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    Moonshot lança Kimi K3.1 Pro, mais barato que o K3, e a variante Highspeed

    O novo modelo da Moonshot custa menos que o antecessor e aparece em 4º lugar em ranking independente. A versão Highspeed é mais rápida e custa o dobro, e os pesos abertos estão prometidos para 4 de novembro.

    Técnico encaixa um servidor em um rack compacto de escritório pequeno, iluminado por luz fria da manhã, com cabos e equipamentos de rede ao redor
    Pesos abertos do Kimi K3.1 Pro, prometidos para 4 de novembro, devem permitir que empresas rodem o modelo em servidores próprios
    Neste artigo

    A Moonshot AI lançou nesta sexta-feira (23) o Kimi K3.1 Pro, que apresenta como seu modelo de pesos abertos mais capaz até hoje. Junto veio uma variante chamada Highspeed, que segundo a empresa responde de 2 a 3 vezes mais rápido. Os dois já funcionam no Kimi (abre em nova aba), no Kimi Work, no Kimi Code e na API. Para quem paga a conta, o detalhe que mais importa é outro: o modelo novo custa menos que o antigo.

    O K3.1 Pro é uma versão do Kimi K3 com treinamento adicional. O K3 saiu em julho, segundo o SiliconANGLE. O novo modelo tem 2,8 trilhões de parâmetros, mas usa só 104 bilhões a cada resposta. Ele também consegue ler até 1 milhão de tokens de uma vez, um volume de texto do tamanho de vários livros. "Pesos abertos" quer dizer que a Moonshot vai liberar o arquivo do modelo para qualquer pessoa baixar e rodar no próprio servidor. Com modelos fechados como o Claude Opus 5.5, isso não é possível. A promessa tem data marcada: até 4 de novembro. Até lá, o K3.1 Pro é só mais uma API.

    No anúncio oficial, a conta do Kimi no X foi além dos rankings e prometeu tarefas bem concretas, de jogos completos a modelagem 3D:

    Malha 3D de personagem de videogame projetada em uma grande parede de estúdio, com desenvolvedores conversando ao redor sob luz suave da tarde
    Estúdios independentes estão entre os usuários que podem se beneficiar de modelos mais baratos e rápidos, como o Kimi K3.1 Pro e sua variante Highspeed.

    Apresentamos o Kimi K3.1 Pro: nosso modelo de pesos abertos mais capaz da classe de 3T. 🔹 Contexto de 1 milhão de tokens, 2,8T de parâmetros totais / 104B ativos (MoE), multimodal. 🔹 Programação de projetos inteiros: jogos em Unreal, Unity e Godot. 🔹 Destaca-se em modelagem 3D paramétrica no Blender e em CAD. 🔹 Mais confiável no trabalho com finanças: modelagem precisa, com alucinação 65% menor. 🔹 Equipara-se aos modelos proprietários mais fortes em benchmarks de programação, agentes e conhecimento. O Kimi K3.1 Pro e o K3.1 Pro Highspeed (2 a 3× mais rápido) já estão no ar no Kimi.ai, no Kimi Work, no Kimi Code e na API do Kimi. Pesos abertos até 4 de novembro de 2026.

    — Kimi.ai (@Kimi_Moonshot), 23 de out. de 2026, no X

    Vale guardar a frase "alucinação 65% menor". Ela volta mais adiante.

    Mais barato que o antecessor

    A tabela oficial de preços (abre em nova aba) cobra por milhão de tokens, sem impostos. "Entrada" é o que você envia ao modelo. "Saída" é o que ele escreve de volta.

    ModeloEntradaSaídaEntrada em cache
    Kimi K3.1 ProUS$ 2,00US$ 10,00US$ 0,20
    Kimi K3.1 Pro HighspeedUS$ 4,00US$ 20,00US$ 0,20
    Kimi K3US$ 3,00US$ 15,00US$ 0,30

    O "cache" é um desconto automático para texto repetido. Se você reenvia o mesmo começo de conversa, como um contrato longo que serve de base para várias perguntas, essa parte sai 90% mais barata. Por padrão, o cache vale por 5 minutos. A cobrança é por uso, sem assinatura, e separada da assinatura do app Kimi. Para liberar o modelo principal na API, é preciso colocar pelo menos US$ 1 de crédito. Não há preço específico para o Brasil: o imposto é calculado no pagamento, conforme o país.

