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    OpenAI encerra Sora e perde aporte de US$ 1 bilhão da Disney após atrito em Hollywood

    OpenAI decide encerrar o aplicativo de vídeo Sora, cancelando o investimento bilionário da Disney e encerrando negociações conturbadas com a indústria de cinema.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    6 de out. de 2026 · 3 min de leitura

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    Estúdio cinematográfico com tela verde desativada, cabos e tripés desmontados no chão de concreto sob iluminação tênue de serviço
    Equipamentos de filmagem recolhidos em soundstage refletem o desfecho das negociações entre Hollywood e projetos de vídeo generativo.

    A OpenAI encerrou os produtos baseados em seus modelos de geração de vídeo, incluindo o aplicativo independente Sora e as funções audiovisuais integradas ao ChatGPT. A decisão desfez uma parceria de três anos com a Walt Disney Co., que incluía um investimento previsto de US$ 1 bilhão na empresa de inteligência artificial liderada por Sam Altman.

    Em março de 2026, Altman comunicou aos funcionários a suspensão das ferramentas de vídeo para redirecionar prioridades internas. Minutos após uma reunião técnica entre executivos das duas partes, a liderança da Disney foi notificada da descontinuação do projeto. Com a decisão, os planos de transferência de capital foram cancelados. A porta-voz da Disney confirmou que o estúdio respeita a saída da fornecedora desse mercado e continuará lidando com tecnologias semelhantes de forma responsável.

    O encerramento põe fim a um ciclo intenso de testes e negociações com a indústria audiovisual. No início de 2025, a empresa reuniu representantes do setor em uma sala de cinema em West Hollywood para exibir 11 curtas-metragens criados com o Sora por diretores independentes. A intenção era convencer grandes companhias de entretenimento sobre a viabilidade artística do sistema.

    Silhuetas de espectadores em poltronas de veludo observam uma grande tela de cinema iluminada em sala de exibição privada.
    Exibição privada em sala de cinema reúne executivos e criadores para avaliar produções audiovisuais.

    Conversas comerciais com empresas como Universal Pictures e Warner Bros. Discovery enfrentaram cautela imediata. Embora o estúdio Lionsgate tenha anunciado colaborações com outras empresas de inteligência artificial, caso da Runway, os grandes conglomerados mantinham receio sobre a segurança de seus acervos e a reação dos sindicatos de trabalhadores da indústria.

    O atrito aumentou com o lançamento do Sora 2, no segundo semestre de 2025. A OpenAI adotou uma abordagem em que proprietários de direitos autorais precisavam notificar a empresa formalmente caso quisessem impedir o uso de suas marcas e personagens pelo público. A postura gerou queixas de agências de talentos como WME, CAA e UTA, focadas na preservação da voz e da imagem de atores como Michael B. Jordan e Oprah Winfrey. A Disney enviou uma carta enfática na época afirmando que a legislação não exigia qualquer pedido prévio para resguardar sua propriedade intelectual.

    Em dezembro de 2025, os dois lados pareciam ter encontrado um meio-termo econômico. O acordo firmado autorizava o Sora a gerar animações baseadas em mais de 200 personagens protegidos de franquias como Marvel, Pixar e Star Wars, além de prever conteúdos gerados por usuários na plataforma Disney+. A licença excluía vozes e aparências de atores reais e não cobria figuras humanas tradicionais.

    A resposta dos sindicatos de Hollywood foi imediata. A Writers Guild of America, associação dos roteiristas norte-americanos, acusou os estúdios de validar o uso indevido de materiais construídos pelo trabalho coletivo de seus membros. A Animation Guild, que representa animadores e técnicos, questionou a ausência de compensação direta para os criadores das figuras licenciadas. Enquanto isso, a guilda de atores SAG-AFTRA realizou acordos pontuais com a empresa para blindar o uso de membros específicos, citando termos definidos para proteger a imagem de Bryan Cranston.

    A suspensão definitiva do aplicativo remove das mãos do público a criação direta de cenas com figuras de grandes estúdios, ao mesmo tempo em que retira do mercado um dos projetos mais monitorados de inteligência artificial generativa aplicada ao entretenimento. Estúdios e criadores independentes mantêm a produção tradicional intocada por essa ferramenta, mantendo o controle total de personagens históricos sob as regras clássicas de direitos de autor.

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