O TechCrunch Disrupt 2026 reserva um espaço inteiro para um assunto que parece distante do mundo dos algoritmos: a energia que mantém a inteligência artificial funcionando. Em anúncio publicado em 8 de outubro de 2026 (abre em nova aba), o evento confirmou uma conversa entre Ben Longmier, CEO da Ambrosia Energy, e Bill Thayer, vice-presidente sênior e responsável pela área de soluções para data centers da Bloom Energy (abre em nova aba), no palco chamado Smart Systems Stage. A sessão tem título próprio: "Where the AI Infrastructure Boom Is Creating Winners", em tradução livre, onde o boom da infraestrutura de IA está criando vencedores.
Antes de chegar aos dois executivos, convém entender por que esse tema existe. Data center, ou centro de dados, é o prédio cheio de servidores onde a IA é treinada e executada. Esses prédios consomem grandes quantidades de eletricidade e dependem da rede elétrica, o sistema que leva energia das usinas até os consumidores. Segundo a organização do evento, a IA não roda apenas com código: ela exige quantidades enormes de energia, e essa demanda está se tornando um gargalo crítico.
É o gargalo. E é exatamente nele que a conversa de 13 a 15 de outubro vai se debruçar.

O que está em jogo no palco
A premissa da sessão é que escalar a IA depende de uma base física cada vez maior. A lista descrita pela organização inclui:
- geração de energia;
- conexões à rede elétrica;
- data centers;
- sistemas de refrigeração;
- equipamentos elétricos;
- e todo o aparato necessário para manter isso funcionando.
O problema que Longmier e Thayer vão enfrentar é de ritmo. A pergunta central, tal como formulada pelo evento: o que acontece quando a demanda por capacidade de cálculo cresce mais rápido do que a energia e a infraestrutura conseguem ser entregues.
Há uma segunda camada de perguntas, e ela é a que interessa a quem quer abrir negócio. Quais faltas de oferta são temporárias e quais podem remodelar o mercado por anos? Em que momento uma limitação deixa de ser um problema e passa a se transformar em uma categoria própria de negócio? A organização antecipa que a conversa vai mapear onde as restrições estão aparecendo, como o mercado responde e quais áreas merecem atenção dos fundadores de empresas, já que mais capital está indo para a infraestrutura de IA.
Nem tudo é software
A ideia mais provocadora do anúncio não fala de energia diretamente. Segundo o texto do evento, a próxima grande oportunidade criada pela IA pode nem parecer uma empresa de IA. Ela pode surgir em energia, em data centers, em refrigeração, em tecnologia de rede elétrica, em equipamentos elétricos, em software de infraestrutura ou em categorias completamente novas.
Para um público iniciante, isso significa o seguinte: os lucros do ciclo da IA não vão necessariamente ficar com quem faz os modelos. Podem ficar com quem resolve os problemas físicos que os modelos criam. É a mesma lógica de corridas anteriores de tecnologia, quando o dinheiro apareceu em camadas inesperadas, de ferramentas a logística. A diferença, aqui, é que a camada inesperada é a eletricidade.
Dois executivos, duas empresas
Sobre os participantes, as evidências permitem dizer o seguinte. Ben Longmier é CEO, ou diretor executivo, da Ambrosia Energy. Bill Thayer ocupa o cargo de SVP (sigla em inglês para senior vice president, vice-presidente sênior) e lidera a área de Datacenter Solutions da Bloom Energy, empresa de energia que terá um de seus executivos de alto escalão no palco do evento.
Há um detalhe de agenda que merece registro. O anúncio de julho de 2026, que apresentou a primeira versão da programação do Smart Systems Stage, citava uma sessão chamada "AI's Power Problem", ou o problema de energia da IA, com Sara Spangelo, presidente e cofundadora da Ambrosia Energy, também ao lado de Thayer, e com mais palestrantes a serem confirmados. O anúncio de outubro, por sua vez, detalha uma sessão com outro título e outra liderança da Ambrosia, o CEO Ben Longmier. As duas divulgações conviveram sem explicação sobre a mudança, e Thayer aparece em ambas.
