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    NotíciaInfraestrutura e hardware

    NVIDIA abre o código do Run:ai, software que divide GPUs entre equipes de IA

    Em 13 de outubro de 2026, a NVIDIA publicou como código aberto a plataforma Run:ai de orquestração de GPUs dentro da DSX AI Factory, sob licença Apache 2.0. As versões comerciais com suporte pago continuam disponíveis em paralelo.

    Placas de GPU em servidor acesas com luzes de atividade em corredor técnico iluminado por lâmpadas frias, indicando uso simultâneo por diferentes tarefas
    GPUs de um mesmo servidor divididas entre cargas simultâneas: NVIDIA abre o código do Run:ai, orquestrador de recursos, sob licença Apache 2.0
    Neste artigo

    Dividir placas de vídeo entre equipes de inteligência artificial é um trabalho invisível até a fila de espera aparecer. Em 13 de outubro de 2026, a NVIDIA anunciou que o NVIDIA Run:ai (abre em nova aba), o sistema que a empresa vende justamente para organizar esse tipo de disputa, passa a ser distribuído como código aberto, dentro da plataforma DSX AI Factory.

    O que o Run:ai faz, em termos simples. Empresas e centros de pesquisa costumam ter um conjunto finito de GPUs, unidades de processamento especializadas em IA, compartilhado por vários grupos: um treina modelos, outro testa, um terceiro responde a usuários. Sem um coordenador, essa divisão se resolve por planilha ou conversa. O Run:ai se instala sobre o Kubernetes, um software que organiza aplicações em contêineres, pacotes padronizados de programa, em vários servidores, e acrescenta regras para GPUs: fila com prioridades, cotas por equipe, acompanhamento do uso e divisão de uma mesma placa entre trabalhos simultâneos. O controle acontece por interface web, linha de comando ou API REST, o canal pelo qual programas conversam com o sistema.

    O que foi aberto

    Segundo o anúncio da NVIDIA, o código completo da plataforma está reunido em um único repositório público, o dsx-ai-factory/run-ai (abre em nova aba). Ele contém o plano de controle, a parte central que administra recursos e recebe pedidos de trabalho, os serviços que rodam em cada cluster, o instalador, a linha de comando, a documentação e um servidor MCP, um serviço que permite que assistentes de IA interajam com a plataforma.

    Tela de navegador exibindo repositório de código aberto com arquivos de plano de controle, CLI, documentação e servidor MCP, com racks de servidores GPU ao fundo em ambiente de laboratório com luz azulada.
    Plataforma de orquestração de GPUs é publicada como código aberto sob licença Apache 2.0, com versões comerciais mantidas em paralelo.

    Quatro componentes do conjunto também podem ser adotados de forma independente: o KAI Scheduler, que faz o agendamento dos trabalhos; o GPU Fractioning Operator, que divide GPUs; o KAI Resource Management, que administra os recursos; e o Workload Map, publicado em repositório próprio, o dsx-ai-factory/karta (abre em nova aba).

    Para quem prefere pacote pronto, a plataforma completa também aparece na NVIDIA NGC, o catálogo de softwares da própria empresa, na categoria Community Product, acompanhada de um gráfico Helm, ou seja, um pacote de instalação pronto para Kubernetes. Há uma condição nesse canal: o download exige aceitar o acordo de licença de software da NVIDIA e os termos específicos para produtos de IA da companhia.

    A licença e suas bordas

    O código é licenciado sob a Apache 2.0, uma licença aberta que permite usar, modificar e até vender o software, desde que os avisos de licença originais sejam mantidos. O arquivo NOTICE do repositório registra os direitos autorais de 2026 da NVIDIA Corporation & Affiliates e deixa claro que o software é distribuído no estado em que se encontra, sem garantias, expressas ou implícitas.

    A licença cobre o código, não a marca. Nomes, logotipos, fontes e elementos visuais da NVIDIA e do Run:ai continuam reservados, e a Apache 2.0 não concede permissão para usá-los. Componentes de terceiros embarcados no projeto seguem suas próprias licenças, entre elas a MIT e a própria Apache 2.0, além de uma licença de atribuição (CC-BY-4.0) aplicada à pasta de skills do projeto, um tipo de conteúdo instrucional que acompanha o repositório.

    O fim do fracionamento fechado

    Fracionar uma GPU significa dividir uma placa entre trabalhos que rodam ao mesmo tempo, com limites de memória para cada um. O anúncio informa que o GPU Fractioning Operator substitui uma implementação proprietária, agora aposentada, por um fracionamento nativo do CUDA 13.4, a camada de software da NVIDIA que faz a ponte entre o sistema operacional e as GPUs. Nesse modelo novo, é o próprio driver CUDA que impõe um limite rígido de memória por carga de trabalho, o que reduz a chance de um trabalho invadir a memória de outro.

    O KAI Scheduler, motor de fila do conjunto, segue a mesma Apache 2.0 e foi doado pela NVIDIA ao CNCF, a fundação que abriga o Kubernetes, como projeto de estágio Sandbox, o ponto de entrada para projetos novos da entidade.

