A Nebula anunciou nesta sexta-feira (30) que abriu o código do fastbrowse (abre em nova aba). É um agente de inteligência artificial que usa o navegador no lugar da pessoa: entra no site, faz login, põe produto no carrinho e volta com a resposta. A licença é a MIT, uma das mais permissivas, que permite usar, copiar e modificar o programa. A versão 0.9.0 chegou ao repositório de pacotes Python na véspera, assinada pela Agent Labs e marcada como beta. O lançamento veio com números de vitrine, e a vitrine merece ser lida de perto.
O anúncio, publicado no perfil oficial da empresa no X, compara o fastbrowse ao Browser Use (abre em nova aba), o concorrente mais conhecido do ramo. A comparação usa uma única tarefa, um login seguido de compra:
Acabamos de abrir o código do nosso agente de navegador. Apresentamos https://www.fastbrowse.ai/ É 10,6 vezes mais barato e 1,6 vez mais rápido que os concorrentes. Para a mesma tarefa de login + adicionar ao carrinho: fastbrowse: 25,7 s, US$ 0,03 por execução. Browser Use: 42,2 s, US$ 0,32 por execução. Confira nosso lançamento no Product Hunt:

O exame foi da casa
A conta do custo fecha. A empresa publicou em sua página de benchmarks (abre em nova aba) uma bateria de 46 tarefas em sites reais, cada uma repetida três vezes. Nela, o fastbrowse gastou em média US$ 0,0296 por execução, contra US$ 0,318 do Browser Use. É a mesma diferença de dez vezes do anúncio. O fastbrowse também acertou mais: 137 de 138 tentativas (99,2%), contra 133 do rival (96,3%).
A conta da velocidade não fecha. Na mesma bateria, o tempo mediano do fastbrowse foi de 18,9 segundos e o do Browser Use, de 15,3. No exame mais amplo que a própria empresa exibe, o concorrente foi mais rápido. O "1,6 vez mais rápido" vale para a tarefa escolhida para a propaganda.
Há mais letras miúdas:
- O conjunto de tarefas é interno, não um padrão do setor.
- Os testes foram rodados pela própria empresa em 25 de outubro, sobre a versão 0.7.1, duas versões atrás da que foi publicada agora.
- Quem deu as notas foi o Jev, um modelo que faz parte do próprio produto.
- A página lista outros dois testes, o Online-Mind2Web e o BU Bench, com números divulgados pelo próprio Browser Use. Neles, o fastbrowse aparece como "não medido".
Diga-se a favor da casa que a página informa quem mediu cada número e não mistura resultados de testes diferentes, cortesia rara nesse mercado.
Escolhe, não inventa
O mais interessante do fastbrowse não é o cronômetro, é o desenho. Cada página visitada vira uma lista do que de fato existe nela: botões, links, campos. O Jev (abre em nova aba), um "modelo de escolha" da Typesafe, seleciona um item dessa lista, enquanto um modelo de linguagem convencional lê a página e planeja os passos. Segundo o diretório Neuralpaws, quando o Jev fica em dúvida, a decisão passa para o modelo tradicional. O efeito prático, descrito no repositório no GitHub (abre em nova aba), é que o agente não consegue clicar no que não está na tela.
A segunda escolha diz respeito às respostas. Em cada resposta completa, toda afirmação vem acompanhada de um trecho copiado, palavra por palavra, da página de onde saiu. Quem já recebeu de um chatbot uma informação inventada com toda a segurança entende o valor de poder conferir.
Quem segura a chave
As ações sem volta ficam paradas até alguém autorizar: enviar formulário, pagar, apagar, mandar mensagem. As senhas só são digitadas no site para o qual foram cadastradas, e os modelos de IA enxergam apenas o nome delas, nunca o conteúdo. A Nebula diz rodar o fastbrowse em seu próprio sistema de agentes, com logins do Bitwarden ou do 1Password restritos a sites autorizados.
No site do produto há uma frase que vale mais que os gráficos: "o classificador pode deixar passar uma ação irreversível". O classificador é a peça que decide quais ações precisam de autorização. A frase confessa que a trava existe, mas não é infalível.
Quanto custa
Código aberto não quer dizer custo zero. Para rodar o fastbrowse por conta própria é preciso uma chave de acesso para o Jev, outra para o modelo de linguagem e um navegador, e o Chrome do próprio computador serve. Numa demonstração gravada em uma loja online, o agente deu 37 passos em cerca de quatro minutos e gastou US$ 0,29 com os modelos.
Há também uma versão hospedada, que dispensa instalação:
| Plano | Preço mensal | Execuções incluídas | Execuções simultâneas | Histórico |
|---|---|---|---|---|
| Gratuito | US$ 0 | US$ 2 | 1 | 7 dias |
| Starter | US$ 29 | US$ 35 | 5 | 30 dias |
A cobrança tem uma regra que convém conhecer: paga-se mesmo quando o agente esbarra numa tela de login ou numa verificação antirrobô. Erros do próprio agente, quedas do fornecedor e execuções canceladas não são cobrados.
Para quem programa, o fastbrowse se conecta a assistentes como Claude Code, Cursor e Codex, que passam a entregar a ele as tarefas em sites.
O fastbrowse chega com uma boa ideia e uma propaganda apressada. A ideia de só clicar no que existe e mostrar de onde tirou cada frase ataca o defeito mais caro dos agentes, que é inventar. A propaganda escolheu a tarefa que a favorecia. O preço baixo aparece em todos os números da casa. A velocidade, por enquanto, vale para uma tarefa só.