    O preço por token caiu, mas o modelo escreve mais. A Artificial Analysis (abre em nova aba), que testa modelos de forma independente, contou 55 mil tokens de saída por tarefa no seu índice, contra 48 mil do K3. O custo ficou em torno de US$ 2 por tarefa. Parte da economia vai embora nessa conversa extra.

    Highspeed: o dobro do preço para não esperar

    A versão Highspeed existe por um motivo simples: o K3.1 Pro é lento. A Artificial Analysis mediu 77,1 tokens por segundo, o que o coloca em 102º lugar entre 186 modelos. Na página do Kimi como fornecedor, o mesmo site aponta cerca de 126 tokens por segundo para a Highspeed, com a mesma nota de inteligência. Esse número, porém, aparece com o rótulo de estimativa, e a avaliação independente ainda não saiu.

    Na prática, os dois têm o mesmo cérebro, mas a Highspeed responde mais rápido e custa o dobro. Para quem usa no dia a dia, a versão normal resolve. A Highspeed só se paga quando a espera custa dinheiro, como num atendimento ao cliente ou num agente que encadeia dezenas de etapas.

    Quão bom ele é, de verdade

    No Índice de Inteligência da Artificial Analysis, o K3.1 Pro marcou 55 pontos, 11 acima do K3. Ficou em 4º lugar entre 215 modelos, atrás do Claude Opus 5.5 (58), do Claude Sonnet 5.5 (56) e do Muse Wonder Full (56). Quando os pesos forem publicados, ele passa a ser o modelo aberto mais bem avaliado. A distância para o líder fechado cai de 12 para 3 pontos, segundo a medição.

    O Terminal-Bench 4.0 testa se a IA consegue programar e operar um computador sozinha. Nele, aconteceu algo raro: a empresa se vendeu por menos do que entregou. A Moonshot divulgou 65,7%, logo atrás dos 66,4% do Opus 5.5, usando o modelo no esforço máximo de raciocínio. A Artificial Analysis mediu 67%, o melhor resultado da sua lista naquele teste. O K3 tinha feito 13%.

    O número de alucinação não fecha

    "Alucinação" é quando a IA afirma com confiança algo falso. Os "65% menos" do anúncio saem de testes internos, e a própria Moonshot não consegue repetir o mesmo número em duas páginas. No blog técnico (abre em nova aba), a taxa cai de 23,4% para 8,3%. Na página de início rápido da API (abre em nova aba), aparece outro teste interno, com queda de 23,35% para 6,85%. Essa mesma página ainda exibia marcadores como "[xx.x%]" no lugar de notas de desempenho. A empresa avisa, nas duas páginas, que se trata de um teste de estresse e que os números não representam a taxa de erro no uso diário.

    A medição independente é mais modesta. Na Artificial Analysis, a taxa de alucinação caiu de 53% para 44%, e a precisão subiu de 48% para 51%. A melhora existe, mas o tamanho dela depende de quem mede. Para checar fatos, a referência deve ser o número de fora.

    Quem usa o K2 precisa se mexer

    O lançamento traz também um prazo. A partir de 31 de outubro, quem criar conta nova não terá mais acesso aos modelos da série K2. Até o fim de dezembro de 2026, todos eles serão aposentados. Quem montou algum serviço sobre o K2 precisa planejar a troca agora, e o K3.1 Pro sai mais barato que o K3.

    A Moonshot entregou um modelo quase no topo, mais barato que o próprio antecessor, com documentação que ainda tem cara de rascunho. A parte que justifica o barulho, os pesos abertos, ainda não chegou. Se chegar em 4 de novembro, o recado para os laboratórios de modelos fechados fica difícil de ignorar: a vantagem deles caiu para três pontos.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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