    Quem já paga, o que muda

    Nada obriga os clientes atuais a abandonar a versão paga. A documentação oficial (abre em nova aba) do produto descreve dois caminhos paralelos, e as diferenças entre eles são concretas:

    CaminhoCusto de licençaSuporte da NVIDIA
    Código no GitHub ou Community Product na NGCNenhum (no NGC, mediante aceite dos termos)Não incluído
    Support-Entitled ReleaseContrato comercialIncluído, mediante contrato
    Pacotes empresariaisContrato comercialConforme a oferta

    O anúncio detalha as vias comerciais: para implantações no NVIDIA Enterprise AI Factory, o Run:ai segue disponível como produto independente, dentro do Mission Control e do NVIDIA AI Enterprise, e por marketplaces de nuvem selecionados. Os termos de disponibilidade, licenciamento e suporte variam conforme a oferta escolhida. Em outras palavras, o software livre substitui a necessidade de assinatura para quem consegue operar sem suporte, mas não encerra o negócio que dependia de contrato.

    Requisitos e limites declarados

    A instalação exige Kubernetes ou OpenShift, uma distribuição corporativa do Kubernetes. Funciona tanto em ambientes conectados à internet quanto em redes isoladas, situação chamada de air-gapped, comum em instituições que não podem expor sua infraestrutura. Há dois caminhos de instalação: o instalador guiado por linha de comando, chamado runai-installer, ou o Helm manual. As imagens de contêiner e os gráficos Helm prontos são publicados em nvcr.io/nvidia/runai.

    Os limites também estão escritos. O próprio repositório avisa que os comandos de construção na raiz são marcadores de posição, ou seja, os comandos reais de compilação e teste moram dentro de cada diretório de serviço. O projeto não publica um roteiro de recursos de longo prazo. E o Run:ai não substitui o Kubernetes, o sistema de execução de contêineres nem ferramentas de integração contínua; ele adiciona capacidades a esses elementos. O fracionamento, por fim, depende do driver CUDA 13.4, tecnologia da própria NVIDIA.

    O quadro maior

    O movimento não nasceu ontem. Em junho de 2026, a NVIDIA já havia descrito a DSX OS (abre em nova aba), um conjunto de softwares abertos e modulares para operar o que a empresa chama de fábricas de IA, ambientes dedicados a treinar e executar modelos em escala. Naquela ocasião, a NVIDIA afirmou que constrói e opera infraestrutura na sua nuvem DGX e que libera esse software para que parceiros usem os componentes em vez de reconstruí-los. O texto de junho citava o KAI Scheduler e o Run:ai para alocação de trabalhos com reconhecimento de GPU, cotas hierárquicas e fracionamento, mas ainda não afirmava que o código completo da plataforma estava publicado. Esse passo veio agora.

    O anúncio de outubro lista os parceiros que já integram o lançamento: Crusoe, Mirantis, Nebius, OpenNebula Systems, Rafay, Saturn Cloud, Spectro Cloud e vCluster. São empresas de nuvem e de plataformas de infraestrutura, o que sugere que o código aberto pretende circular no ecossistema, e não apenas nos servidores da NVIDIA.

    Para quem opera um pequeno conjunto de GPUs, o efeito prático é direto. Uma equipe hipotética de quatro cientistas que dividia oito placas por planilha pode hoje baixar o mesmo software que antes só se obtinha por contrato. O que muda de figura é a responsabilidade: com o software livre, a pergunta deixa de ser quanto custa o Run:ai e passa a ser quem assume o plantel quando a fila engargalar, e essa resposta depende do caminho, aberto ou com suporte, que cada organização escolher.

    Perguntas frequentes

    O Run:ai open source é gratuito?

    O código sob Apache 2.0 não exige assinatura paga, e a NVIDIA informa que o Community Product na NGC não requer assinatura nem direito a suporte. Para baixar pela NGC, porém, é preciso aceitar o acordo de licença de software da NVIDIA e os termos específicos para produtos de IA.

    Preciso ter GPUs da NVIDIA para usar?

    O fracionamento de GPU anunciado depende do driver CUDA 13.4, que é tecnologia da NVIDIA, e sem esse driver esse recurso específico não existe. As fontes não descrevem a plataforma operando com GPUs de outros fabricantes.

    Quem já paga pelo Run:ai perde o produto?

    Não. Para implantações no NVIDIA Enterprise AI Factory, o Run:ai segue disponível em ofertas comerciais com suporte da NVIDIA: como produto independente, dentro do Mission Control e do NVIDIA AI Enterprise, e por marketplaces de nuvem selecionados.

    Dá para instalar sem internet?

    Sim. A documentação do repositório indica instalação em Kubernetes ou OpenShift tanto em ambientes conectados quanto em redes isoladas (air-gapped), pelo instalador guiado runai-installer ou pelo Helm manualmente.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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