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    Nova IA do Google cria músicas completas a partir de fotos, mas barra 19 de 22 testes

    O modelo Lyria 3.5 chegou gratuitamente ao aplicativo do Gemini para transformar textos e imagens em faixas de até três minutos. Nos bastidores, porém, filtros de segurança bloquearam até um country instrumental.

    Fotografia impressa transformando-se em ondas sonoras ao lado de um violão com cadeado nas cordas, com mesa de mixagem e fones de ouvido iluminados por luz vermelha ao fundo.
    Novos recursos permitem transformar imagens em faixas musicais de até três minutos, mas esbarram em rígidos filtros de segurança.
    Neste artigo

    O Google (abre em nova aba) acaba de colocar um estúdio musical completo dentro do bolso de qualquer pessoa que use o aplicativo do Gemini (abre em nova aba), capaz de transformar simples comandos de texto ou até uma fotografia em uma música inteira de três minutos. A novidade atende pelo nome de Lyria 3.5, modelo de geração de áudio de alta fidelidade desenvolvido pelo Google DeepMind (abre em nova aba) e liberado mundialmente nesta sexta-feira (30) como parte do pacote de atualizações de outubro da empresa. Há apenas um detalhe bem típico das gigantes de tecnologia: enquanto a vitrine para o público brilha, desenvolvedores que testaram o sistema nos bastidores viram 19 de 22 pedidos de música serem barrados pelos filtros de segurança da própria empresa, incluindo uma inofensiva faixa instrumental de música country.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​⁠

    Para quem só quer brincar de produtor musical pelo celular ou computador, a evolução prática é imediata. Enquanto o antigo Lyria 3 comum entregava apenas trechos curtos de 30 segundos, a versão 3.5 compõe faixas que vão de meio minuto a três minutos completos, com direito a vários versos, refrões e pontes que fazem sentido juntos. O usuário abre o Gemini na web, no Android ou no iOS, escolhe o gênero musical, decide se quer vocais cantados ou apenas instrumentos e pode usar modelos prontos para situações específicas, que vão de trilhas de fundo a músicas de aniversário personalizadas.

    A parte mais curiosa da documentação técnica do modelo é que você não precisa nem saber descrever o som que quer: o sistema aceita imagens como ponto de partida e devolve tanto a letra escrita quanto o arquivo de áudio em formato MP3 estéreo com qualidade padrão de estúdio (44,1 kHz). Esse avanço na disputa pelo mercado de mídia sintética, que o IA.com.br acompanha de perto a cada atualização das grandes plataformas, mostra que a estratégia agora é esconder a complexidade técnica atrás de um bate-papo simples.

    Fotografia impressa e folha com letra de música sobre uma mesa de mixagem em primeiro plano, com um produtor musical usando fones de ouvido e ajustando controles ao fundo em um estúdio com iluminação suave.
    O modelo Lyria 3.5 utiliza textos e imagens como referência para compor faixas completas com duração de até três minutos.

    Um produtor virtual no iPhone e um guarda de trânsito na porta

    Além de embutir a tecnologia no assistente principal, a gigante das buscas abriu uma frente dedicada com o aplicativo Google Flow Music, disponível gratuitamente para iPhone (com compras internas). Ali, o Lyria 3.5 funciona como o motor de um estúdio onde o usuário conversa com um "Produtor" controlado pelo Gemini: basta pedir em linguagem natural para "deixar o baixo mais pesado" ou "cantar a letra com uma voz mais grave" para alterar a faixa inteira. O aplicativo ainda integra o modelo de vídeo Veo para que a pessoa dirija o próprio videoclipe da música gerada e oferece uma área chamada Spaces para criar e compartilhar miniprogramas e efeitos de áudio.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​⁠

    Toda essa liberdade criativa, no entanto, bate de frente com o pavor corporativo de processos judiciais. No fórum oficial do Google para desenvolvedores, uma equipe que preparava a estreia de um serviço de músicas personalizadas para o dia 1º de novembro relatou um bloqueio em massa ao usar o Lyria 3.5. Em uma bateria controlada de 22 testes enviando instruções musicais para criar canções originais em finlandês, apenas três funcionaram; as outras 19 falharam com um aviso de conteúdo proibido por supostamente conterem "palavras sensíveis" que violam a política de uso da empresa, sem que o sistema explicasse qual palavra acionou o alarme.

    Para provar que o filtro estava disparando no escuro, os programadores fizeram um teste separado no dia 28 de outubro pedindo apenas uma faixa instrumental de country de 60 segundos, com violão, guitarra e bateria leve. O pedido incluía até uma ordem explícita para não colocar voz humana e não imitar nenhum artista ou música existente, mas mesmo assim foi bloqueado na primeira tentativa antes de passar com instruções reescritas. No papel, o Lyria 3.5 entra na briga direta com rivais dedicados como Suno (que já opera nas versões V4 e V5.5 com músicas de quatro minutos) e MiniMax (que chega a seis minutos), mas o Google ainda precisa calibrar o freio de mão se quiser que sua nova banda toque sem tropeçar na própria censura automática.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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