A Krea (abre em nova aba) lançou na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, o Krea 3, um modelo de edição de imagem que a empresa descreve como capaz de aplicar edições com resolução 2K nativa em menos de 8 segundos, ao custo de US$ 0,06 por imagem, aceitando até 6 imagens de referência. O anúncio oficial foi publicado no blog da companhia às 15h no horário UTC, o que equivale a meio-dia no horário de Brasília.
Um modelo que edita, não só cria
Para quem acompanha inteligência artificial só de longe, a diferença importa. Os modelos de geração conhecidos pelo grande público partem de uma frase escrita e criam uma imagem do zero. O Krea 3 trabalha ao contrário: ele recebe uma imagem que já existe e altera o que nela aparece. Trocar um fundo, ajustar um objeto, aplicar o estilo de outra foto. A empresa chama isso de "edição nativa", ou seja, a alteração acontece já na resolução final da imagem, sem um reprocessamento depois que degradaria o resultado.
A resolução 2K, nessa escala, significa imagens com cerca de 2.000 pontos na direção horizontal, um padrão alto para serviços desse tipo. Quem já exportou uma foto editada e se decepcionou com o resultado borrado ao ampliar entende por que o detalhe aparece no topo da lista de promessas.

O modelo aceita ainda até 6 imagens de referência. No vocabulário dessas ferramentas, uma imagem de referência é um exemplo que o usuário mostra ao modelo para orientar a edição: uma foto do produto que deve aparecer na cena, um desenho que define o estilo, uma textura que precisa ser reproduzida. Com 6 referências, dá para combinar várias dessas indicações numa mesma alteração.
Os números prometidos e o que está efetivamente comprovado
Vale separar duas coisas que costumam se misturar em lançamentos desse tipo. Os três números centrais, menos de 8 segundos por edição, US$ 0,06 por imagem em 2K e o limite de 6 referências, vêm do anúncio da própria Krea. Veículos que replicaram a notícia no mesmo dia repetiram esses dados sem medir por conta própria a velocidade ou a qualidade das edições. Nenhum teste independente de desempenho acompanhou o lançamento.
Isso não significa que os números estejam errados. Significa que, até agora, quem atesta o desempenho é o vendedor do produto. A experiência real tende a variar com o tamanho da imagem, o tipo de edição e a fila de uso no momento do pedido, condições que um anúncio de lançamento não precisa revelar.
A Civitai (abre em nova aba), plataforma conhecida por hospedar modelos e imagens geradas por inteligência artificial, também anunciou a disponibilidade do Krea 3 em seu catálogo após o lançamento. O texto publicado lá reproduz o posicionamento da Krea sobre a saída 2K e o suporte a múltiplas referências, e não traz medições próprias de latência ou qualidade.
Onde usar e como funciona o acesso
O Krea 3 está disponível de duas formas, segundo o anúncio. A primeira é direto no site da Krea, acessado pelo navegador, sem instalar nada. A segunda é por meio de APIs, os "cabos de ligação" que permitem a outros serviços pedir edições ao modelo sem que o usuário saia do programa que já está usando. Entre os provedores citados pela empresa estão fal, Together AI, Replicate e OpenRouter.
Para o usuário comum, a diferença prática é simples: pelo site, você sobe a foto e edita com os controles na tela; pela API, o recurso entra dentro de aplicativos e sistemas que decidiram incorporar o modelo. Se você edita imagens ocasionalmente, o site cobre o caso. A via da API interessa a quem constrói produtos, e o anúncio não detalhou cotas, limites de consumo ou formatos de arquivo aceitos em cada provedor.
Preço e o que o anúncio não esclarece
O valor citado é de US$ 0,06 por imagem editada em 2K, ou seja, seis centavos de dólar por cada edição. A conta em reais vai depender da cotação do dia e das taxas do cartão usado, já que o anúncio não mencionou pagamento em reais. Sobre o Brasil, o comunicado não traz informação específica: não documenta preço local, não menciona formas de pagamento aceitas no país e não declara se a interface ou a documentação existem em português. Quem quiser usar precisará navegar no material divulgado até agora, publicado em inglês.
Existe também uma diferença possível entre os dois canais de acesso. O anúncio cita um único preço, mas não esclarece se os provedores de API cobram exatamente os mesmos US$ 0,06 ou adicionam suas próprias margens. Essa verificação cabe a quem pretende consumir o modelo em volume, e é um dos pontos que só tendem a ficar claros com o uso.
Há um contraste curioso no tamanho desses números. Se você já passou vinte minutos clonando uma mancha do chão numa foto de aniversário, imagem por imagem, ferramenta por ferramenta, a ideia de uma edição em 2K pronta em menos de 8 segundos soa quase deslocada do cotidiano. É um cenário hipotético, mas serve para medir a distância entre o ritmo manual a que se está acostumado e o ritmo que esses modelos prometem cobrar por centavos.
O lançamento se soma a um movimento mais amplo, em que a edição assistida por inteligência artificial deixa de ser recurso de profissionais especializados e passa a ser cobrado como commodity, ao preço de uma bala por imagem. A disputa que fica, para o usuário, não é só de qualidade: é saber quantas tentativas cada ferramenta exige até a edição sair como esperado, porque é aí que os centavos se multiplicam.
Perguntas frequentes
O que é o Krea 3?
É um modelo de edição de imagem anunciado pela Krea em 15 de outubro de 2026. Diferente dos modelos que criam imagens do zero, ele recebe uma imagem existente e aplica alterações nela, com resolução 2K nativa segundo o anúncio oficial.
Quanto custa usar o Krea 3?
O preço citado pela Krea é de US$ 0,06 por imagem editada em 2K. O anúncio não menciona valor em reais, nem se os provedores de API cobram exatamente o mesmo preço.
Onde o Krea 3 está disponível?
Segundo a empresa, no site krea.ai e por APIs de provedores como fal, Together AI, Replicate e OpenRouter. O modelo também aparece no catálogo da plataforma Civitai após o lançamento.
O Krea 3 funciona em português?
O anúncio oficial não menciona interface ou suporte em português, e não documenta condições específicas para usuários brasileiros, como formas de pagamento locais.


