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    NotíciaRobótica e dispositivos

    GPT-6 projetou um bichinho virtual físico em uma semana, mas errou na fábrica

    Dois funcionários da OpenAI usaram o modelo Astra para criar do zero um aparelho de mesa que conversa com agentes de código, mas o projeto precisou de correções humanas para virar um produto real.

    Protótipo de bichinho virtual de mesa aberto em uma bancada de engenharia, exibindo uma carcaça plástica retrô com tela brilhante e botão colorido, cercado por placas de circuito, fios e ferramentas de solda sob luz fria.
    Protótipo de bichinho virtual físico desenvolveu falhas no processo de fabricação e exigiu ajustes manuais para funcionar.
    Neste artigo

    Justin Lin estava cansado de abrir o notebook para sussurrar ordens ao Codex, o assistente de programação da OpenAI (abre em nova aba). Em vez de comprar um microfone melhor, o pesquisador e um colega decidiram usar o modelo GPT-6 Astra para projetar um aparelho próprio do zero em menos de uma semana. Revelado nesta terça-feira (3), o experimento paralelo gerou um protótipo físico funcional com tela pequena e botão de voz, apelidado internamente de "TamaGPT" e descrito por Lin como um bichinho de estimação de mesa para interagir com agentes de código.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​⁠

    Transformar uma ideia em um eletrônico real costuma exigir uma pequena tropa de especialistas, ainda mais porque esta foi a primeira vez que Lin tirou uma placa de circuito do papel até a montagem final. No teste, o Astra funcionou como um estúdio de engenharia completo e gerou o projeto inicial sem edições humanas diretas. O modelo definiu o visual (inspirado em brinquedos, videogames e em uma parceria com a fabricante de teclados Work Louder (abre em nova aba)), desenhou a carcaça plástica com os suportes internos, escolheu os componentes elétricos, organizou a placa de circuito impresso para caber na caixa e escreveu o código básico que conecta o botão ao sistema da empresa.

    O choque com o chão de fábrica

    Aqui é onde a mágica do Vale do Silício bate de frente com uma parede de plástico injetado. Gerar um arquivo bonito na tela do computador é muito diferente de entregar algo que uma linha de montagem consiga produzir de verdade. Quando a OpenAI enviou os arquivos do Astra para uma fábrica terceirizada, o projeto precisou passar por várias rodadas de revisão de engenharia e correções antes que um pequeno lote de protótipos ficasse pronto em menos de um mês.

    Engenheiro analisa peças plásticas arredondadas em uma bancada de fábrica com placas de circuito, paquímetro e um monitor exibindo o modelo 3D do aparelho ao fundo.
    Apesar da agilidade no design inicial, a fabricação das peças plásticas do dispositivo exigiu correções de engenheiros humanos na linha de produção.

    O motivo do retrabalho é simples: o modelo de inteligência artificial ignorou limites básicos de produção, regras de montagem e tolerâncias físicas (aquelas pequenas margens de folga essenciais para que as peças se encaixem sem quebrar ou ficar bambas). No mundo do software, se a máquina inventa uma bobagem, você solta uma atualização no dia seguinte e vida que segue. Na indústria física, um milímetro fora do lugar significa um lote inteiro de lixo eletrônico caro.

    Essa distância entre o que a IA desenha e o que a indústria consegue fabricar é o grande gargalo da engenharia assistida por computador, uma transição que acompanhamos de perto no IA.com.br. Mesmo com os tropeços na linha de produção, o apetite dentro da própria OpenAI por esse tipo de automação cresceu rápido. A empresa afirma que o uso do ChatGPT e do Codex por suas equipes de hardware e robótica aumentou 23 vezes entre fevereiro e outubro deste ano. Vale notar a esperteza na escolha da métrica: o número mede o volume de dados processados (tokens), e não um ganho comprovado de produtividade no trabalho dos engenheiros.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​⁠

    O truque do modelo secreto e a corrida industrial

    Claro que um anúncio da OpenAI não estaria completo sem a promessa de um produto misterioso e ainda não lançado para manter o mercado agitado. No teste técnico BenchCAD 2.0, que avalia a capacidade de reconstruir peças em 3D e identificar conexões em placas eletrônicas, o GPT-6 Astra em seu nível máximo de raciocínio marcou 0,594 ponto, ficando só um pouco à frente do rival Claude Opus 5.5, que tem 0,57. Para mostrar força, a empresa divulgou que um novo "modelo interno" já atinge 0,875 no mesmo exame, sem dar nenhum detalhe sobre quando ou como ele será liberado.

    Para provar que a tecnologia tem futuro fora dos projetos de estimação dos próprios funcionários, a companhia destacou que já testa essas ferramentas de engenharia no mundo real com a montadora Mazda e com a equipe de automobilismo Chip Ganassi Racing. Tudo isso prepara o terreno para a ambição maior da casa: criar seu próprio dispositivo de consumo em parceria com Jony Ive, o lendário ex-chefe de design da Apple.

    O que o experimento de uma semana deixa claro é que a inteligência artificial já funciona como um projetista júnior muito rápido, capaz de ajudar um iniciante a sair do zero até um protótipo físico em dias. Só não convém demitir os engenheiros humanos que entendem como uma fábrica funciona, a menos que o objetivo seja produzir pesos de papel muito simpáticos.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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