etapas sem que você precise guiar cada passo.

O teste que a OpenAI quer que você olhe
O número central do lançamento vem do Agents' Last Exam, uma bateria de tarefas de agente. Os resultados abaixo saem dos gráficos da OpenAI, na leitura do site MarkTechPost. O "esforço" indica quanto o modelo raciocina antes de agir: mais esforço significa mais qualidade e mais custo.
| Modelo (esforço) | Acerto | Custo por tarefa |
|---|---|---|
| GPT-6.1 Terra (médio) | 57,6% | US$ 0,29 |
| GPT-6 Astra (médio) | 57,6% | US$ 4,82 |
| GPT-5.6 Terra (médio) | 42,6% | US$ 0,84 |
| GPT-6.1 Terra (máximo) | 60,0% | US$ 1,01 |
| Claude Opus 5.5 | 63,2% | US$ 8,82 |
Pelos valores dos gráficos, o Terra empata com o Astra, o modelo mais caro da casa, gastando mais de 16 vezes menos por tarefa. Para quem roda agentes o dia inteiro, essa conta muda o orçamento. Contra o Claude Opus 5.5, da Anthropic (abre em nova aba), o Terra no esforço máximo perde por pouco mais de três pontos e custa cerca de nove vezes menos por tarefa. Para muita empresa, essa troca se decide sozinha. A OpenAI diz ainda que o Terra conclui tarefas mais de três vezes mais rápido que o Astra e o Sol. Num conjunto interno de pedidos feitos para provocar erros, a taxa de erro no esforço baixo caiu de 53,6% (GPT-5.6 Terra) para 16,7%. No esforço máximo, ficou em 4,3%.
A conta oficial da empresa no X apresentou o modelo como uma ferramenta para ocupar o expediente, e não como vitrine de laboratório.
GPT-6.1 Terra: uso de computador rápido e capaz por um preço menor. O GPT-6.1 Terra entende o que está na tela, executa ações entre aplicativos, escreve com naturalidade e é um modelo mais capaz para todo o seu dia de trabalho, com a eficiência para assumir uma parte maior dele.
Onde ele não é o melhor
Programação é o ponto fraco declarado. No Terminal-Bench 4.0, um teste de tarefas de programação, o Terra resolve 50,3% no esforço máximo. É mais que o dobro dos 21,5% do antecessor, mas fica abaixo do Sol (55,9%) e do Astra (58,2%), e bem atrás do Claude Sonnet 5.5 (70,6%), segundo os mesmos gráficos. A própria OpenAI recomenda o Sol ou o Astra para código complexo e pesquisa aprofundada. É raro uma empresa dizer, no dia do lançamento, para que o produto novo não serve. Isso conta a favor dela.
Todos esses números, porém, foram divulgados pela própria OpenAI. A Artificial Analysis (abre em nova aba), que avalia modelos de forma independente, aponta na mesma direção, só que com menos fogos de artifício. No índice de inteligência dela, o Terra no esforço máximo ganha 6 pontos sobre o GPT-5.6 Terra, com custo por tarefa de US$ 0,40 contra US$ 1,40. No índice de agentes de programação, marca 48: seis pontos abaixo do Sol (54) e bem acima do Luna (31). O Terra não é o mais esperto da família, mas pode ser o melhor negócio dela.
O detalhe que merece mais atenção
Uma linha do anúncio pesa mais que qualquer gráfico. A OpenAI afirma que o Terra atinge o limiar "Crítico" de cibersegurança do seu Preparedness Framework, o sistema interno com que a empresa classifica os riscos dos próprios modelos. Quando essa classificação aparece num modelo vendido justamente por ser barato e rápido, uma capacidade sensível também fica barata e rápida. Esse ponto deveria render mais perguntas do que o empate com o Astra.
Quem pode usar
No ChatGPT (abre em nova aba), o Terra está sendo liberado para assinantes Plus, Pro, Enterprise e Edu, no ChatGPT Work e no Codex. A lista divulgada não inclui o plano gratuito. Segundo a OpenAI, a mesma cota de uso rende mais com o Terra do que com o antecessor, e bem mais do que com o Sol ou o Astra. Na prática, quem vivia esbarrando no limite do plano ganha fôlego. Desenvolvedores acessam o modelo na API com o nome gpt-6.1-terra, e o agregador LiteLLM já o lista também no GitHub Copilot e no Amazon Bedrock.
Até aqui, a corrida dos agentes foi contada pelo modelo mais inteligente. O Terra é uma aposta de que ela será decidida pelo custo de cada tarefa concluída. Se os números da OpenAI se confirmarem fora dos gráficos da própria empresa, será uma aposta difícil de contestar.


