O Google (abre em nova aba) liberou nesta terça-feira (13) o Gemini 4 Argon para um público muito maior do que o original, mas com uma condição evidente: por enquanto, só quem paga usa. O modelo passou a aparecer no app Gemini (abre em nova aba) para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra e, para quem tem o plano Ultra, também no Antigravity (abre em nova aba), a ferramenta de programação da empresa que trabalha com agentes.
O Argon é descrito pelo Google como seu modelo mais capaz, do tipo que os técnicos chamam de modelo de raciocínio. Em linguagem simples: antes de dar a resposta, ele produz etapas internas de "pensamento", o que costuma ajudar em problemas difíceis de programação, matemática e ciência, e em tarefas que exigem vários passos encadeados. A matéria-prima desse trabalho são os tokens, pedaços de texto, uma palavra ou parte dela, que o modelo lê e escreve por vez.
O anúncio inicial veio em 30 de setembro, com acesso restrito a um grupo de especialistas em defesa cibernética, por meio de um programa chamado Fairwind. Na ocasião, o Google disse que participava de um processo voluntário do governo dos Estados Unidos de acesso a modelos antes do lançamento e que ajustaria as salvaguardas antes de liberar o Argon a desenvolvedores, empresas e ao público, "o mais rápido possível", começando por clientes pagos da API e assinantes do Ultra. Duas semanas depois, a promessa virou lançamento.
Quem pode usar, e onde
A distribuição de hoje tem caminhos diferentes, cada um com uma regra de acesso:
- No app Gemini e no AI Mode, o modo de inteligência artificial dentro da Busca do Google, o Argon está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra.
- No Antigravity, o modelo chega ao aplicativo de computador e à CLI, a interface de linha de comando, em que o usuário opera o programa digitando comandos. Ali, o acesso é restrito ao Ultra e a assinaturas Gemini Enterprise elegíveis.
- Desenvolvedores podem usar o Argon pela API paga, a "porta" pela qual programas conversam com o modelo, no Google AI Studio (abre em nova aba) e no Android Studio.
- Empresas têm acesso pela API, pela plataforma Gemini e dentro do Antigravity em assinaturas Enterprise qualificadas.
A documentação do Antigravity (abre em nova aba) deixa um detalhe importante: dentro dessa ferramenta, o Argon aparece como indisponível nos planos gratuito (Free), Google AI Plus e Google AI Pro, e disponível apenas no Ultra e no Enterprise. Ele também não roda no Antigravity IDE, o ambiente de programação integrado da ferramenta, mas sim no Antigravity 2.0, na CLI e em extensões de IDE. A reportagem da Ars Technica acrescenta que o Google se recusou a esclarecer quando ou se o Argon chegará ao Antigravity para os outros planos, e que o Gemini 3.1 Pro, o modelo anterior, continua disponível por enquanto.
Para quem usa o Gemini sem pagar nada, a resposta do lançamento é curta. Na tabela de preços da API, a linha do plano gratuito traz uma única palavra: "indisponível". É raro ver um "não" tão direto em documento de tecnologia.
O preço da API, com prazo de validade
Segundo a página oficial de preços da API (abre em nova aba), o Argon entra com tarifas de lançamento que valem só até 30 de novembro de 2026. Depois, dobram.
| Tarifa por 1 milhão de tokens | Até 30/11/2026 | A partir de 1º/12/2026 |
|---|---|---|
| Tokens de entrada | US$ 2,00 | US$ 4,00 |
| Tokens de saída (inclui o "pensamento") | US$ 10,00 | US$ 20,00 |
| Tokens de entrada em cache | US$ 0,10 | US$ 0,20 |
O descontinho de lançamento, portanto, tem data para acabar: quem contratar a API a partir de 1º de dezembro paga o dobro em cada uma dessas linhas. A saída, vale explicar, inclui os tokens que o modelo gasta raciocinando antes de responder, e não só o texto final da resposta.
