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    Inception lança Mercury 3, modelo de difusão que gera 1.068 tokens por segundo

    A Inception lançou o Mercury 3, modelo de linguagem por difusão que, segundo a empresa, gera 1.068 tokens por segundo e supera GPT-6 Luna e Claude Haiku 5.5 na maioria dos testes de sua própria tabela. O preço de tabela é de US$ 0,20 e US$ 0,70 por milhão de tokens, cobrado pela metade no lançamento.

    Folha impressa sobre uma mesa com parágrafos inteiros surgindo simultaneamente de borrões de tinta, ao lado de uma máquina de escrever parada, sob luz lateral de estúdio
    Mercury 3, da Inception, escreve por difusão: o texto inteiro ganha forma de uma vez, em vez de palavra por palavra, e chega a 1.068 tokens por segundo, segundo a empresa
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    A Inception (abre em nova aba) pôs no mercado na segunda-feira (19) o Mercury 3, um modelo de linguagem cuja maior virtude é a pressa. Pelas medições da própria empresa, ele produz 1.068 tokens por segundo em placas da NVIDIA. Token é a moeda com que esses sistemas contam texto, algo como um pedaço de palavra. Na mesma régua, o GPT-6 Luna, da OpenAI (abre em nova aba), fica em torno de 130 tokens por segundo, e o Claude Haiku 5.5, da Anthropic (abre em nova aba), perto de 240. Quem escreve oito vezes mais depressa que o concorrente nem precisaria de propaganda. A Inception fez bastante, mesmo assim.

    Uma resposta inteira ao mesmo tempo

    A diferença está no método. Os assistentes mais conhecidos escrevem como um datilógrafo: um pedaço depois do outro, e cada pedaço espera o anterior. O Mercury 3 é um modelo de difusão, que monta a resposta em paralelo e trabalha vários trechos de uma vez. Daí vem a velocidade.

    A dúvida sobre a técnica era outra: ela continuaria funcionando em modelos grandes? A Inception diz que sim. Segundo a empresa, o Mercury 3 tem mais de 40 vezes os parâmetros do Mercury 1, sua primeira geração, e o desempenho em testes padronizados triplicou desde a versão mini daquele modelo, sem perda de velocidade. Parâmetros são, grosso modo, o tamanho do cérebro do sistema. A empresa não diz quantos são. Quarenta vezes um número desconhecido continua sendo um número desconhecido.

    Folha impressa sobre uma mesa com gráfico de barras que compara dois modelos, uma das barras cerca de três vezes mais alta que a outra, iluminada por luz lateral
    Mercury 3 gera 1.068 tokens por segundo, segundo a Inception, e supera rivais na maioria dos testes da própria empresa.

    A tabela é da casa

    A Inception afirma que o Mercury 3 supera o GPT-6 Luna e o Claude Haiku 5.5 em qualidade. Essa frase tem dois limites. O primeiro: os rivais escolhidos são as versões ligeiras e baratas da OpenAI e da Anthropic, não os modelos mais poderosos dessas empresas. A própria Inception os chama de modelos de ponta "otimizados para velocidade". O segundo: o placar sai de uma tabela montada pela Inception. Segundo o MarkTechPost (abre em nova aba), o Mercury 3 lidera em 8 de 12 testes, todos rodados em configuração média.

    Medida (tabela da Inception)Mercury 3GPT-6 LunaClaude Haiku 5.5
    Velocidade (tokens/s)1.068~130~240
    SWE-Bench Atlas51,0833,3332,26
    IFBench76,8461,8254,65
    GPQA Diamond89,2386,3684,51
    DeepSWE v146,31n/d51,62
    MRCR v275,50n/d78,40

    Quando ganha, o Mercury 3 ganha com folga. No SWE-Bench Atlas, um teste de programação, abre quase 18 pontos sobre os dois rivais. Quando perde, perde para o Haiku 5.5, num segundo teste de programação, o DeepSWE, e num teste com textos longos, o MRCR.

    A empresa também testou o modelo fora dos exames padronizados. Em seu próprio sistema de agentes, programas que navegam na internet para cumprir tarefas, o Mercury 3 enfrentou 50 tarefas reais do conjunto Mind2Web e completou metade. A Inception diz que foi "significativamente" mais do que conseguiu o GPT-6.1-Sol, com o mesmo volume de tokens e o mesmo número de passos. É uma amostra pequena, medida em casa, contra um adversário que nem aparece na tabela principal. Vale como indício, não como veredicto. Ainda assim, é nos agentes que a velocidade deixa de ser vaidade: um robô que precisa de dezenas de passos para resolver um problema paga em espera cada passo lento.

    Preço e acesso

    O Mercury 3 não é um aplicativo de conversa para baixar no celular. Ele é vendido a empresas e programadores por API, uma espécie de tomada à qual outros softwares se conectam. Não tem pesos abertos, o que significa que ninguém pode baixar o modelo e rodá-lo em computador próprio.

    O preço de tabela é de US$ 0,20 por milhão de tokens enviados ao modelo e US$ 0,70 por milhão de tokens que ele devolve. No lançamento, tudo sai pela metade: US$ 0,10 e US$ 0,35. Textos repetidos, que o sistema guarda em memória, custam 90% menos na entrada. Contas novas ganham 100 milhões de tokens grátis.

    A memória de trabalho também cresceu. O Mercury 3 aceita até 1 milhão de tokens de uma vez, quase quatro vezes os 260 mil do Mercury 2.5, e pode devolver respostas de até 131.072 tokens. Quem usa escolhe entre quatro níveis de raciocínio, do instantâneo ao alto, trocando rapidez por reflexão. O modelo trabalha só com texto, aciona ferramentas externas e entrega respostas em formatos estruturados.

    Está disponível na plataforma da Inception e também no OpenRouter (abre em nova aba), na Baseten (abre em nova aba) e na Vercel (abre em nova aba). Segue o mesmo formato de comunicação da OpenAI, de modo que quem já programa para ela muda pouca coisa para experimentar.

    A conversa sobre inteligência artificial costuma girar em torno de modelos maiores e mais caros. A Inception aposta que dá para ser maior e continuar rápido. A velocidade se confere com cronômetro, e o cronômetro dela impressiona. A inteligência depende de tabela, e a tabela, por enquanto, é da empresa. Até que outros refaçam as contas, o Mercury 3 é um aluno rapidíssimo que apresenta um boletim preenchido por ele mesmo.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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