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    O que é Qwen? Como a Alibaba criou uma das melhores IAs do mundo

    O Qwen3.8-Max é um modelo de inteligência artificial da Alibaba Cloud, divisão de computação em nuvem do grupo chinês Alibaba.

    Logo do Qwen 3.8-Max sobre imagem que mostra o mar e céu azuis
    Qwen 3.8-Max, IA da Alibaba
    Neste artigo
    Conhecida por suas plataformas de compras, a gigante chinesa construiu uma operação de computação em nuvem e desenvolveu a família Qwen, que inclui modelos capazes de escrever, programar e executar tarefas com ferramentas digitais.

    A Alibaba ajudou a transformar a maneira como empresas e consumidores compram pela internet. Agora, quer ampliar sua participação em outra mudança: a forma como as pessoas trabalham com inteligência artificial. Um dos principais instrumentos dessa estratégia é o Qwen, família de modelos de IA desenvolvida pelo grupo chinês.

    Entre suas versões está o Qwen3.8-Max, voltado a atividades como programação, produção intelectual e tarefas que exigem várias etapas. Segundo a equipe responsável, a evolução busca melhorar tanto a qualidade das respostas quanto a capacidade de planejar ações e concluir trabalhos com o auxílio de ferramentas.

    A trajetória até esse ponto, porém, começou muito antes da popularização dos chatbots. Para entender a aposta da Alibaba em IA, é preciso voltar ao comércio eletrônico — e à infraestrutura que a empresa precisou construir para sustentá-lo.

    O que é o Qwen e para que serve?


    Qwen é uma família de modelos de inteligência artificial que pode ser utilizada em assistentes de conversa, aplicativos e sistemas empresariais. Entre suas aplicações estão escrever e revisar textos, traduzir, resumir informações, responder a perguntas e gerar código de programação.

    Esses modelos também podem ser integrados a produtos por meio de APIs, interfaces que permitem a um software utilizar os recursos de outro sistema. Assim, uma empresa pode incorporar capacidades do Qwen a um atendimento digital, a uma ferramenta de criação de conteúdo ou a um aplicativo próprio.

    É importante distinguir a família de modelos dos aplicativos que dão acesso a ela. O modelo fornece a capacidade de processar informações e gerar respostas; o aplicativo acrescenta a interface, os recursos disponíveis e as conexões com outras ferramentas.

    No caso do Qwen3.8-Max, a Alibaba destaca avanços em programação, desenvolvimento de interfaces e execução de tarefas por agentes de IA. São sistemas que, quando conectados às ferramentas necessárias, podem realizar uma sequência de ações para cumprir um objetivo.

    Como a Alibaba começou no comércio eletrônico


    A Alibaba foi fundada em 1999, em Hangzhou, na China, por 18 pessoas lideradas por Jack Ma, um ex-professor de inglês. A proposta inicial era usar a internet para ampliar as oportunidades de pequenos negócios, aproximando empresas de compradores e mercados.

    Em 2003, o grupo avançou no comércio entre consumidores com o Taobao. A expansão das plataformas trouxe um desafio que se tornaria decisivo para o futuro da companhia: lidar com volumes crescentes de dados e operações.

    Em seu prospecto apresentado ao mercado americano, a própria Alibaba registra que criou a Alibaba Cloud, em 2009, para atender às necessidades cada vez maiores de gerenciamento de dados de suas plataformas.

    Essa é a conexão central entre o comércio eletrônico e a inteligência artificial na história do grupo. Antes de oferecer modelos de IA, a Alibaba já precisava desenvolver capacidade computacional para operar negócios digitais em grande escala.

    A nuvem preparou o terreno para a inteligência artificial


    A computação em nuvem permite que empresas utilizem processamento, armazenamento e outros recursos tecnológicos pela internet, sem manter toda essa estrutura em instalações próprias.

    Para a Alibaba, essa atividade passou a representar também um negócio oferecido a outras organizações. Em 2015, o grupo já apresentava a AliCloud entre suas operações de infraestrutura tecnológica para empresas e empreendedores.

    A conexão estratégica é direta: desenvolver e disponibilizar inteligência artificial exige infraestrutura computacional. A experiência acumulada na nuvem ajudou a preparar a companhia para atuar nesse mercado.

    Por isso, a chamada “virada do varejo para a IA” é melhor compreendida como uma expansão construída ao longo dos anos. A própria Alibaba hoje se define como uma empresa de tecnologia concentrada em IA, nuvem e comércio. O comércio eletrônico continua fazendo parte do negócio.

    Como o Qwen foi criado e evoluiu


    Um marco público dessa trajetória ocorreu em 11 de abril de 2023, quando a Alibaba Cloud apresentou o Tongyi Qianwen, seu grande modelo de linguagem. Na ocasião, anunciou planos de disponibilizá-lo a clientes corporativos e apoiar a construção de modelos personalizados.

    A evolução envolveu sucessivas gerações e aperfeiçoamentos no treinamento. O relatório técnico do Qwen2.5, publicado em 2024, oferece um retrato desse processo: a equipe ampliou o conjunto de pré-treinamento de 7 trilhões para 18 trilhões de tokens, unidades usadas pelos modelos para processar informações.

    Depois dessa etapa, empregou ajustes supervisionados com mais de um milhão de exemplos e técnicas de aprendizagem por reforço. O objetivo era melhorar capacidades como seguir instruções, produzir textos longos e analisar dados estruturados. Esses números descrevem o Qwen2.5, e não devem ser tratados como especificações do Qwen3.8-Max.

    Na geração Qwen3.8, a equipe passou a destacar melhorias em programação, pesquisa, trabalho profissional e execução de tarefas prolongadas. O repositório oficial informa que a série foi construída sobre a base arquitetural do Qwen3.5 e marcou a disponibilização aberta de um modelo da categoria Max. As condições de utilização dependem da licença de cada versão.

    A aposta de US$ 53 bilhões


    A mudança de prioridade ganhou uma dimensão financeira explícita em fevereiro de 2025. A Alibaba anunciou um plano de investir pelo menos 380 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 53 bilhões à época, em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial ao longo de três anos.

    Segundo a companhia, o valor superava todo o investimento realizado nessas duas áreas na década anterior. Trata-se de um compromisso anunciado para um período, e não de um montante desembolsado integralmente naquele momento.

    A ambição envolve diferentes partes do mercado. Na conferência Apsara de setembro de 2026, o grupo apresentou uma estratégia que abrange chips, infraestrutura de nuvem, modelos e agentes de inteligência artificial.

    A leitura estratégica desse movimento é que a Alibaba pretende participar tanto da criação da inteligência quanto da infraestrutura necessária para utilizá-la. Uma empresa pode consumir seus modelos, contratar processamento ou combinar esses serviços em aplicações próprias.

    O que essa transformação revela


    A trajetória da Alibaba mostra como competências desenvolvidas para resolver um problema podem abrir caminho para outro negócio. A necessidade de sustentar plataformas de comércio ajudou a impulsionar a operação de nuvem. Essa infraestrutura, por sua vez, criou condições para a expansão em inteligência artificial.

    O Qwen é a expressão mais visível dessa mudança para quem utiliza assistentes digitais. Por trás dele, porém, existe uma disputa mais ampla: fornecer os modelos, o processamento e as ferramentas que empresas usarão para incorporar IA ao trabalho.

    A companhia que nasceu para conectar negócios pela internet agora busca ampliar seu papel na tecnologia que esses negócios utilizam para operar.

    Foto de Simão Vieira de Mairins

    Simão Vieira de Mairins

    COO e co-fundador do ia.com.br

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