Há também um desconto automático para o que o Google chama de cache. Quando o programa reenvia material que já foi processado antes, em vez de reprocessar tudo, o Google cobra a entrada em cache com 95% de redução, de US$ 0,10 por 1 milhão de tokens no período promocional, subindo para US$ 0,20 depois. Esse desconto é implícito, aplicado automaticamente; o cache explícito, em que o desenvolvedor marca o que quer reaproveitar, não é suportado no Argon. O recurso de "fundamentação" com a Busca do Google, em que o modelo cita resultados de busca, segue indisponível no nível gratuito e, no pago, inclui 5.000 pedidos por mês grátis compartilhados entre modelos Gemini 3 e mais recentes, com cobrança de US$ 14 por 1.000 pedidos além disso.
Quanto custa assinar
Para o usuário comum, a porta de entrada é a assinatura. A Ars Technica informa que o plano Google AI Pro custa US$ 20 por mês e o Ultra parte de US$ 99. Vale uma ressalva: esses valores vêm da reportagem e não aparecem repetidos nos posts oficiais do dia 13. Um post do Google de 19 de maio, citado pela própria Ars, descrevia o Ultra a US$ 100 por mês e a redução de um plano Ultra superior de US$ 250 para US$ 200. Quem assina por aqui vai encontrar o preço na tela de pagamento, em reais, que pode variar do valor em dólar.
O que o Google afirma, e o que ninguém verificou ainda
As especificações divulgadas no site para desenvolvedores incluem uma janela de contexto de 1 milhão de tokens, a quantidade de material que o modelo consegue considerar de uma só vez, suficiente para lidar com projetos de software grandes ou documentos muito extensos sem cortar o conteúdo. O modelo também aceita gerar respostas longas de até 1 milhão de tokens e tem três níveis de "pensamento" ajustáveis: baixo, médio e alto, com o médio como padrão.
O Google afirma ainda que o Argon tem o maior limite unificado de entrada e saída do setor pela API e ocupa o primeiro lugar no Vals Index, um teste padronizado que compara modelos. Essas duas alegações são da própria empresa e não foram verificadas de forma independente nos materiais publicados. A equipe do Antigravity diz também que mais de 100 mil pessoas em empresas do grupo Alphabet já usavam o Argon por mês na versão interna da ferramenta, antes de o modelo chegar ao público. Também é uma declaração do Google.
Mudanças percebidas no app
No app do dia a dia, o Google destaca três ajustes de comportamento do Argon: ele responde de forma mais direta, com menos rodeios; evita repetir o que não precisa repetir; e dispensa clichês nas respostas. Em tarefas longas, o modelo compartilha o progresso com mais frequência, para o usuário não ficar sem saber o que está acontecendo.
Duas novidades acompanham o modelo. A interface de programação agêntica do Antigravity, aquela em que o sistema executa tarefas em várias etapas com certa autonomia, em vez de só conversar, agora está disponível dentro do app Gemini para macOS, o sistema de computadores da Apple. E um novo alternador de "conversa para tarefas" permite que o Gemini continue trabalhando em solicitações enquanto o usuário está longe do computador, nos apps do Google.
Cientistas e pesquisadores têm uma faixa própria: podem se candidatar a uma chance de usar o nível mais alto de consumo do Antigravity sem custo por seis meses, sujeito a critérios de elegibilidade, capacidade do serviço e processo de seleção, segundo o anúncio oficial.
Perguntas frequentes
Preciso pagar para usar o Gemini 4 Argon?
Sim. No app Gemini e no AI Mode da Busca, o acesso é para assinantes Google AI Pro e Ultra. No Antigravity, o Google lista o modelo apenas para assinantes Ultra e assinaturas Enterprise elegíveis. Pela API, ele existe somente no nível pago.
Quanto custa usar o Argon pela API?
Até 30 de novembro de 2026, US$ 2 por 1 milhão de tokens de entrada e US$ 10 por 1 milhão de tokens de saída, com entrada em cache a US$ 0,10. A partir de 1º de dezembro, as tarifas passam a US$ 4 e US$ 20, e o cache a US$ 0,20.
Quem usa o Gemini de graça tem acesso ao Argon?
Não. A página de preços da API marca o modelo como indisponível no nível gratuito, e a documentação do Antigravity lista o Argon como indisponível nos planos Free, Google AI Plus e Google AI Pro dentro dessa ferramenta.
O Argon substitui o Gemini 3.1 Pro?
Não por agora. Segundo a Ars Technica, o Google mantém o Gemini 3.1 Pro disponível e não esclareceu quando, ou se, o Argon chegará ao Antigravity nos demais planos de assinatura.

