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    Meta abre o Muse Spark Open, de 816 bilhões de parâmetros, e exige selo nos produtos

    A Meta liberou em 15 de outubro os pesos do Muse Spark Open, modelo de 816 bilhões de parâmetros voltado a programação e agentes. A licença permite uso comercial com condições, e uma avaliação independente o coloca como o modelo aberto mais forte dos EUA.

    Mão aplicando um selo adesivo na embalagem de um produto de software sobre uma bancada de expedição, iluminada por luz lateral suave
    Os pesos do Muse Spark Open, com 816 bilhões de parâmetros, foram liberados pela Meta com licença comercial condicionada, que exige identificação nos produtos derivados.
    Neste artigo

    A Meta liberou em 15 de outubro os pesos do Muse Spark Open (abre em nova aba), um modelo de inteligência artificial com 816 bilhões de parâmetros feito para programar e para executar tarefas longas de forma autônoma. Qualquer pessoa pode baixar os arquivos e rodá-los em máquinas próprias, desde que cumpra a licença da empresa. A Meta o apresenta como o modelo de pesos abertos mais capaz já lançado por um laboratório dos Estados Unidos.

    Pesos são os números que um modelo aprende durante o treinamento. Os parâmetros são esses números. Quem tem os pesos tem o modelo inteiro funcionando, e não apenas acesso a ele pela internet. Segundo a documentação da Meta, depois do download tudo roda offline e sem chave de API, o código que serviços online usam para identificar e cobrar quem os utiliza.

    O modelo não é inédito. É a versão aberta do Muse Spark, que a Meta mantinha fechado, e as datas desse antecedente divergem: o site SiliconANGLE situa a estreia em abril, enquanto o blog do PyTorch (abre em nova aba) cita o lançamento de agosto como ponto de partida. O PyTorch acrescenta que a versão aberta compartilha o modelo-base do Muse Spark 1.3 e recebeu treinamento extra de segurança, para resistir a usos indevidos mesmo sem as proteções que cercam um sistema rodando nos servidores da empresa. A Meta afirma que o modelo cumpriu os critérios de liberação do seu Meta Superintelligence Scaling Framework. Os resultados detalhados estão na ficha técnica; o relatório completo de avaliação foi prometido para breve.

    816 bilhões no total, 42 bilhões por vez

    O número grande engana um pouco. O modelo usa apenas 42 bilhões de parâmetros de cada vez, graças a uma arquitetura chamada mistura de especialistas (MoE, na sigla em inglês). Ele é dividido em 256 "especialistas" e, a cada token, escolhe 8 deles para trabalhar. Token é o pedaço de texto que o modelo processa, em geral um fragmento de palavra.

    Funciona como uma clínica com 256 médicos em que cada paciente passa por oito. O atendimento anda mais rápido. O prédio continua do mesmo tamanho: todos os 816 bilhões de parâmetros precisam estar carregados na memória, e os especialistas concentram cerca de 97% deles, segundo a análise técnica do Hugging Face (abre em nova aba).

    A janela de contexto, o volume de material que o modelo consegue considerar de uma só vez, chega a 1 milhão de tokens. O modelo aceita texto, imagem, vídeo e áudio como entrada, mas responde só em texto. A ficha técnica informa treinamento com dados de mais de 100 idiomas.

    O foco declarado é o trabalho de agente: a IA que não apenas responde, mas executa sequências de passos, como editar arquivos, rodar comandos, testar e corrigir. A Meta diz que o modelo se destaca em tarefas de longa duração, engenharia de software complexa e raciocínio em várias etapas. De acordo com o Hugging Face, a empresa descreve um treino baseado em fluxos reais de desenvolvedores, como reorganizar código espalhado por vários arquivos e longas sessões de caça a erros.

    Uso comercial liberado, com selo e teto

    A licença, chamada Muse Model License, está publicada no repositório do modelo no Hugging Face (abre em nova aba). A Meta define seus termos comerciais como "limitados". O texto permite, sem cobrança, usar, copiar, modificar, ajustar o modelo com novos dados (o chamado fine-tuning), destilar, combiná-lo com outros modelos, distribuir e vender cópias. As condições são três:

    • incluir o aviso de direitos autorais, a licença e a política de uso em qualquer cópia;
    • exibir com destaque a frase "Built with Muse Spark Open" ("feito com Muse Spark Open") na interface de cada produto que use o modelo ou derivados dele, ou então na documentação, no site ou nas configurações;
    • quem oferece o modelo como serviço hospedado, vendendo acesso a ele, e passa de US$ 20 milhões de receita bruta em 12 meses consecutivos (somando empresas afiliadas) precisa avisar a Meta e assinar um acordo separado.

