O uso de IA na criação de medicamentos começa a apresentar resultados em pesquisas de laboratório e tarefas administrativas. Experimentos com Claude indicam potencial para acelerar etapas do trabalho, embora ainda não comprovem novos tratamentos eficazes em humanos.
De acordo com a Anthropic, em publicação de 27 de outubro, a empresa desenvolve projetos com seis organizações do setor. As iniciativas abrangem desenho de moléculas, documentação de fabricação e planejamento de estudos clínicos.
Como a IA ajuda na criação de medicamentos?
Em um projeto com a Generate Biomedicines, pesquisadores usaram Claude Code para redesenhar parte das instruções genéticas de uma terapia CAR-T, que modifica células de defesa para combater o câncer.
Uma das versões ficou cerca de 70% menor. Nos testes de laboratório, permitiu produzir aproximadamente dez vezes mais receptores, estruturas que ajudam as células de defesa a reconhecer o câncer, segundo os resultados divulgados.
Já a Divergence Labs utilizou Claude para gerar cerca de 35 mil propostas de anticorpos em um mês, buscando caminhos para tratar alergias alimentares. Os testes iniciais identificaram candidatos para etapas posteriores da pesquisa.
Revisão de documentos ficou mais rápida
Na Enveda, o benefício apareceu na análise de registros de fabricação. Um sistema baseado em Claude foi avaliado em 1.061 páginas de quatro registros de lotes de uma mesma campanha clínica.
O processamento e a checagem humana apoiada pelos comentários da IA levaram 166 minutos, contra 1.553 minutos na revisão manual. A redução foi de aproximadamente 89% nessa tarefa específica.
O sistema também apontou sete problemas que os revisores humanos não haviam identificado. Entretanto, houve erros de leitura, e as decisões permaneceram sob responsabilidade das pessoas.
O que ainda falta comprovar?
A própria Anthropic ressalta que a maior parte dos projetos está em fase pré-clínica, anterior aos testes em humanos. Os resultados apresentados ainda não demonstram que a IA produziu medicamentos aprovados ou benefícios clínicos aos pacientes.
Para as empresas, os casos sugerem oportunidades de reduzir o tempo gasto em etapas específicas. A questão agora é verificar se esses ganhos se repetem em outros projetos e contribuem para tratamentos seguros e eficazes.

