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    NotíciaInfraestrutura e hardware

    Corrida por data centers de IA força a rede elétrica dos EUA a testar novas ideias

    Em painel no TechCrunch Disrupt, executivos defenderam que a pressão dos data centers de IA sobre a rede elétrica americana está destravando inovação. Um dos exemplos é a Veir, de cabos supercondutores, que acaba de captar US$ 110 milhões.

    Técnicos de capacete e colete refletivo desenrolam um cabo grosso de um grande carretel dentro de uma vala em subestação elétrica, cercados por antigas torres de transmissão metálicas sob a luz dourada do fim de tarde.
    Instalação de cabo supercondutor em subestação: pressão dos data centers sobre a rede elétrica americana abre espaço para tecnologias como as da Veir, que captou US$ 110 milhões.
    Neste artigo

    Nos Estados Unidos, a corrida da inteligência artificial saiu dos laboratórios e chegou a um lugar bem mais mundano: a rede elétrica. A multiplicação de data centers, os prédios lotados de servidores que treinam e rodam modelos de IA, provocou um salto gigantesco na demanda por energia no país. Críticos dizem que essa enxurrada de novas conexões virou um teste de estresse para uma infraestrutura envelhecida. No curto prazo, o medo é a conta de luz subir. No longo, são apagões e outras falhas técnicas.

    Num painel do TechCrunch Disrupt neste mês, três executivos defenderam uma leitura menos sombria, relatada pelo TechCrunch (abre em nova aba) na terça-feira (27). Para eles, a pressão existe, mas também está abrindo espaço para inovação numa rede que precisa dela. Antes de comprar o otimismo, convém olhar quem o vende: os três trabalham com soluções para exatamente esse problema. Isso não derruba o argumento, mas ajuda a calibrá-lo.

    Não é só a IA que pesa na rede

    Apoorv Bhargava, fundador e CEO da Weavegrid (abre em nova aba), lembrou que as distribuidoras de energia estão lidando com várias novidades ao mesmo tempo. Há a entrada das fontes renováveis e há novas cargas vindas de carros elétricos, data centers e bombas de calor, aparelhos elétricos que aquecem e resfriam ambientes. A proposta da empresa é um software que ajuda a distribuir energia com mais eficiência e a otimizar as conexões. O objetivo declarado é reduzir a conta de quem paga.

    Transformador de distribuição em poste ao lado de casas de subúrbio no fim de tarde, com um carro elétrico carregando na garagem e uma bomba de calor instalada no quintal
    Eletrificação de carros e residências se soma à demanda dos data centers e pressiona a rede elétrica dos EUA a buscar novas soluções

    O ponto dele é mais útil do que parece. Tratar os data centers como único vilão simplifica demais a história. O desafio real é uma rede antiga que precisa absorver muita demanda nova de uma vez, e a IA é apenas a parcela mais barulhenta dessa demanda.

    Cabos mais finos, mais longos e muito frios

    Tim Heidel, CEO da Veir (abre em nova aba), vende outra coisa: linhas de energia supercondutoras. Segundo a empresa, seus cabos levam energia cinco vezes mais longe que os tradicionais e ocupam 20 vezes menos espaço. No painel, Heidel disse que a escala do investimento em infraestrutura de IA está puxando a inovação. Para ele, tecnologias que estão ganhando escala podem ajudar os data centers a serem vizinhos melhores para as comunidades ao redor. A ligação com o próprio produto é evidente: se o cabo ocupa uma fração do espaço, a promessa é de uma convivência menos invasiva.

    Os investidores parecem concordar com a aposta. Em 8 de outubro, a Veir anunciou uma rodada série C de US$ 110 milhões, liderada pelas gestoras Matter Venture Partners e Tyche Partners, com participação de LG Technology Ventures, Gates Frontier, Sabanci Climate Ventures e Hui Capital. Segundo a empresa, a procura dos investidores superou o valor oferecido, e o total captado até agora chega a US$ 225 milhões.

    O dinheiro marca uma mudança de fase. A Veir diz que vai deixar a etapa de validação da tecnologia e partir para a instalação comercial e a fabricação em escala. O sistema combina os cabos supercondutores com resfriamento criogênico, isto é, temperaturas extremamente baixas, além de controles, terminais e monitoramento. "Este financiamento nos dá os recursos para passar da demonstração do potencial da transmissão supercondutora para a fabricação e a instalação de sistemas em escala comercial", afirmou Heidel no comunicado da empresa.

    A gaveta que a urgência abriu

    A fala mais reveladora do painel foi a de Kristen Eberhard, vice-presidente de políticas da Rewiring America (abre em nova aba). Para ela, o salto na demanda dos data centers criou senso de urgência e um ambiente em que os setores envolvidos estão prontos para experimentar. Isso inclui linhas de transmissão, usinas centralizadas e outras opções que tinham ficado de lado.

    Repare na lista. Linha de transmissão e usina centralizada não são exatamente novidade. Parte do que se chama de inovação aqui é simplesmente fazer, enfim, o que vinha sendo deixado na mesa. Esse é o argumento otimista mais convincente do painel: a IA trouxe para a rede elétrica dinheiro e pressa. Segundo Eberhard, foi justamente a urgência que tirou essas opções da gaveta.

    Quem fica com a conta

    O painel deixa em aberto quem colhe o benefício. Se o dinheiro da IA acelerar a modernização da rede, o resto do país pode sair ganhando. Se isso não acontecer, as famílias pagam o teste de estresse na fatura, exatamente como os críticos temem. No relato do painel, só Bhargava falou diretamente em baixar a conta do consumidor, e mesmo ele tem um software para vender.

    A tese do "lado bom" do boom é plausível, e os US$ 110 milhões da Veir mostram que há gente disposta a apostar nela. Ela só estará provada quando chegar à conta de luz de quem nunca pediu um data center no bairro.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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