    A cláusula dos US$ 20 milhões não alcança uso interno, pesquisa nem empresas que usam o modelo para alimentar funções do próprio produto. Numa situação hipotética, uma loja virtual que coloque o modelo no atendimento do seu site fica de fora; um fornecedor que revenda o acesso ao modelo entra na regra. A Meta não reivindica propriedade sobre o que o modelo gera.

    A política de uso, também datada de 15 de outubro, diz que o modelo não se destina a menores de 18 anos. Ela proíbe aplicações militares e de guerra, na indústria nuclear, com materiais controlados pelo ITAR (regulamento americano sobre exportação de armamentos) e em infraestrutura crítica, e veta apresentar como humano um conteúdo produzido pelo modelo.

    A tabela da Meta e uma régua externa

    Os números de desempenho vêm de dois lugares. O primeiro é a tabela da própria Meta. Nela, segundo o SiliconANGLE, o Muse Spark Open marca 61,8 no JobBench, contra 31,1 do Inkling, da Thinking Machines Lab, e 27,2 do Nemotron 3 Ultra, da NVIDIA. No MCP-Atlas, teste ligado ao MCP, padrão que conecta modelos de IA a ferramentas externas, faz 89,2 e supera todos os concorrentes listados.

    Na própria vitrine há um tropeço. No Terminal-Bench 2.1, que mede tarefas feitas no terminal, a tela de comandos em texto usada por programadores, o modelo tem 76,4; o Kimi K3 aparece com 85, e GLM 5.3 e Qwen3.8 também ficam acima. O título de "mais capaz" carrega um recorte geográfico. E a tabela foi montada por quem lançou o modelo.

    A segunda régua é externa. A Artificial Analysis, organização que avalia modelos de IA com baterias padronizadas de testes, deu 39 pontos ao Muse Spark Open no seu Índice de Inteligência. A entidade informou que a Meta lhe deu acesso antecipado para os testes. O 39 que aparece na tabela da Meta é essa mesma medição, citada nos dois lugares.

    A Meta lançou o Muse Spark Open, um modelo de pesos abertos de 816B (42B ativos) que marca 39 no Artificial Analysis Intelligence Index, o que faz dele o modelo de pesos abertos número 1 dos EUA

    — Artificial Analysis (@ArtificialAnlys), 16 de out. de 2026, no X

    Pela mesma avaliação, o modelo fica 22 pontos acima do Muse Glimmer, modelo aberto de 30 bilhões de parâmetros que a Meta lançou em agosto, e à frente do recém-lançado Nemotron 3.5 Super VL, da NVIDIA, com 26. O Glimmer é denso: todos os seus parâmetros trabalham em todo token, sem divisão em especialistas.

    Índice de Inteligência da Artificial Analysis: Muse Spark Open e comparáveis
    Unidade: pontos no índice. Escala a partir de zero.
    IndicadorValor (pontos no índice)
    Muse Wonder Full (max)56
    Muse Wonder (max)52
    Muse Spark 1.2 (xhigh)40
    Muse Spark Open (xhigh)39
    Nemotron 3.5 Super VL26
    Muse Glimmer (high)17

    Fonte: Artificial Analysis, publicação de 16/10/2026; nível de esforço de raciocínio entre parênteses (abre em nova aba)

    O gráfico também mostra um limite. Dentro da família da Meta, a versão aberta fica a um ponto do Muse Spark 1.2, o principal modelo da empresa em agosto, e bem atrás do Muse Wonder e do Muse Wonder Full. Na comparação com o Spark 1.2, a Artificial Analysis aponta vantagem do modelo aberto em automação (AutomationBench-AA) e uma taxa menor de alucinação, isto é, de informação inventada. Ele perde em GDPval-AA v2.1, CritPt e na precisão do AA-Omniscience. Os rótulos entre parênteses indicam quanto esforço de raciocínio o modelo usou; no Muse Spark Open, o padrão é o nível mais alto, "xhigh".

