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    CEO da Nvidia diz que perda de habilidades mentais causada por IA pode não importar

    Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, afirmou em entrevista que não vê problema na perda de habilidades intelectuais básicas entre estudantes que usam inteligência artificial, citando um estudo chinês com 26 mil alunos.

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    Fachada de prédio de tecnologia com servidores visíveis pelas janelas ao entardecer
    A Nvidia fabrica os chips que sustentam boa parte da inteligência artificial atual.

    O presidente-executivo da Nvidia (abre em nova aba), Jensen Huang, afirmou que a perda de habilidades intelectuais básicas entre estudantes que usam inteligência artificial não é, para ele, motivo de preocupação. A declaração foi feita em entrevista ao podcast Ezra Klein Show, publicada em 23 de setembro de 2026, e ganhou destaque em reportagens de 25 de setembro de 2026.

    A Nvidia fabrica os chips usados para treinar e rodar boa parte dos sistemas de inteligência artificial do mundo. Chip, nesse contexto, é um processador especializado: uma peça de computador projetada para fazer muitas contas ao mesmo tempo. Por isso, o que Huang diz costuma ser lido como um sinal do que a indústria considera aceitável.

    O que foi discutido na entrevista

    No início da conversa, o jornalista Ezra Klein citou um estudo chinês sobre o uso de IA nas escolas. A pesquisa acompanhou 26 mil estudantes que começaram a usar essas ferramentas em momentos diferentes, o que permitiu comparar diretamente o desempenho de quem teve acesso antes e de quem teve acesso depois. Segundo a descrição feita na entrevista, os alunos conseguiam terminar as tarefas mais rápido com a ajuda da IA, mas as habilidades mentais necessárias para resolver o próprio trabalho escolar foram se perdendo, e as notas em exames ficaram mais baixas no longo prazo.

    Estudantes sentados em carteiras escolares usam tablets durante uma aula, com cadernos abertos ao lado, em sala de aula com luz natural.
    Alunos usam tablets em sala de aula, com cadernos abertos ao lado, durante atividade escolar.

    Huang concordou que a capacidade cognitiva dos estudantes está piorando. Ele citou a dificuldade de fazer divisões longas, o esquecimento da tabuada e o cálculo de raízes quadradas. Em seguida, perguntou se isso importa. Quando Klein devolveu a pergunta, Huang respondeu que não acredita que importe, e disse que novas habilidades serão descobertas, ainda que não sejam essas.

    O executivo também admitiu que ele mesmo não domina tarefas simples do dia a dia. Contou que não sabe o próprio endereço, que não sabe o próprio CEP (o código postal usado nos Estados Unidos) e que não memoriza o próprio número de telefone. Disse que consegue viver com isso.

    A justificativa apresentada por Huang é de que a IA vai cuidar dos detalhes mundanos, como lembrar o endereço de casa, e que as pessoas perderão parte da destreza intelectual fina em troca de se tornarem melhores em pensamento sistêmico. Pensar de forma sistêmica, em termos simples, é enxergar como as partes de um problema se conectam e como uma mudança em um ponto afeta o resto, em vez de decorar cada etapa isolada.

    O que o executivo diz sobre riscos e responsabilidade

    Huang também rejeita o discurso de catástrofe usado por parte da indústria. Em entrevista à CBS News Sunday Morning, divulgada em 19 de setembro de 2026, ele afirmou que a chance de a IA acabar com o mundo até 2030 é de zero por cento, e classificou como sem sentido as alegações de fim do mundo. Em reportagem de 21 de setembro de 2026, a leitura registrada é de que ele atribui parte desse discurso a interesses próprios das empresas.

    Na mesma linha, ele disse que laboratórios de IA devem assumir responsabilidade pelo que criam. Se uma empresa acredita que seus modelos não podem ser contidos, a resposta, segundo ele, é não lançar o produto até ter controle, ou fechar o laboratório, porque o custo para a humanidade seria grande e as responsabilidades civis e criminais seriam enormes.

    É importante separar o que é fato do que é opinião. O estudo de 26 mil estudantes é uma pesquisa citada na conversa, com resultado descrito pelo entrevistador. A conclusão de que essa perda de habilidades não importa é uma posição pessoal de Huang, não um dado de pesquisa.

    Datas e divergências

    As datas não coincidem entre os relatos. A entrevista foi publicada em 23 de setembro de 2026. As falas sobre o fim do mundo são de 19 de setembro de 2026, em outro veículo. As reportagens que destacaram o tema das crianças saíram em 25 de setembro de 2026. Os textos dão ênfases diferentes: alguns tratam a fala como prova de descaso com o bem-estar das pessoas, outros a apresentam apenas como uma avaliação sobre habilidades que mudam de geração em geração.

    O que observar daqui para frente

    Para famílias e escolas, a discussão prática é como usar IA sem terceirizar o raciocínio. Se a ferramenta entrega a resposta antes de o estudante tentar, a etapa de esforço, que é justamente onde a habilidade se forma, pode ser pulada. O que ainda não está definido é se as habilidades apontadas como substitutas, como o pensamento sistêmico, vão de fato se desenvolver, e quem vai medir isso.

    Fontes

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