O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, no discurso da vitória neste domingo (25), que pretende desenvolver uma inteligência artificial brasileira e atrair data centers para o país. Em São Paulo, após vencer o segundo turno das eleições de 2026, Lula relacionou a agenda tecnológica à ampliação do ensino de matemática e engenharia e à redução da dependência de soluções estrangeiras.
“Eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira”, declarou, conforme a íntegra do pronunciamento publicada pela Band. A fala apresentou uma prioridade para o próximo mandato, mas não trouxe um cronograma de lançamento ou um novo orçamento específico para a iniciativa.
O que está previsto para a inteligência artificial brasileira
Segundo reportagem do Estadão/TecMundo, reproduzida pelo portal IPÊ, o plano de governo prevê o desenvolvimento de modelos de linguagem voltados às necessidades do Brasil, além de uma plataforma nacional de dados para treinamento e avaliação desses sistemas.
A proposta inclui aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas, com possíveis aplicações em saúde, agronegócio e serviços financeiros. O objetivo declarado é fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver tecnologia.
Essa agenda tem antecedentes. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em 2024, prevê aproximadamente R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. Trata-se de uma previsão do plano, e não de um novo aporte anunciado no discurso da vitória.
O documento distribui os recursos entre infraestrutura, formação de profissionais, aplicações no serviço público, inovação empresarial e governança. Na versão publicada pelo ministério em 2025, a maior parcela prevista, de R$ 13,79 bilhões, está destinada à inovação nas empresas.
Energia renovável é aposta para atrair data centers
A instalação de centros de dados foi outro ponto destacado por Lula. Segundo a cobertura do Mobile Time, o presidente defendeu aproveitar o potencial brasileiro de geração de energia renovável para atrair esses empreendimentos e ampliar a capacidade de manter dados no país.
A proposta envolve contrapartidas. Conforme o Estadão/TecMundo, o plano de governo prevê que parte da capacidade computacional instalada atenda ao mercado brasileiro. O texto também estabelece preocupações com eficiência energética e impactos sobre o abastecimento de água, o sistema elétrico e as comunidades próximas aos empreendimentos.
O Brasil já tem iniciativas de infraestrutura para IA
Em agosto de 2026, a Agência Gov, em conteúdo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, informou que as ações do PBIA incluem ampliar a infraestrutura computacional, formar profissionais e desenvolver um modelo de linguagem de grande escala nacional, além de sistemas de IA em português.
Segundo a publicação oficial, a intenção é criar soluções mais adequadas ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras. A agenda também contempla mecanismos para avaliar os sistemas e tornar seus resultados mais transparentes e rastreáveis.
O que ainda precisa ser detalhado
O pronunciamento reforçou a direção política pretendida, mas deixou em aberto o formato da chamada “IA brasileira”. Lula não especificou se a proposta será apresentada ao público como uma plataforma única, um conjunto de modelos ou uma ampliação das iniciativas já previstas no PBIA. Também não anunciou uma data para disponibilização da tecnologia.
Para acompanhar a execução dessa promessa, os próximos pontos de atenção serão a definição dos projetos, os recursos efetivamente aplicados e as condições de acesso à infraestrutura. São esses elementos que permitirão avaliar como a intenção anunciada se traduzirá em ferramentas para empresas, pesquisadores e serviços públicos.


