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    NotíciaSociedade e regulação

    Juiz arquiva ação de abuso da irmã de Sam Altman após ela faltar a três perícias

    Um juiz federal do Missouri encerrou de forma definitiva a ação de Ann Altman contra o irmão, CEO da OpenAI, porque ela faltou três vezes a um exame médico exigido no processo. O mérito das acusações nunca foi julgado.

    Cadeira vazia de paciente em consultório médico iluminado por luz fria da manhã, com prontuário fechado sobre a maca ao fundo
    Ação de Ann Altman contra o irmão, CEO da OpenAI, foi arquivada de forma definitiva após ela faltar a três perícias médicas; o mérito das acusações não chegou a ser julgado
    Neste artigo

    O processo mais pessoal e mais desconfortável da vida de Sam Altman acabou. O desfecho, porém, foge do que costuma acontecer com uma acusação desse tamanho. O juiz federal Zachary M. Bluestone, do Distrito Leste do Missouri, nos Estados Unidos, encerrou a ação em que Ann Altman acusava o irmão de abuso sexual durante a infância. Altman é CEO da OpenAI (abre em nova aba), a empresa que criou o ChatGPT. A ordem foi assinada na segunda-feira (19) e registrada no sistema do tribunal na terça (20).

    O motivo não tem relação com o que teria ou não acontecido dentro da casa da família. Bluestone arquivou o caso porque Ann, chamada de Annie pela família e pelo próprio juiz, deixou de comparecer três vezes a um exame médico independente. Esse exame é uma espécie de perícia que faz parte da fase de coleta de provas. As faltas aconteceram mesmo depois de ela receber adaptações e ser avisada de que a ausência levaria ao fim do processo. Segundo a Forbes, o último prazo venceu em 16 de outubro.

    O texto do juiz é duro. Ele escreveu que Annie "não levou adiante seu caso de forma efetiva" e que "está claro" que ela tentou "atrasar intencionalmente" o andamento. E concluiu: "Como Annie continuou violando suas obrigações na fase de provas e forçou a paralisação deste caso com sua intransigência, o Tribunal ficou sem opções e, por isso, extingue suas alegações com prejuízo."

    Documento judicial assinado sobre uma bancada de madeira de tribunal, ao lado de três intimações para perícia médica, iluminados por luz lateral
    Ação de Ann Altman contra o irmão, CEO da OpenAI, foi extinta em definitivo após ela faltar a três perícias médicas; o mérito das acusações não chegou a ser julgado.

    O que significa "com prejuízo"

    No jargão jurídico americano, "with prejudice" indica que o arquivamento é definitivo. Segundo o The Verge, a ação não pode ser reapresentada naquele tribunal. É o desfecho mais forte que um juiz pode dar sem julgar o mérito.

    Altman também abriu mão de algo. Ele tinha movido um contra-processo acusando a irmã de fazer "declarações falsas" que mancharam sua reputação. Segundo a Bloomberg, foi ele quem pediu para retirá-lo. O juiz arquivou essa ação "sem prejuízo", o que significa que, em tese, ela poderia voltar no futuro. E o CEO não levou tudo: Bluestone negou o pedido para que Annie pagasse os honorários advocatícios e as custas do irmão.

    As acusações e a resposta da família

    A ação foi protocolada em 6 de janeiro de 2025, em St. Louis. Nela, Annie afirmava que o irmão abusou dela e a estuprou repetidamente entre 1997 e 2006, na casa da família em Clayton, no subúrbio da cidade. Segundo o relato dela, os abusos começaram quando ela tinha 3 anos e ele, 12. Ao Guardian, ela disse que os últimos episódios ocorreram quando Altman já era adulto. Ele tem hoje 41 anos.

    Altman sempre negou. Quando o processo foi aberto, ele, a mãe e os irmãos divulgaram uma nota conjunta que chamava as alegações de "totalmente falsas" e dizia que a situação causava "imensa dor" à família. Segundo a nota, Annie enfrenta problemas de saúde mental, recebe apoio financeiro mensal e tem contas e aluguel pagos pela família. O texto também afirma que as acusações dela mudaram drasticamente com o tempo. Altman disse ainda que a irmã começou a acusá-lo nas redes sociais depois que a família recusou pedidos de mais dinheiro.

    O caminho até aqui já tinha sido acidentado. Segundo a Forbes, o caso chegou a ser derrubado em março por ter sido apresentado fora do prazo de prescrição do Missouri. Em abril, o juiz permitiu que Annie o refizesse com base em outra lei, específica para abuso sexual infantil. Neste mês, o advogado Santos Perez deixou a defesa dela, com uma declaração curta: "Não estou mais autorizado a comentar este caso, mas continuo acreditando na Annie." Laura Politi, advogada atual de Annie, não respondeu de imediato aos pedidos de comentário da imprensa.

    O que essa decisão não diz

    É aqui que mora o ponto que vai se perder nas manchetes: nenhum tribunal decidiu se o abuso aconteceu. Não houve julgamento, não houve testemunhas sendo ouvidas e não houve sentença sobre os fatos. O processo parou porque a autora não cumpriu as etapas que a Justiça exige de quem acusa.

    Quem tratar isso como absolvição está vendendo mais do que o documento entrega. Quem falar em abafamento ignora que o juiz deu prazos, adaptações e avisos, e que a recusa partiu de Annie. O resultado prático é um vácuo. Altman vence na Justiça sem obter um veredito sobre os fatos, e Annie perde o caso sem que ninguém tenha declarado que ela mentiu.

    Para quem comanda uma das empresas mais observadas do setor de inteligência artificial, e que depende da confiança pública para vender seus produtos ao mundo, isso é um alívio, não um ponto final. Uma acusação dessa gravidade não desaparece com um despacho. Ao desistir do contra-processo, o próprio Altman sinaliza que preferiu não prolongar a briga.

    Há ainda um detalhe técnico que pode render novos capítulos. Pela regra local do tribunal, documentos entregues sob sigilo durante o processo só continuam protegidos se uma das partes pedir isso em até 90 dias após o encerramento definitivo. A exceção são os papéis que o juiz já tenha mantido em segredo por tempo indeterminado. A discussão sobre o que continua trancado nos autos, portanto, ainda não terminou.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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