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    NotíciaSegurança e privacidade

    Extensão do Claude Code adulterada na loja do Cursor tentou abrir porta dos fundos

    Uma versão falsa da extensão oficial do Claude Code ficou cerca de 11 horas na loja do Cursor e tentava dar a invasores acesso remoto aos computadores de até 5 mil usuários. Veja o que aconteceu e o que fazer.

    Pacote lacrado sobre uma esteira de entregas em um galpão iluminado por luz fria, com o lacre rompido deixando à mostra uma chave escondida dentro da embalagem
    Versão falsa da extensão do Claude Code ficou cerca de 11 horas na loja do Cursor e tentava abrir acesso remoto aos computadores de até 5 mil usuários
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    Durante cerca de 11 horas na quinta-feira (29), a extensão do Claude Code instalada pela loja do editor Cursor (abre em nova aba) recebeu uma atualização que trazia um código escondido. O Claude Code é o assistente de programação da Anthropic (abre em nova aba), e a atualização foi feita para entregar a um invasor acesso remoto e permanente ao computador. A versão adulterada, de número 2.1.313, ficou no ar entre 2h27 e 13h35 no horário do Pacífico, ou seja, entre 6h27 e 17h35 em Brasília. Segundo o Cursor, ela atingiu no máximo 5 mil usuários.

    O número é pequeno. O caminho do ataque é o que preocupa. Não houve aplicativo falso com nome parecido nem link suspeito por e-mail. Segundo o The Hacker News, a versão maliciosa foi distribuída com o mesmo identificador da extensão oficial, como uma atualização comum. O usuário seguiu o conselho básico de segurança, que é manter tudo atualizado, e foi justamente isso que o expôs.

    A culpa é de quem

    O aviso de segurança do Cursor (abre em nova aba) diz que a versão maliciosa "não foi desenvolvida pela Anthropic". Nas primeiras horas houve confusão. Alguns relatos apontaram também o Open VSX (abre em nova aba), repositório aberto de extensões que a loja do Cursor espelha. A Socket, porém, não encontrou sinal da versão 2.1.313 no Open VSX nos registros que examinou. Ax Sharma, chefe de pesquisa da Manifold Security, também contestou essa hipótese.

    Pesquisador de segurança, com o rosto fora de foco, marca com caneta vermelha linhas de registros impressos sobre uma mesa de escritório iluminada pela luz da tarde
    A versão adulterada da extensão do Claude Code ficou cerca de 11 horas disponível na loja do Cursor e podia dar acesso remoto a invasores

    A OpenSourceMalware atualizou seu relato depois de ser procurada pelo próprio Cursor. A empresa confirmou que a origem foi a sua loja, que "sofreu algum tipo de comprometimento". Na loja padrão do VS Code (abre em nova aba), mantida pela Microsoft, nenhuma versão maliciosa foi reportada.

    O que o código fazia

    Não era preciso conversar com o Claude nem clicar em nada. Segundo a StepSecurity, bastava a extensão carregar ao abrir o editor. A OpenSourceMalware descreve o truque: um trecho de 66 linhas colado antes do código legítimo. O resto do pacote funcionava como sempre, e o arquivo ficou só uns 7 KB maior que a versão anterior.

    Ao ser ativado, o código fazia o seguinte:

    • coletava o nome do computador, o usuário, o sistema operacional, o e-mail configurado no Git e o IP público;
    • colocava uma chave do invasor na lista de "chaves autorizadas" do SSH, o sistema de acesso remoto. Na prática, é como entregar uma cópia da chave de casa a um estranho;
    • tentava ligar o serviço de SSH e abrir um túnel até o servidor do atacante;
    • se reinstalava a cada inicialização do macOS e do Windows;
    • enviava tudo para o servidor do atacante sem criptografia.

    Onde o estrago pode ter parado

    O Cursor aponta dois freios. O primeiro: o servidor do atacante foi derrubado com ajuda do provedor de hospedagem e não funciona mais. O segundo: ligar o SSH exige permissão de administrador, que a extensão não tem na maioria dos computadores com macOS e Windows. Esse passo só daria certo em casos incomuns, quando o Cursor foi aberto como administrador.

    Essa tranquilidade, porém, tem limites. A Phorion afirma que a porta dos fundos mira também o Linux, sistema que o argumento do Cursor não menciona. Derrubar o servidor também não apaga o que ficou no computador, como a chave plantada e a reinstalação automática. Por isso o aviso traz scripts de limpeza, e a StepSecurity diz que é preciso agir se a versão 2.1.313 foi instalada em qualquer máquina.

    Resposta rápida, explicação pela metade

    A reação do Cursor foi rápida e mais transparente que a média do setor. A empresa:

    • removeu a versão e tirou a loja inteira do ar;
    • revisou os acessos e confirmou que nenhuma outra extensão foi alterada;
    • trocou suas chaves e reconstruiu a loja;
    • prometeu procurar diretamente cada usuário afetado.

    A Anthropic, por sua vez, publicou a versão 2.1.314 no Open VSX e na loja da Microsoft, segundo o The Hacker News.

    Falta, porém, a resposta mais importante. O aviso não explica como alguém conseguiu publicar uma versão com o identificador oficial da extensão dentro da loja do Cursor. Enquanto isso não for esclarecido, "já resolvemos" continua sendo uma promessa, e não uma explicação.

    O que fazer agora

    • Atualize a extensão para a versão 2.1.314, como pede o Cursor.
    • Quem usa o VS Code com a loja da Microsoft ou instala o Claude Code pelo pacote npm oficial pode respirar: a OpenSourceMalware lista essas versões como limpas.
    • Se você usa o computador do trabalho, avise a equipe de TI. A Phorion recomenda que as empresas procurem a versão 2.1.313 em todas as máquinas.

    O episódio deixa uma lição que vai além do Cursor. Assistentes de programação com IA estão sendo instalados por gente que nunca abriu um terminal, e essas pessoas confiam no selo de "oficial" da loja. Os atacantes já entenderam que é mais eficiente envenenar o canal confiável do que enganar o usuário. As lojas de extensões agora precisam provar que merecem essa confiança.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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