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    NotíciaInfraestrutura e hardware

    NVIDIA abre desenhos dos racks Vera Rubin para escalar fábricas de IA em padrão aberto

    Na OCP Global Summit, a NVIDIA contribuiu projetos de racks e bandejas da plataforma Vera Rubin ao consórcio Open Compute Project via especificação MGX 1.2, com adesão de Meta, Google, Microsoft e Cisco a padrões abertos para data centers de IA.

    Rack de servidor com bandejas de computação expostas em estande de feira de tecnologia de data centers
    Rack com bandejas de computação em exposição no salão da OCP Global Summit, em San Jose, onde padrões abertos para data centers ganham adesão de grandes empresas de tecnologia
    Neste artigo

    A NVIDIA (abre em nova aba), empresa mais conhecida por manter fechado o ecossistema em torno de seus chips de inteligência artificial, tornou públicos nesta segunda-feira, 12 de outubro, os desenhos de racks e bandejas de computação da sua próxima grande plataforma, a Vera Rubin (abre em nova aba). A contribuição foi anunciada na OCP Global Summit, conferência do Open Compute Project realizada no San Jose McEnery Convention Center, na Califórnia, e continua até 15 de outubro.

    O Open Compute Project, ou OCP, é um consórcio em que empresas publicam especificações abertas de equipamentos de data center: qualquer fabricante pode reproduzi-los. Ao contribuir os projetos de racks e bandejas de computação da Vera Rubin pela arquitetura MGX, que é aberta, a NVIDIA permite que outras empresas montem servidores compatíveis com sua plataforma sem precisar reinventar a parte física, a estrutura de energia e o resfriamento.

    O que está em jogo tem nome próprio na própria empresa: fábrica de IA. A expressão descreve um data center inteiro tratado como uma linha de produção, em que a matéria-prima é eletricidade e o produto final são respostas geradas por modelos de inteligência artificial. Fábricas nesse nível consomem energia comparável à de cidades pequenas, e a NVIDIA sostém que o problema central do setor hoje não é desenhar mais um chip, e sim conseguir fabricar e instalar essas instalações em escala.

    Fileiras de racks de servidores em galpão industrial amplo, com esquemas técnicos abertos iluminados por luz de engenharia
    Racks no padrão MGX 1.2, abertos ao consórcio OCP, apoiam a expansão de fábricas de IA com participação de Meta, Google, Microsoft e Cisco

    "O verdadeiro gargalo da indústria agora é a velocidade com que o mundo consegue fabricar e implantar fábricas de IA."

    A frase é de Joe DeLaere, líder de soluções de infraestrutura de IA da NVIDIA, em declaração à cobertura do veículo SiliconANGLE no dia do anúncio.

    O que foi aberto, item por item

    A especificação atualizada, chamada MGX 1.2, reúne segundo a NVIDIA os seguintes componentes:

    • Resfriamento líquido do tipo blind-mate, em que o servidor se conecta ao sistema de refrigeração automaticamente ao ser encaixado no rack, sem mangueiras montadas à mão;
    • Barramento elétrico refrigerado a líquido capaz de entregar 5.000 amperes, chamado busbar, que substitui o emaranhado de cabos de energia;
    • Infraestrutura de interconexão entre máquinas, dentro do rack, projetada para interoperar entre fabricantes;
    • Suporte nativo a gabinetes de 19 polegadas, o padrão tradicional de data centers;
    • Bandejas de computação sem ventoinhas, resfriadas só por líquido;
    • Bases de I/O configuráveis e interfaces padronizadas de energia e refrigeração;
    • Projetos de rack com densidade maior, incluindo implantações de até 250 kW por rack.

    Para dar a medida da coisa: um rack doméstico comum de servidor não passa de poucos dezenas de quilowatts, e um rack de 250 kW se aproxima do consumo de um prédio comercial médio comprimido num móvel do tamanho de um armário industrial.

    O que é a Vera Rubin

    A plataforma anunciada como base para treinamento e inferência em grande escala é o Vera Rubin NVL72, que reúne 72 GPUs Rubin, 36 CPUs Vera, chips de rede ConnectX-9 SuperNICs e processadores BlueField-4 DPUs. Traduzindo: SuperNICs são chips dedicados a acelerar a comunicação entre GPUs durante o treinamento, e DPUs cuidam da gestão e da segurança da rede para que as GPUs não percam tempo com essas tarefas.

    A NVIDIA descreve a plataforma no evento como projetada para IA agêntica e raciocínio, com co-design extremo entre sete chips, e afirma que reduz custos de tokens de treinamento e inferência. Essas frases são declarações da própria empresa em sua página do evento, sem data de embarque, preço ou disponibilidade anunciada ali.

    Há ainda um segundo desenho de rack, dedicado só às CPUs Vera, para tarefas de orquestração: chamar ferramentas externas, coordenar agentes de software e executar código em ambientes isolados. A NVIDIA afirma que essas CPUs entregam cerca de duas vezes o desempenho da geração anterior, a Grace, em vários testes, e 1,8 vez no benchmark Terminal-Bench. Números atribuídos ao fabricante, medidos por ele, sem verificação independente publicada até o momento.

