A MiniMax (abre em nova aba), startup chinesa de inteligência artificial com ações negociadas na bolsa de Hong Kong, lançou na segunda-feira, 19 de outubro, o M3.1 Flash. O modelo foi feito para agentes, programas que executam tarefas em várias etapas, como escrever e corrigir código ou operar um computador, em vez de apenas responder perguntas. Segundo a empresa, ele responde quase três vezes mais rápido que o antecessor, e o custo de uso em tarefas de agente caiu 70%.
O dado mais curioso do lançamento não está nas promessas. O modelo já trabalhava havia dias, com outro nome e sem dono declarado.
O coelho anônimo
O nome era Space Bunny. Segundo a MiniMax, era uma versão preliminar do M3.1 Flash. Enquanto circulou anonimamente, processou mais de 200 trilhões de tokens. Token é a unidade com que esses sistemas medem texto, algo como pedaços de palavras. Quem usava o Space Bunny não sabia de onde ele vinha. Ao site SiliconANGLE, a empresa confirmou a autoria.

O agradecimento público da MiniMax sugere que o coelho circulava pelo OpenRouter (abre em nova aba), serviço pelo qual desenvolvedores acessam modelos de várias empresas. A conta oficial da companhia agradeceu a discrição da plataforma e acrescentou um número que transforma o anonimato em argumento de venda: dez dias seguidos em primeiro lugar.
Obrigado por guardar o segredo, @OpenRouter 🤫🐰 E obrigado a cada desenvolvedor que manteve o Space Bunny em 1º lugar por 10 dias seguidos 🏆 Vocês estavam usando a versão preliminar. Esperem até experimentar esta: o M3.1 Flash final está no ar e gratuito no OpenRouter por 72h!
Esse teste às cegas diz mais que qualquer tabela de pontuação. As provas técnicas são escolhidas e divulgadas por quem vende o produto. Os desenvolvedores que puseram o Space Bunny no topo escolheram o modelo sem conhecer a marca. Há uma ressalva: o placar dos dez dias e os 200 trilhões de tokens também são números informados pela MiniMax.
Quanto custa
Na tabela em inglês, o M3.1 Flash tem preço único por milhão de tokens:
| Item | Preço por milhão de tokens |
|---|---|
| Entrada (o que o usuário envia) | US$ 0,15 |
| Saída (o que o modelo devolve) | US$ 0,60 |
| Entrada em cache (trechos repetidos que o sistema reaproveita) | US$ 0,015 |
Na versão chinesa do anúncio, os valores aparecem em yuan: 1 na entrada, 4 na saída e 0,1 no cache.
O corte de 70% pede leitura atenta. A empresa fala em custo total de uso em tarefas de agente, comparado ao do modelo anterior. Não é um desconto na etiqueta de preço. O número mede quanto custa concluir o serviço, e isso depende também de quantos tokens o modelo consome no caminho. O material divulgado não mostra a conta.
Mais rápido sem encolher
A MiniMax diz que, no uso cotidiano, o modelo passa de 200 tokens por segundo. A mediana fica estável acima de 170. Para comparar, a velocidade de leitura de um adulto fica muito abaixo disso.
O ganho não veio de um modelo menor. Segundo o SiliconANGLE, que cita o guia para desenvolvedores da fase de testes, o tamanho praticamente não mudou em relação ao M3, lançado em junho: são 428 bilhões de parâmetros. A empresa atribui a velocidade a uma arquitetura de "atenção esparsa" mais agressiva. Em termos simples, a cada passo o modelo olha só para parte do texto, o que poupa cálculo.
O resto da ficha técnica:
- aceita texto, imagem e vídeo;
- recebe pedidos de até 1 milhão de tokens;
- mantém o raciocínio sempre ligado, com cinco níveis de esforço, de Low a Max, que o usuário escolhe para regular quanto o modelo pondera antes de responder.
O que a empresa diz que ele faz
A MiniMax afirma que o M3.1 Flash dá um "salto de geração" em quatro frentes: tarefas de agente, programação, uso de computador e segurança cibernética. Para sustentar a afirmação, apresenta estas notas:
| Teste | Resultado informado pela MiniMax |
|---|---|
| BankerToolBench | 76,2 |
| DeepSWE v1.1 | 73,7% |
| OSWorld V2 | 61,7 |
| Agents' Last Exam (ALE) | 29,6 |
| CyberGym | 82% |
A empresa diz que as notas no OSWorld V2 e no ALE são as melhores entre os modelos chineses. O SiliconANGLE registra que nenhum desses resultados foi conferido de forma independente, assim como o número da concorrente DeepSeek citado na comparação do DeepSWE. A Reuters noticiou o lançamento atribuindo as melhorias ao comunicado da empresa e não reproduziu as pontuações.
O que muda para quem usa
O M3.1 Flash já está disponível na API da MiniMax, no M Plan e no MiniMax Code. No OpenRouter, a empresa anunciou uso gratuito por 72 horas a partir do dia 19. O prazo termina por volta de quinta-feira, 22.
Duas peças ficaram para depois, sem data:
- Os pesos. São o arquivo com o modelo treinado. Quando forem liberados, empresas poderão rodar o M3.1 Flash nos próprios servidores. Por enquanto, ele só funciona pela infraestrutura da MiniMax.
- A versão Pro. A empresa promete um modelo que "empurra o teto de inteligência", ou seja, mais capaz que o Flash.
Para os clientes atuais, a novidade mais concreta está na página de documentação. Os modelos M2.5 e M2.7 saem de cena. Quem assina o M Plan ou o Token Plan já foi transferido: desde 19 de outubro, todos os pedidos feitos a esses modelos dentro dos planos vão automaticamente para o M3.1 Flash. Os nomes antigos continuam aceitos, e a franquia de uso não muda. Na prática, quem montou um produto sobre o M2.5 ou o M2.7 já está usando outro modelo sem ter alterado nada. Vale conferir se as respostas continuam servindo.
Das credenciais que a MiniMax apresentou, a mais convincente é a do Space Bunny, porque veio de usuários que escolheram o modelo sem saber de quem era. Mesmo essa, porém, chegou ao público pela boca da própria empresa. Até agora, nenhum teste independente confirmou as notas do M3.1 Flash.


