A Nous Research (abre em nova aba), startup norte-americana conhecida pelo agente de inteligência artificial Hermes, confirmou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, que captou US$ 90 milhões em uma rodada Series B. A empresa passou a valer US$ 1,5 bilhão segundo os investidores, e o dinheiro será usado para levar sua tecnologia ao mercado corporativo.
Para quem não acompanha o vocabulário de startups: uma Series B é uma etapa de captação em que empresas já maduras buscam dinheiro para crescer, vendendo parte de seus acionistas a fundos de investimento. Já o valuation é o valor que esses investidores atribuem à companhia como um todo ao entrar no negócio. No caso, US$ 1,5 bilhão.
A rodada foi liderada pelo fundo Robot Ventures e contou com participações da Nvidia, da Union Square Ventures, da Menlo Ventures, da Samsung e da 1789 Capital, na qual Donald Trump Jr. é sócio. O anúncio oficial da Nous também cita a Microsoft, por meio do fundo M12, e a Y Combinator entre os apoiadores. Com o aporte, o total captado pela empresa desde a fundação chega a US$ 158 milhões, segundo o TechCrunch.

O que é o Hermes Agent
A Nous foi criada em 2023 com a proposta de ir na direção oposta à dos grandes laboratórios de IA. Em vez de modelos fechados, controlados por poucas companhias, a startup defende inteligência artificial aberta, que qualquer pessoa pode baixar, modificar e rodar onde quiser.
O produto central dessa estratégia é o Hermes Agent, lançado em fevereiro de 2026 com licença MIT, um tipo de permissão que permite uso livre do software, inclusive comercial. Um agente de IA, aqui, é um programa que vai além de responder perguntas: ele executa tarefas em várias etapas, como organizar arquivos, escrever códigos ou completar processos de trabalho.
Entre as funções descritas pela empresa, o Hermes lembra projetos anteriores, cria habilidades reutilizáveis conforme trabalha e mantém esse aprendizado entre sessões de uso. O usuário escolhe onde o programa roda e quais modelos de IA ele utiliza.
Os números de adoção chamam atenção. O Hermes Agent foi clonado, isto é, copiado de repositórios públicos, mais de 24 milhões de vezes e seria responsável por cerca de 2,5% de todo o uso global de tokens. Token é a unidade básica em que textos são divididos para serem processados por modelos de IA; quanto mais tokens, mais processamento. Só que esses números vêm de estimativas internas da própria Nous, não de medição independente. Milhares de pessoas já contribuíram com o desenvolvimento do projeto ou criaram aplicações sobre ele.
O salto para empresas
Com a captação, a empresa passa a investir no Hermes for Businesses, versão corporativa do agente. A ideia é que companhias consigam implantar agentes personalizados para executar fluxos de trabalho em várias etapas mantendo seus dados privados e seguros, sem depender de um único fornecedor.
Segundo o CEO da Nous, Dillon Rolnick, o produto permitirá que empresas escolham os melhores modelos pelos melhores preços, reduzindo gastos e escalando o uso de IA com controle sobre a própria infraestrutura. Em sua nota sobre a captação, ele resume a proposta como agentes que crescem junto com o cliente.
A mudança de foco tem contexto financeiro. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, a Nous faturava cerca de US$ 36 milhões anualizados em meados de setembro de 2026 e espera ultrapassar a marca de US$ 100 milhões antes do fim do ano. São projeções da própria empresa, que o jornal reportou, e não resultados auditados.
Um mercado em disputa
A aposta da Nous chega em um momento de competição intensa entre modelos abertos e fechados. Os grandes laboratórios têm vantagem de escala e recursos, enquanto startups de código aberto disputam espaço com custos menores e liberdade de uso. A presença de nomes como Nvidia e Samsung entre os investidores da rodada sugere interesse estabelecido na tese de que empresas vão querer agentes de IA sob seu próprio controle.
O próximo passo, portanto, é comercial: converter uma base enorme de usuários técnicos em clientes corporativos dispostos a pagar. Os US$ 90 milhões dão fôlego para isso; o mercado dirá se o Hermes repete, no ambiente corporativo, a adoção que já alcançou entre desenvolvedores.