O palco completo
O Smart Systems Stage, nome do espaço dedicado ao encontro entre energia, infraestrutura e tecnologia, vai além da conversa entre Ambrosia e Bloom. Segundo a agenda divulgada em 27 de julho de 2026, o palco cobre desde avanços em fusão nuclear até o esforço que a IA impõe sobre a rede elétrica de toda a economia.
| Sessão | Participantes |
|---|---|
| Where the AI Infrastructure Boom Is Creating Winners | Ben Longmier (Ambrosia Energy) e Bill Thayer (Bloom Energy) |
| AI's Power Problem | Sara Spangelo (Ambrosia Energy), Bill Thayer (Bloom Energy) e palestrantes a confirmar |
| Bringing Fusion to the Grid | David Kirtley (Helion) e Brandon Sorbom (Commonwealth Fusion Systems) |
| How Twilio's Founder Is Tackling the Power Problem | Jeff Lawson (Inertia) |
| Rewiring Grid for the Electric Age | Drew Baglino (Heron Power) e Apoorv Bhargava (WeaveGrid) |
A presença de empresas de fusão, como Helion e Commonwealth Fusion Systems, ao lado de nomes ligados à rede elétrica, como Heron Power e WeaveGrid, indica o desenho do palco: juntar quem quer gerar energia de formas novas com quem precisa reformar a rede que a distribui. Jeff Lawson, apontado como fundador da Twilio e hoje CEO da Inertia, também entra nessa discussão pelo viés de quem migrou do software para o problema da energia.
Escala do evento e como participar
O TechCrunch Disrupt 2026 acontece de 13 a 15 de outubro no Moscone West, em São Francisco, nos Estados Unidos, com abertura das portas em 13 de outubro às 8h (horário do Pacífico). A organização informa mais de 250 palestrantes, mais de 200 sessões e a participação de mais de 10 mil pessoas ligadas a startups, tecnologia e capital de risco.
Para fundadores de empresas e investidores, o apelo do palco é direto: mapear onde a escassez vira mercado. Para o público geral, o interesse é outro, talvez maior. A IA aparece ao consumidor como um produto imaterial, uma janela de conversa que responde em segundos. O evento de outubro lembra que por trás dessa janela existe uma economia física, feita de usinas, cabos, prédios refrigerados e equipamentos, e que o crescimento dessa economia depende de decisões que ainda estão sendo tomadas.
Não por acaso, o anúncio do evento resume a aposta do palco em uma frase que serve de síntese: "A próxima grande oportunidade criada pela IA pode nem parecer uma empresa de IA."
Perguntas frequentes
Quando e onde acontece o TechCrunch Disrupt 2026?
O evento ocorre de 13 a 15 de outubro de 2026, no Moscone West, em São Francisco, nos Estados Unidos, com abertura das portas em 13 de outubro às 8h, horário do Pacífico.
Quem são os executivos da Ambrosia Energy e da Bloom Energy no evento?
Ben Longmier é CEO da Ambrosia Energy e Bill Thayer é vice-presidente sênior e responsável pela área de soluções para data centers da Bloom Energy. A agenda de julho também citava Sara Spangelo, presidente e cofundadora da Ambrosia Energy, em outra sessão do mesmo palco.
O que é o Smart Systems Stage?
É o palco do TechCrunch Disrupt 2026 dedicado ao encontro entre energia, infraestrutura e tecnologia, cobrindo desde avanços em fusão nuclear até o impacto da demanda de IA sobre a rede elétrica.
Há descontos para os ingressos do evento?
Sim. Segundo a organização, é possível economizar até 100 dólares comprando antes da abertura em 13 de outubro, e há 50% de desconto no segundo ingresso do mesmo tipo para quem levar um cofundador, sócio ou colega.

