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    NotíciaSociedade e regulação

    Em teste na Inglaterra, IA faz laudos de obras e fiscais aprovam 70% sem editar nada

    Ferramenta criada pelo Google DeepMind com o governo britânico corta pela metade a espera por alvarás de reformas simples e chega a 15 municípios.

    Mesa de escritório com computador exibindo modelo 3D da reforma de uma casa britânica de tijolos, acompanhado de gráficos digitais e plantas baixas impressas, com uma rua residencial visível pela janela ao fundo.
    Sistema analisa projetos de reformas residenciais no Reino Unido para acelerar a emissão de alvarás pelos órgãos públicos.
    Neste artigo

    Um morador de Londres ou do interior da Inglaterra decide transformar o sótão em quarto ou puxar uma varanda envidraçada nos fundos de casa. Até poucos meses atrás, esse desejo prosaico batia num muro de papelada que levava oito semanas para ser vencido nas prefeituras. Desde junho, um teste piloto com uma ferramenta de inteligência artificial chamada PlanAssist cortou essa espera pela metade, baixando o prazo para quatro semanas. O dado mais revelador da experiência britânica, divulgada no fim de outubro, não está apenas na velocidade, mas na pontaria do programa: mais de 70% dos relatórios técnicos redigidos pela máquina foram aprovados pelos fiscais públicos sem necessidade de nenhuma edição.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​⁠

    Os departamentos de urbanismo sofrem de uma patologia clássica da administração pública. Funcionários treinados para avaliar o crescimento das cidades gastam até 70% do seu expediente analisando pedidos rotineiros de pequenas obras residenciais. São processos simples, mas que entopem a fila e atrasam o resto. Desenvolvido pelo Google DeepMind (abre em nova aba) em parceria com o governo do Reino Unido, o Google Cloud e a empresa de tecnologia Faculty, o PlanAssist usa o modelo Gemini (abre em nova aba) para limpar a mesa dos técnicos. Nos testes realizados nos conselhos municipais de Barnet, Camden e Dorset, o tempo médio que cada servidor gastava avaliando essas solicitações caiu 58%.

    O que a máquina lê antes do carimbo

    O programa não tem o poder da caneta, que continua exclusivamente na mão do funcionário público, mas entrega o processo mastigado. A operação segue quatro etapas:

    Mão de um fiscal segura uma caneta sobre uma planta arquitetônica impressa e um carimbo. Ao fundo, um monitor exibe a mesma planta com marcações verdes.
    Sistema analisa plantas e emite laudos preliminares, reduzindo o tempo de espera por alvarás de reformas no Reino Unido.
    1. Conferência de entrada: o sistema lê os formulários e as plantas arquitetônicas para garantir que o proprietário não esqueceu nenhum documento obrigatório.
    2. Filtro de patrimônio: a ferramenta cruza o endereço com restrições históricas e ambientais, verificando, por exemplo, se existe uma ordem de preservação de árvores no terreno.
    3. Leitura de regras e vizinhança: o pedido é comparado às leis urbanísticas locais e nacionais, além de passar por uma checagem de reclamações ou objeções já registradas por moradores vizinhos.
    4. Redação fundamentada: o sistema escreve a minuta do parecer técnico com todas as citações legais prontas para que o servidor revise, altere o que julgar necessário e dê a palavra final.

    Essa engrenagem silenciosa, que troca as promessas abstratas da tecnologia pelo corte real de filas em repartições públicas, está no centro das transformações práticas que o IA.com.br acompanha nos governos e no mercado.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​⁠

    A conta política de 1,5 milhão de casas

    Por trás do alívio para famílias, pequenos comerciantes e donos de pubs que precisam reformar seus imóveis, há uma urgência aritmética do governo britânico. O Ministério da Habitação, Comunidades e Governo Local, comandado por Angela Rayner, tem a meta de construir 1,5 milhão de novas moradias até 2029. Quando o corpo técnico das prefeituras fica soterrado decidindo sobre ampliações domésticas e sótãos, os grandes projetos habitacionais e de infraestrutura travam na mesma porta.

    Quem conhece a rotina das repartições sabe que colocar um computador veloz dentro de um rito burocrático lerdo só muda o engarrafamento de sala. Por isso, a expansão do PlanAssist para mais 12 autoridades locais da Inglaterra (somando 15 municípios em uma fase Beta de 12 meses) veio casada com uma mudança na regra do jogo. Desde o último sábado, 31 de outubro, um novo esquema nacional de delegação determinou que pedidos simples sejam decididos diretamente pelos técnicos de carreira, sem precisar de vaga na pauta dos comitês políticos municipais. O governo também contratou 420 novos planejadores urbanos por meio de programas oficiais, superando a promessa eleitoral de recrutar 300 profissionais.

    O movimento para destravar o solo urbano com software começa a ganhar tração fora da ilha britânica. Nos Estados Unidos, pesquisadores do Urban Institute avaliam o uso de inteligência artificial para decifrar legislações complexas de zoneamento, ajudando prefeituras a identificar onde é possível erguer moradias perto do transporte público sem expulsar os moradores atuais. A lição prática que vem da Inglaterra é simples: a máquina não substitui o juízo humano sobre como uma cidade deve crescer, mas tira do Estado a velha desculpa de que faltou tempo para ler a planta de uma reforma.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌‌​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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