    Gratuito para baixar, pesado para rodar

    Os pesos estão no Hugging Face e nos catálogos da Amazon (SageMaker AI), do Google (Cloud Model Garden) e da Microsoft (Foundry Models). Há duas versões, que diferem na precisão com que cada número é guardado. A BF16 usa 16 bits por número e serve de referência. A NVFP4 grava a maior parte em 4 bits e mantém algumas camadas em BF16, o que reduz o espaço dos pesos a cerca de um terço, segundo a documentação da Meta (abre em nova aba).

    VersãoTamanho dos arquivosMemória de GPU mínima (ficha técnica)Configuração sugerida pela Meta
    BF16cerca de 1,65 TB (Meta); cerca de 1,5 TB (Hugging Face)2 TB8 GPUs NVIDIA B300
    NVFP4cerca de 537 GB700 GB4 GPUs NVIDIA B300

    As receitas variam com o equipamento. O Hugging Face descreve a BF16 distribuída por 32 GPUs H200, em quatro servidores, e a NVFP4 num único servidor com GPUs B200, versão pensada especificamente para a geração Blackwell da NVIDIA. A Meta lembra que a quantidade de placas depende da memória de cada uma, da conexão entre elas, do tamanho do contexto e do software. Os arquivos também não contam tudo: a memória que guarda a conversa em andamento, o chamado cache KV, consome cerca de 250 KB por token na BF16, o que soma uns 266 GB para um contexto completo de 1 milhão de tokens.

    A Meta afirma que este é o primeiro modelo da categoria a rodar "no seu desktop". O desktop em questão são dois computadores Mac Studio com chip M5 Ultra, usando o MLX, ferramenta da Apple para rodar modelos, cada um com até 512 GB de memória acessível ao processador gráfico. Uma mesa bem equipada. Qual versão dos pesos cabe nesse arranjo, o anúncio não diz.

    Quem não quer cuidar de máquinas pode usar o modelo hospedado. Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI oferecem acesso desde o lançamento, por API, a interface pela qual um programa conversa com um serviço online. Para quem instala por conta própria, o modelo funciona em programas como SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Transformers, llama.cpp e Unsloth, com otimizações para chips AMD, Apple, Intel e NVIDIA. O TorchTitan, ferramenta de treinamento do ecossistema PyTorch, ganhou suporte para adaptar o modelo com ajuste fino e aprendizado por reforço.

    Sobre velocidade, quem fala é o fornecedor do hardware. A NVIDIA (abre em nova aba) diz que o modelo foi treinado nos seus sistemas GB300 NVL72 e que, rodando tarefas de agente nessa plataforma, chega a 50 mil tokens por segundo por GPU e a 600 tokens por segundo por usuário. A legenda de um gráfico da própria empresa atribui o resultado a quatro GPUs Blackwell com decodificação especulativa, técnica que propõe vários tokens de uma vez para o modelo apenas confirmar.

    A Meta também distribuiu kernels Helion, pequenos programas que executam as contas dentro da GPU. Em operações isoladas, eles aceleram o trabalho entre 1,03 e 3,95 vezes em placas NVIDIA e AMD. No percurso completo, medido numa AMD MI350, o ganho declarado é de 3%.

    Baixar não custa nada. Ligar é outra conversa.

    Perguntas frequentes

    O Muse Spark Open pode ser usado em produtos comerciais?

    Sim. A licença permite usar e vender sem taxa, desde que o produto exiba o selo "Built with Muse Spark Open" e inclua a licença e a política de uso. Só quem vende o modelo como serviço hospedado e passa de US$ 20 milhões de receita bruta em 12 meses precisa de acordo separado com a Meta. Usos militares e em infraestrutura crítica são proibidos.

    Dá para rodar o modelo em um computador pessoal?

    Segundo a Meta, ele roda em dois Mac Studio com chip M5 Ultra usando o MLX. Fora desse arranjo, a ficha técnica pede pelo menos 700 GB de memória de GPU na versão NVFP4 e 2 TB na BF16, e as configurações sugeridas usam várias GPUs de servidor.

    O modelo entende imagens, vídeo e áudio?

    Sim, como entrada. O Muse Spark Open recebe texto, imagem, vídeo e áudio, mas responde apenas em texto.

    O Muse Spark Open é o modelo mais forte da Meta?

    Não. No índice da Artificial Analysis, ele marca 39, um ponto abaixo do Muse Spark 1.2 e bem atrás do Muse Wonder (52) e do Muse Wonder Full (56). Entre os modelos de pesos abertos dos EUA avaliados pela organização, aparece em primeiro lugar.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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