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    Midwing dá a agents de código acesso a APIs com tokens guardados no keychain do sistema

    Ferramenta gratuita de código aberto combina aplicativo de desktop e linha de comando para que agents de programação consultem APIs sem receber as chaves de acesso, mantidas no cofre de credenciais do sistema operacional. Versão inicial roda no macOS, aceita apenas leitura de dados e foi publicada em 6 de outubro no GitHub.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    8 de out. de 2026 · 4 min de leitura

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    Fotografia noturna em tons âmbar mostra um corredor de madeira escura com uma guicheta de atendimento fechada, de tampa de vidro fosco, pela qual uma mão anônima entrega um papel dobrado pela abertura inferior, enquanto do outro lado retorn
    A guicheta que entrega respostas sem revelar a chave: a metáfora do acesso a APIs com credenciais guardadas fora do alcance dos agents de código.

    Agents de código, os programas de inteligência artificial que executam tarefas de programação, precisam de chaves de acesso para consultar serviços na internet. A prática comum, porém, é colocar essas chaves onde não deveriam estar: coladas em prompts, guardadas em arquivos de configuração, expostas a cada tarefa.

    Midwing (abre em nova aba), publicado no GitHub em 6 de outubro, propõe outra divisão de trabalho. O agent pede os dados, mas a chave de acesso nunca chega até ele. A chave fica fora.

    Como a ferramenta funciona

    O Midwing é um pequeno aplicativo de desktop acompanhado de uma CLI, sigla em inglês para interface de linha de comando, o modo de uso em que o operador digita comandos em vez de clicar em botões. O fluxo tem três passos, descritos na página do projeto:

    Molho de chaves de latão sobre mousepad cinza em mesa de madeira escura, iluminado por luz quente de luminária, com monitor exibindo brilho azulado de terminal desfocado ao fundo à noite.
    Chaves físicas sobre a mesa evocam os tokens que ficam trancados no cofre do sistema: o agent consulta as APIs, mas nunca toca nas credenciais.
    1. No aplicativo, a pessoa conecta a conta de um serviço. Serviço, aqui, é qualquer site que oferece uma API, a interface pela qual um programa conversa com o serviço e troca dados.
    2. Ela escolhe quais endereços daquele serviço o agent está autorizado a consultar.
    3. O agent passa a pedir os dados pela CLI, com comandos como midwing get my-service /items.

    A chave de acesso, chamada de token, fica guardada no keychain do sistema operacional, o cofre de credenciais que o macOS e outros sistemas mantêm para senhas e chaves. O Midwing aceita serviços próprios com autenticação por token ou por e-mail e senha. No caso de e-mail e senha, o serviço precisa ter um endereço de login que responda em JSON, formato de texto estruturado usado para trocar dados. A senha é usada uma vez; só o token devolvido pelo serviço é guardado.

    Uma escolha de projeto faz diferença no dia a dia: o aplicativo de desktop serve só para configurar as conexões. Depois de configurar, a pessoa pode fechá-lo, e a CLI continua funcionando sozinha.

    O que o agent enxerga

    Na configuração, o Midwing gera para o agent um bloco de instruções, um prompt, que não contém credencial nenhuma. O que o agent recebe é, na prática, uma lista do que pode fazer: nome do serviço, o endereço base na internet em HTTPS, os caminhos de leitura permitidos e os parâmetros de busca aceitos.

    As respostas da CLI vêm em JSON, uma página por chamada. Ou seja, o agent não recebe acesso livre ao serviço, e sim uma porta controlada, com permissões definidas antes de qualquer tarefa.

    Apenas leitura, por enquanto

    A limitação principal é explícita na documentação: o Midwing aceita somente endpoints GET. GET é o tipo de requisição da web que apenas lê dados, sem alterar nada no serviço. Não há, nesta versão, como o agent criar, editar ou apagar informações por meio da ferramenta.

    Há outros limites de segurança. Os pedidos vão sempre para endereços fixos em HTTPS, o padrão criptografado da web. Redirecionamentos, técnica em que o servidor manda o pedido para outro endereço, estão desativados. Cada chamada expira em 30 segundos. As respostas precisam ser JSON e não podem passar de 8 MiB, unidade de tamanho de arquivo; para autenticação, o teto cai para 1 MiB. A ferramenta roda localmente, sem serviço em segundo plano nem servidor na nuvem de terceiros.

    Avisos de instalação

    A versão atual é para macOS, nos dois tipos de processador da linha atual da Apple, Apple Silicon e Intel. O download sai da página de lançamentos (abre em nova aba) como um arquivo ZIP universal, acompanhado de um roteiro de instalação que instala o aplicativo e a CLI juntos.

    Há um porém de segurança que a própria página explica. O aplicativo é assinado de forma improvisada, sem o certificado de desenvolvedor da Apple nem o processo de verificação da empresa chamado notarização. A consequência prática é que o macOS pode impedir a primeira abertura.

    No Linux, a ferramenta depende de um cofre de segredos do tipo Secret Service estar desbloqueado para funcionar.

    Projeto recém-nascido

    O repositório, sob licença MIT, uma das licenças mais permissivas de código aberto, tinha três alterações registradas e nenhuma estrela na data da publicação da versão v0.1.1. O código é construído com Go, Node.js e o framework Wails, o que sugere um desenvolvimento individual em estágio inicial.

    Mesmo pequeno, o projeto já inclui controle de versão no próprio aplicativo: ao abrir, ele verifica no GitHub se existe uma versão mais recente e repete a checagem no máximo uma vez por dia enquanto permanece aberto. A verificação consulta apenas informações públicas de lançamento, sem enviar credenciais.

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