Pular para o conteúdo
    NotíciaAgentes e automação

    Cidades ligam câmeras de rua a agentes de IA e cortam até 26% do tempo no trânsito

    Projetos apoiados pela NVIDIA usam computadores locais compartilhados e agentes autônomos para destravar o trânsito na Malásia e atender cidadãos em mais de 150 órgãos na Espanha.

    Neste artigo

    Na Malásia, conectar as câmeras de rua a agentes de inteligência artificial reduziu o tempo de viagem em corredores de tráfego nos horários de pico em até 26%. O resultado, obtido pela integradora malaia ITMAX ao combinar agentes visuais e simuladores de tráfego com tecnologias da NVIDIA (abre em nova aba), é a vitrine mais palpável de uma expansão global detalhada pela fabricante de chips nesta semana, que prevê levar o sistema asiático para mais de 17 mil câmeras até 2027.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​⁠

    Durante muito tempo, a promessa das chamadas cidades inteligentes esbarrou em um problema básico de gestão: prefeituras instalam milhares de câmeras e sensores, mas acumulam montanhas de vídeos e relatórios que nenhuma equipe humana consegue acompanhar em tempo real. Para fechar essa lacuna a partir de iniciativas apresentadas no evento GTC Berlin, a estratégia atual apoia-se em duas frentes complementares. De um lado entra a IA física, usada para criar réplicas virtuais das cidades (os gêmeos digitais) e simular o comportamento do trânsito antes de alterar o mundo real; do outro entram os agentes de IA, programas autônomos capazes de analisar imagens, conversar com moradores e acionar serviços municipais.

    A conta fecha com computadores divididos

    O aspecto mais interessante dessa nova safra de projetos urbanos não está apenas nos algoritmos, mas na mudança da arquitetura financeira e política para os governos locais. Em vez de exigir que cada secretaria municipal compre e gerencie um centro de dados milionário próprio, o modelo prioriza uma infraestrutura de computação compartilhada entre diferentes departamentos, municípios vizinhos e desenvolvedores locais. Dependendo do volume de trabalho, as equipes das prefeituras conseguem dar a partida nos serviços usando apenas estações de trabalho NVIDIA RTX ou pequenos sistemas de placas gráficas, mantendo o processamento de dados sensíveis da população sob controle direto da administração pública.

    Essa estrutura mais enxuta já está mudando a rotina de quem precisa encarar o balcão da prefeitura. Na Espanha, a empresa 1MillionBot atingiu a marca de mais de 150 implantações no país, atendendo órgãos como a Madrid Digital (na Comunidade de Madrid) e a Administração Aberta da Catalunha. O sistema combina os modelos abertos ALIA, treinados no Barcelona Supercomputing Center, com a linha Nemotron (abre em nova aba) para resolver agendamentos, procedimentos municipais e avisos de problemas no planejamento urbano.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​⁠

    Nos Estados Unidos, a abordagem sai da tela do computador e vai para os saguões de grande circulação. Na região da Baía de São Francisco, a empresa LiveX utiliza os modelos Cosmos e bibliotecas do Omniverse (abre em nova aba) para instalar anfitriões virtuais interativos em aeroportos, hospitais e eventos públicos, programados para entender demandas no idioma local, responder dúvidas e executar ações práticas. Essa passagem dos assistentes que apenas batem papo para agentes que tomam providências no mundo físico é uma das transformações que acompanhamos de perto no IA.com.br.

    Das lentes de segurança aos protocolos de emergência

    A mesma base compartilhada serve para transformar câmeras de vigilância antigas em centrais de resposta rápida:

    • Polônia: Na cidade de Wrocław, a empresa K2K utiliza recursos de busca e resumo de vídeo da plataforma Metropolis (abre em nova aba) para ler as transmissões das câmeras atuais e coordenar ações de mobilidade, segurança e atendimento a eventos na mesma infraestrutura.
    • Malásia: O projeto da ITMAX, que atingiu o corte de 26% no tempo de trânsito integrando a plataforma TeraSim da Laplace Intelligence, opera agentes batizados de SamurAI V2 em placas RTX PRO 6000 dentro de contratos de serviços gerenciados de longo prazo.
    • Espanha (Barcelona): Durante o congresso Smart City Expo World Congress 2026 nesta terça-feira, a empresa Linker Vision lançou a plataforma Linker AI Nexa, que cruza dados urbanos em tempo real diretamente com os procedimentos operacionais padrão dos governos para coordenar respostas de segurança pública e sustentabilidade.

    Para prefeitos sempre pressionados por orçamentos curtos, a possibilidade de plugar agentes autônomos em câmeras que já estão nos postes sem depender de obras faraônicas de informática é um argumento difícil de ignorar. Quando o software finalmente entrega um alívio mensurável no congestionamento das seis da tarde, a adoção deixa de ser peça de marketing governamental e vira infraestrutura básica, o que exigirá dos municípios a mesma agilidade para fiscalizar como esses novos operadores automatizados vigiam o espaço público.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​‌​​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​​​‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​‌​​​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​‌‌​​​‌​‌‌​​‌​​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    Ver perfil completo