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    Google DeepMind, Meta e Isomorphic Labs investem US$ 300 milhões na 'célula virtual'

    Google DeepMind, Isomorphic Labs e Meta aportam US$ 300 milhões na Virtual Biology Initiative do Chan Zuckerberg Biohub, dentro de um esforço de US$ 1,8 bilhão para gerar dados biológicos que alimentem modelos de IA capazes de prever o comportamento de células.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    7 de out. de 2026 · 3 min de leitura

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    Pesquisadora de jaleco branco, luvas cinzas e touca, vista de perfil levemente de costas, maneja uma pinça fina junto à base de um microscópio crioeletrônico de aço escovado que domina o quadro pela direita. Vapor denso de nitrogênio líquid
    Em laboratório de criotomografia eletrônica, pesquisadora manipula amostra em grade dourada junto a microscópio crioeletrônico, técnica central para gerar dados de células que alimentam a 'célula virtual' — iniciativa que recebeu US$ 300 milhões de Google DeepMind, Meta e Isomorphic Labs.

    O Chan Zuckerberg Biohub (abre em nova aba) anunciou, em 7 de outubro de 2026, um aporte conjunto de US$ 300 milhões de Google DeepMind (abre em nova aba), Isomorphic Labs (abre em nova aba) e Meta (abre em nova aba). O destino é a Virtual Biology Initiative, ou Iniciativa de Biologia Virtual: o projeto que tenta construir uma "célula virtual", um modelo de inteligência artificial capaz de prever como as células vivas se comportam.

    Os US$ 300 milhões são a parcela privada de um esforço bem maior, revelado no mesmo dia. O Biohub, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) somaram compromissos de US$ 1,8 bilhão em dinheiro, dados, computação e novas tecnologias de medição. Segundo o próprio Biohub, é o maior compromisso coordenado até agora para gerar dados biológicos prontos para IA, ou seja, organizados de forma que algoritmos consigam aprender com eles.

    ParticipanteContribuição
    Google DeepMind, Isomorphic Labs e MetaUS$ 300 milhões coletivos na Virtual Biology Initiative
    Departamento de Energia (EUA)Mais de US$ 500 milhões em cinco anos, em medição laboratorial, modelagem e computação
    Institutos Nacionais de Saúde (EUA)Coordenação de bases de dados geradas com mais de US$ 500 milhões em investimentos federais anteriores
    Chan Zuckerberg BiohubUS$ 500 milhões do compromisso fundador, de abril de 2026

    O Biohub é uma organização sem fins lucrativos, descrita pela Reuters como um empreendimento filantrópico do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, e de sua esposa, a médica Priscilla Chan. A Virtual Biology Initiative foi anunciada em abril de 2026 e se apoia nos US$ 500 milhões já comprometidos pelos fundadores: US$ 400 milhões vão para novas tecnologias de medição, e US$ 100 milhões financiam pesquisas fora da instituição.

    Pesquisadora de jaleco e luvas, vista de costas, calibra um microscópio de fluorescência sobre bancada de aço escovado em laboratório de biologia em São Francisco, com tubos de amostra, ponteiras alinhadas, braço robótico de manipulação de
    Investimento de US$ 300 milhões de Google DeepMind, Meta e Isomorphic Labs na Virtual Biology Initiative financia novas tecnologias de medição celular no Chan Zuckerberg Biohub.

    Como funcionaria, na prática, uma célula virtual? A ideia central é medir como células reagem a mudanças em muito mais condições do que a ciência conseguiu estudar até hoje. Essas medições viram conjuntos de dados abertos, disponíveis para a comunidade científica mundial, que podem usá-los para treinar modelos de IA. O termo "multimodal" aparece a toda hora no projeto: significa combinar tipos diferentes de informação, como imagens tridimensionais de células e leituras moleculares, em uma mesma base. A promessa é que pesquisadores consigam perguntar e responder questões biológicas de forma digital, antes de ir para a bancada do laboratório.

    Para gerar esses dados, os US$ 400 milhões financiam instrumentos que expandem o que os biólogos conseguem enxergar. Um deles é a criotomografia eletrônica, técnica que congela amostras biológicas e produz imagens tridimensionais em resolução muito alta. Outro é a microscopia em larga escala, capaz de retratar de milhões a bilhões de células em tecido vivo. Completam o pacote ferramentas de engenharia para construir e perturbar a biologia, isto é, alterar células de propósito e registrar a resposta delas.

    As empresas de tecnologia têm interesses diretos no resultado. A Isomorphic Labs é uma startup de descoberta de medicamentos com apoio do grupo Alphabet, e seu presidente, Max Jaderberg, disse que a empresa entra como membro fundador para ajudar a construir uma base de dados multimodal gigantesca. Do lado do Google DeepMind, Pushmeet Kohli, vice-presidente de IA para Ciência, afirmou que a busca pela célula virtual não será resolvida sem dados biológicos experimentais abertos em escala sem precedentes.

    O chefe de ciência do Biohub, Alex Rives, chamou a célula virtual de um dos desafios mais importantes da próxima era da ciência. Segundo ele, os parceiros querem comprimir em cinco anos um trabalho que normalmente levaria décadas. O prazo é curto. Se o cronograma se cumprir, o primeiro conjunto de dados sai em cerca de um ano, e a expectativa é de modelos preditivos precisos em até cinco anos.

    Por ora, esses números são planos, não resultados. Nenhum modelo capaz de simular uma célula foi publicado, e a própria previsão de Rives é uma estimativa, não uma garantia. O que existe hoje é dinheiro comprometido, tecnologia sendo financiada e um alvo declarado: encurtar o desenvolvimento de medicamentos, processo que hoje leva anos, dando à IA uma base de dados biológicos que ela ainda não tem.

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    Leandro Vieira

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