Pular para o conteúdo
    NotíciaSociedade e regulação

    EUA aceleram uso de IA em defesa nacional sob nova ordem de Trump

    A ordem determina que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, atualize em 90 dias a diretriz sobre autonomia de sistemas de armas, para garantir que qualquer uso de IA respeite a cadeia de comando

    Selo do presidente dos Estados Unidos em um púlpito diante de um fundo azul
    Foto por Sean Foster no Unsplash
    O governo de Donald Trump emitiu uma ordem executiva em 5 de junho determinando que agências civis e militares acelerem a adoção de sistemas de inteligência artificial para fins de defesa, mantendo ao mesmo tempo os princípios norte-americanos de responsabilidade e transparência. Segundo reportagem da Reuters, o memorando de segurança nacional estabelece que a Casa Branca quer usar IA em domínios de inteligência e guerra de forma alinhada aos valores do país e reforça que a tecnologia não deve servir para censura ou vigilância ilegal.

    A ordem determina que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, atualize em 90 dias a diretriz sobre autonomia de sistemas de armas, para garantir que qualquer uso de IA respeite a cadeia de comando. O texto também instrui o Departamento de Guerra a adotar soluções de múltiplos fornecedores para evitar pontos únicos de falha e impede que qualquer entidade desative sistemas de IA utilizados por militares sem aprovação prévia.

    Em comunicado público, o diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, explicou que a medida visa acelerar a adoção da IA e ao mesmo tempo atualizar as diretrizes sobre armas autônomas, garantindo que essas tecnologias sigam em linha com o avanço do estado da arte e com a segurança operacional. O memorando surge na esteira de um atrito entre o Pentágono e a startup Anthropic: após a empresa recusar o uso do modelo Claude AI em armas autônomas e sistemas de vigilância em massa, o governo incluiu a Anthropic numa lista de risco de cadeia de suprimentos.

    O texto oficial da ordem executiva, divulgado pelo site da Casa Branca, afirma que os Estados Unidos continuarão a liderar em inteligência artificial por incentivar o setor privado a inovar e adotar IA de forma responsável, sem “regulamentação excessiva”. Ao mesmo tempo, reconhece que capacidades avançadas de IA trazem desafios de segurança nacional e exige coordenação entre agências para modernizar sistemas de informação e fortalecer defesas cibernéticas. O documento estabelece prazos de até 30 dias para que diferentes secretarias priorizem a defesa cibernética, criem um “clearing house” de cibersegurança e desenvolvam um processo voluntário para que desenvolvedores forneçam modelos de fronteira ao governo por até 30 dias antes de disponibilizá-los ao público.

    Além de acelerar a inovação, Trump frisa que a IA não pode ser usada para “censurar o discurso livre ou realizar vigilância não autorizada”. Para especialistas, a mensagem política é dupla: de um lado, o presidente faz um aceno à comunidade tecnológica ao defender menos burocracia, de outro, tenta reforçar soberania frente a países concorrentes e a empresas que resistem a ceder modelos para fins militares.
    Foto de Simão Vieira de Mairins

    Simão Vieira de Mairins

    COO e co-fundador do ia.com.br

    Ver perfil completo