A OpenAI encerrou os produtos baseados em seus modelos de geração de vídeo, incluindo o aplicativo independente Sora e as funções audiovisuais integradas ao ChatGPT. A decisão desfez uma parceria de três anos com a Walt Disney Co., que incluía um investimento previsto de US$ 1 bilhão na empresa de inteligência artificial liderada por Sam Altman.
Em março de 2026, Altman comunicou aos funcionários a suspensão das ferramentas de vídeo para redirecionar prioridades internas. Minutos após uma reunião técnica entre executivos das duas partes, a liderança da Disney foi notificada da descontinuação do projeto. Com a decisão, os planos de transferência de capital foram cancelados. A porta-voz da Disney confirmou que o estúdio respeita a saída da fornecedora desse mercado e continuará lidando com tecnologias semelhantes de forma responsável.
O encerramento põe fim a um ciclo intenso de testes e negociações com a indústria audiovisual. No início de 2025, a empresa reuniu representantes do setor em uma sala de cinema em West Hollywood para exibir 11 curtas-metragens criados com o Sora por diretores independentes. A intenção era convencer grandes companhias de entretenimento sobre a viabilidade artística do sistema.

Conversas comerciais com empresas como Universal Pictures e Warner Bros. Discovery enfrentaram cautela imediata. Embora o estúdio Lionsgate tenha anunciado colaborações com outras empresas de inteligência artificial, caso da Runway, os grandes conglomerados mantinham receio sobre a segurança de seus acervos e a reação dos sindicatos de trabalhadores da indústria.
O atrito aumentou com o lançamento do Sora 2, no segundo semestre de 2025. A OpenAI adotou uma abordagem em que proprietários de direitos autorais precisavam notificar a empresa formalmente caso quisessem impedir o uso de suas marcas e personagens pelo público. A postura gerou queixas de agências de talentos como WME, CAA e UTA, focadas na preservação da voz e da imagem de atores como Michael B. Jordan e Oprah Winfrey. A Disney enviou uma carta enfática na época afirmando que a legislação não exigia qualquer pedido prévio para resguardar sua propriedade intelectual.
Em dezembro de 2025, os dois lados pareciam ter encontrado um meio-termo econômico. O acordo firmado autorizava o Sora a gerar animações baseadas em mais de 200 personagens protegidos de franquias como Marvel, Pixar e Star Wars, além de prever conteúdos gerados por usuários na plataforma Disney+. A licença excluía vozes e aparências de atores reais e não cobria figuras humanas tradicionais.
A resposta dos sindicatos de Hollywood foi imediata. A Writers Guild of America, associação dos roteiristas norte-americanos, acusou os estúdios de validar o uso indevido de materiais construídos pelo trabalho coletivo de seus membros. A Animation Guild, que representa animadores e técnicos, questionou a ausência de compensação direta para os criadores das figuras licenciadas. Enquanto isso, a guilda de atores SAG-AFTRA realizou acordos pontuais com a empresa para blindar o uso de membros específicos, citando termos definidos para proteger a imagem de Bryan Cranston.
A suspensão definitiva do aplicativo remove das mãos do público a criação direta de cenas com figuras de grandes estúdios, ao mesmo tempo em que retira do mercado um dos projetos mais monitorados de inteligência artificial generativa aplicada ao entretenimento. Estúdios e criadores independentes mantêm a produção tradicional intocada por essa ferramenta, mantendo o controle total de personagens históricos sob as regras clássicas de direitos de autor.

