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    Coreia do Sul planeja investir US$ 3,5 bi em IA para rivalizar com a China

    O governo sul-coreano propôs aplicar 4,7 trilhões de wons em participação societária para construir um modelo nacional de inteligência artificial de ponta.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    6 de out. de 2026 · 3 min de leitura

    Corredor simétrico de data center com racks metálicos pretos de alta densidade e esteiras de cabos estruturados sob piso elevado cinza.
    Infraestrutura de computação de alta capacidade prevista no plano sul-coreano para modelos avançados de inteligência artificial.

    O governo da Coreia do Sul planeja lançar uma iniciativa estatal de 4,7 trilhões de wons, o equivalente a cerca de 3,5 bilhões de dólares, voltada ao desenvolvimento de um modelo soberano de inteligência artificial de fronteira. A proposta orçamentária para 2027 prevê aportes públicos diretos em troca de participação acionária, modelo em que o Estado assume fatias do capital de uma empresa para financiar projetos de longo prazo. O objetivo declarado por autoridades sul-coreanas consiste em equiparar o país aos principais sistemas abertos desenvolvidos na China.

    Modelos de fronteira são sistemas de inteligência artificial construídos na vanguarda tecnológica global, capazes de executar tarefas intelectuais complexas e demandantes de um volume imenso de processamento. A iniciativa sul-coreana pretende mobilizar semicondutores de última geração, conjuntos amplos de dados e especialistas da indústria nacional.

    A maior fatia do recurso tem destinação fixa na infraestrutura de cálculo. O Ministério da Ciência e TIC sul-coreano reservou 3,9 trilhões de wons para a aquisição de 10.000 unidades de processamento gráfico (GPUs) do modelo Nvidia Vera Rubin. Essas placas gráficas atuam como os motores computacionais indispensáveis para treinar grandes redes neurais em prazos viáveis. A parcela restante, avaliada em 800 bilhões de wons, será voltada à compra de dados qualificados para o treinamento do novo sistema.

    Corredor de data center de grande escala com fileiras de racks metálicos pretos, módulos de servidores e cabos de fibra óptica organizados sob iluminação funcional
    Infraestrutura de computação de alta densidade voltada ao processamento e treinamento de modelos avançados.

    O plano exige contrapartida. O setor privado precisará complementar com aportes próprios o volume colocado pelos cofres públicos. Segundo o Segundo Vice-Ministro da Ciência e TIC, Ryu Je-myung, o projeto de fronteira terá início no próximo ciclo orçamentário. O governo estuda estruturar essa parceria sob a forma de uma empresa de propósito específico, reunindo os principais desenvolvedores de tecnologia do país.

    A nova estratégia divide a política tecnológica sul-coreana em duas frentes independentes. A primeira concentração de esforços reúne o capital anunciado para construir o modelo de fronteira altamente sofisticado. A segunda linha de financiamento, já em andamento desde 2025, foca a adaptação de modelos fundacionais sul-coreanos já existentes a setores da economia real, como indústria, telecomunicações e serviços corporativos.

    Ryu Je-myung justificou a separação explicando que a capacidade fornecida até o momento às empresas locais se mostrou insuficiente para disputar o topo do mercado internacional. O programa anterior garantia cerca de 1.000 GPUs de alto desempenho para cada equipe concorrente, volume pequeno quando comparado às instalações computacionais de gigantes dos Estados Unidos ou aos consórcios estatais chineses. Integrantes do governo reconhecem que o país não dispõe de capital para medir forças diretamente contra as maiores corporações norte-americanas, mas sustentam que é viável atingir o padrão dos sistemas abertos da China.

    No programa focado em aplicações industriais, consórcios e equipes liderados por LG AI Research, SK Telecom e Upstage avançaram para a terceira fase da disputa nacional. Essa concorrência interna selecionará dois finalistas no fechamento de suas etapas avaliativas. Esses dois grupos vencedores, contudo, não receberão automaticamente a injeção bilionária desenhada para a iniciativa de fronteira.

    O grande projeto de 4,7 trilhões de wons terá concorrência própria e aberta. Empresas individuais, consórcios empresariais e companhias iniciantes de base tecnológica poderão registrar propostas no certame. O ministério responsável programa a divulgação dos critérios detalhados de inscrição para os próximos dias, abrindo espaço para novas composições técnicas.

    A execução do cronograma depende de etapas legislativas em Seul. A proposta de investimento precisa receber o aval da Assembleia Nacional na votação do orçamento prevista para dezembro. Caso os parlamentares aprovem o texto sem vetos substanciais, o governo abrirá o processo de escolha competitiva no início do período legislativo seguinte, com a escolha do desenvolvedor líder estimada entre fevereiro e março de 2027.

    O plano agora aguarda a votação no parlamento.

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    Leandro Vieira

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