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    NotíciaNegócios e mercado

    Dona do Google cresceu 25% e perdeu US$ 500 bilhões em valor de mercado num dia

    A Alphabet teve na quinta-feira (29) a maior queda diária de sua história: 12,64%, cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado. A receita subiu 25%, mas ficou abaixo do esperado, e os gastos com IA assustaram os investidores.

    Telão de bolsa de valores com gráficos em vermelho em primeiro plano e operadores financeiros trabalhando tensos ao fundo, sob iluminação fria.
    Queda histórica nas ações da Alphabet reflete reação negativa do mercado aos resultados trimestrais e gastos com inteligência artificial.
    Neste artigo

    Na quarta-feira (28), a Alphabet (abre em nova aba), dona do Google, informou que faturou US$ 127,6 bilhões no terceiro trimestre, 25% a mais que um ano antes. Na quinta-feira (29), suas ações caíram 12,64%, a maior queda diária da história da empresa. As ações classe A fecharam a US$ 283,82, e o valor de mercado da companhia encolheu US$ 499,8 bilhões, pelas contas do Wall Street Journal citadas pela Fox Business. A Forbes chegou a um número um pouco menor, US$ 480 bilhões. Em qualquer das contas, meio trilhão de dólares sumiu em um único pregão.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌​⁠

    Para quem não acompanha a bolsa: valor de mercado é o preço de cada ação multiplicado pelo número de ações. É quanto os investidores, naquele momento, acham que a empresa vale. Ninguém tirou dinheiro do caixa do Google na quinta-feira. O que evaporou foi parte da aposta sobre quanto a empresa vai ganhar daqui para a frente.

    Crescer 25% não bastou

    Wall Street esperava mais receita. Segundo o Indian Express, duas coisas pesaram juntas: vendas abaixo do previsto e gastos crescentes com inteligência artificial. A combinação despertou no mercado o temor sobre o futuro do negócio de anúncios no buscador do Google. Para o investidor, a equação piorou nas duas pontas. A despesa sobe, e a receita em que ele mais confiava passou a gerar dúvida.

    Analistas financeiros conversam no pregão de uma bolsa de valores diante de telas digitais que exibem gráficos em forte queda em tons de vermelho.
    Investidores reagiram negativamente aos gastos com inteligência artificial e à receita de publicidade abaixo do esperado da Alphabet.

    O Google não foi punido por ser fraco. Foi punido por não ser tão forte quanto o preço da ação prometia. Quando uma empresa é negociada como se o futuro já estivesse garantido, um trimestre apenas bom vira notícia ruim.

    Os tombos estão ficando maiores

    A Fox Business classificou a perda como a segunda maior já registrada em um único dia em toda a história do mercado de ações. O recorde continua com a Nvidia. Pelas contas do Yahoo Finance, a Alphabet precisaria ter fechado perto de US$ 274,75, com queda de cerca de 15%, para tomar o posto. Parou nove dólares antes. Mesmo assim, deixou para trás os US$ 400 bilhões que a SpaceX perdeu em 22 de junho, até então o segundo lugar.

    O calendário de 2026 conta uma história própria. Em junho, a SpaceX. Em 23 de julho, a própria Alphabet perdeu cerca de US$ 275 bilhões, o pior dia que tinha vivido até então. Em outubro, perto de US$ 500 bilhões. Em três meses, a empresa quase dobrou o próprio recorde de prejuízo em um dia.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌​⁠

    Não foi só o Google

    A Amazon (abre em nova aba) fechou a quinta-feira com queda de mais de 4%. A Intel (abre em nova aba) despencou 23% na negociação depois do fechamento do mercado. O Indian Express atribuiu a queda à instabilidade no mercado de computadores pessoais, a dificuldades na fabricação e aos gastos pesados com a expansão da produção. O Times of India falou em perspectivas fracas para os próximos meses. Somadas as perdas, o Guardian registrou que as bolsas americanas recuaram quase US$ 1 trilhão depois de balanços abaixo do esperado. O Times of India acrescentou ao quadro o pior tombo das ações chinesas desde 2016.

    A pergunta que ficou adiada

    O Times of India resumiu o enredo dos últimos anos: a inteligência artificial virou a história preferida de Wall Street. Despejavam-se bilhões em chips, erguiam-se data centers, prometia-se uma revolução e as cotações subiam. Agora, escreveu o jornal, os investidores começam a fazer uma pergunta incômoda: quando, exatamente, todo esse gasto vai começar a dar retorno?

    Não se trata de duvidar que a tecnologia funcione. Ela está sendo usada. Um estudo do Banco de España publicado na quarta-feira (28) mostra que o uso de IA entre pequenas e médias empresas espanholas dobrou desde 2024 e chegou a 30% a 35%, enquanto cerca de 70% das grandes já a utilizam. Uma parcela relevante relata ganhos de produtividade e de investimento, e o impacto sobre o emprego, até aqui, foi limitado. A dúvida do mercado é outra: quem vai faturar com essa adoção, quanto e em que prazo, a ponto de cobrir a conta das máquinas.

    Uma queda de 12,64% deixa a Alphabet com quase 90% do valor que tinha na véspera. O Google não ficou pobre. Ficou caro demais para a paciência de quem comprou suas ações. Durante anos, bastou às gigantes da tecnologia prometer. Depois desta quinta-feira, a tendência é que cada novo balanço seja lido com uma régua só: quanto voltou para o caixa de tudo o que foi gasto com inteligência artificial.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​​​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​‌‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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