    Software aberto e um acordo sobre energia elétrica

    A abertura não ficou no metal. A NVIDIA também publicou componentes de código aberto do seu DSX AI Factory, o conjunto de softwares, guias e projetos de referência que acompanha a plataforma: o Config Manager, o Cluster Readiness Engine, o Rack Management Service e o Cluster API Provider for NVIDIA Infrastructure Controller. Em termos práticos, são programas que ajudam a configurar, checar se o cluster está pronto para operar e gerenciar racks.

    Com AMD, Google e Meta, a NVIDIA publicou a versão 0.7 da Open Data Center Specification. E com Google, Meta e Microsoft publicou a OCP Grid Resilience Specification, que estabelece um requisito curioso para infraestrutura de IA de grande escala: depois de uma interrupção, o conjunto deve voltar a quase toda a carga em menos de dois segundos. A cláusula existe porque o gargalo de uma fábrica de IA não é só o chip, é a rede elétrica que o alimenta.

    O que os parceiros declararam

    A Meta declarou que está adotando os switches Ethernet Spectrum-6 da NVIDIA, com capacidade de 102,4 terabits por segundo, descritos pela empresa como o dobro da capacidade do Spectrum-4, com 200G por via em um tecido Ethernet sem perdas. O switch da Meta se chama N-IceCube, dentro do IcePack, rack da própria Meta refrigerado a líquido, rodando o sistema FBOSS, desenvolvido pela companhia. Omar Baldonado, diretor sênior de rede de data center e IA da Meta, comentou a parceria no material da NVIDIA.

    A Google entrou com o Falcon Transport: a NVIDIA anunciou suporte ao protocolo a partir dos futuros ConnectX-10 SuperNICs, com caminho previsto para os BlueField.

    A NVIDIA e a Cisco definiram conjuntamente um novo padrão de módulo de rede chamado USFP, que a NVIDIA descreve como o primeiro do setor para tecidos de 400 gigabits por segundo por via, com quatro vezes a densidade de banda do formato atual de 200G, o OSFP, e 1,3 vez de ganho de eficiência energética. A Visionbay apresentou um projeto de fábrica de IA em 800 volts de corrente contínua para a era Vera Rubin, desenhado para reduzir as perdas de conversão na distribuição de energia dentro do data center.

    De promessa a entrega

    O anúncio de agora fecha um ciclo que começou um ano antes. Na edição anterior da mesma conferência, em 13 de outubro de 2025, a NVIDIA tinha apenas prometido revelar as especificações dessa geração e afirmado que mais de 50 parceiros MGX se preparavam para ela, além de mais de 20 empresas apoiando data centers em 800 VDC. Na ocasião, a plataforma ainda se chamava Vera Rubin NVL144; houve depois uma mudança de nomenclatura para NVL72. A cobertura da época, também do SiliconANGLE, projetava o lançamento das GPUs Rubin para 2027, projeção que veio do veículo e não foi reafirmada no post da NVIDIA.

    A diferença entre os dois momentos importa. Em 2025, havia contagem de parceiros e intenção declarada de contribuir projetos. Em 2026, a empresa afirma que os projetos de fato foram publicados no OCP pela especificação MGX 1.2. A cobertura da SiliconANGLE é do mesmo dia do anúncio e se baseia no material da NVIDIA: não existe ainda confirmação independente de que parceiros tenham enviado sistemas ao mercado, nem de que alguma fábrica de gigawatts esteja operando nesse padrão. Meta, Google e Cisco confirmaram adesões ou parcerias específicas, nos termos descritos acima, mas cada peça do quebra-cabeça segue na fase declarada por quem a anunciou.

    O detalhe que resume o momento: em uma conferência fundada para padronizar gabinetes e fontes de energia de data centers, a empresa dona do hardware mais disputado do mercado de IA publicou o desenho do móvel que segura seus chips. E especificou que, depois de um apagão, tudo precisa voltar a funcionar em menos de dois segundos.

    Perguntas frequentes

    O que é a arquitetura Vera Rubin?

    É a próxima plataforma de IA da NVIDIA, anunciada com o rack Vera Rubin NVL72, que reúne 72 GPUs Rubin, 36 CPUs Vera, chips de rede ConnectX-9 SuperNICs e BlueField-4 DPUs. A empresa a descreve como base para treinamento e inferência de IA em grande escala, incluindo agentes de software e raciocínio.

    O que significa "abrir" a arquitetura?

    Significa que a NVIDIA publicou no Open Compute Project, por meio da especificação aberta MGX 1.2, os projetos dos racks e das bandejas de computação, incluindo interfaces padronizadas de energia e resfriamento. Assim, outros fabricantes podem construir equipamentos compatíveis com a plataforma.

    Quando a Vera Rubin estará disponível?

    As páginas do evento e do anúncio não trazem data de embarque, preço ou disponibilidade. Cobertura publicada em outubro de 2025 projetava o lançamento das GPUs Rubin para 2027, projeção do veículo SiliconANGLE e não uma data confirmada pela NVIDIA.

    O que é uma "fábrica de IA"?

    É o termo que a NVIDIA usa para data centers dedicados a produzir respostas de inteligência artificial em escala, consumindo grandes volumes de energia, com dezenas de milhares de chips interligados. A analogia é com uma fábrica convencional: entra eletricidade e dados, sai produto acabado na forma de respostas geradas por modelos.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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