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    Brian Chesky defende novo sistema operacional para agentes de inteligência artificial

    O executivo do Airbnb avalia as limitações dos chatbots atuais e propõe sistemas integrados no nível do núcleo para viagens e serviços.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    2 de out. de 2026 · 3 min de leitura

    Smartphone apoiado sobre mesa clara de madeira exibindo tela com interface de mapas e roteiros de viagem em tons suaves
    Interfaces dedicadas ao planejamento de viagens buscam integrar serviços e superar as limitações dos assistentes virtuais convencionais.

    Em 1º de outubro de 2026, Brian Chesky apresentou uma visão sobre o futuro da computação pessoal: para funcionarem com eficiência, os agentes de inteligência artificial precisam de um sistema operacional nativo. A reflexão ocorreu no momento em que o Airbnb colocou no ar a sua nova ferramenta de busca inteligente, como parte das novidades de outono da empresa. Para o cofundador da plataforma, essa busca recente representa apenas um passo inicial em direção a uma mudança muito mais profunda no software.

    As limitações das ferramentas atuais

    Na avaliação de Chesky, o formato predominante no mercado de inteligência artificial para o consumidor comum ainda é insuficiente. Ele argumenta que caixas de texto com respostas automatizadas, conhecidas popularmente como chatbots, são muito restritas para ações complexas, como escolher acomodações, fazer compras detalhadas ou planejar passeios com amigos.

    O executivo relatou que utilizou o Airbnb por meio de assistentes existentes no mercado, como Muse e Instinct, e os resultados não foram satisfatórios. Para ele, o setor ainda não resolveu a experiência do usuário final. Chesky comparou a situação à tentativa do ChatGPT de criar uma loja própria de aplicativos no início de 2025. Na época, ele afirmou a Sam Altman que uma loja só tem sucesso se contar com um pacote completo de ferramentas de desenvolvimento e um sistema operacional de suporte, assim como a Apple fez com o iPhone. Como essa base profunda não existia, a iniciativa não atingiu os resultados esperados.

    Por que os agentes precisam de uma base própria

    Um agente de inteligência artificial pode ser entendido como um assistente autônomo. Ao contrário de um programa tradicional que apenas executa comandos diretos, o agente toma decisões e realiza etapas completas por conta própria para resolver um problema.

    Chesky aponta que a indústria desenvolve soluções de inteligência artificial para sistemas como iOS, macOS e Windows, que não foram criados originalmente para isso. Em sua visão ideal, o sistema precisaria operar diretamente no kernel, o núcleo do sistema operacional que controla os componentes mais básicos da máquina. Sem essa base profunda, os programas não conseguem trocar dados de forma fluida. O executivo entende que, enquanto empresas como Apple e Google liderarem o setor móvel, os aplicativos tradicionais continuarão no centro do uso diário, a menos que essas plataformas construam um ambiente totalmente novo.

    Placas de circuito impresso com trilhas de dados e barramentos lógicos iluminados por luz suave em bancada técnica clara.
    A integração direta de processos no nível do núcleo do sistema é apontada como essencial para a comunicação eficiente entre aplicações autônomas.

    A transformação prática do Airbnb

    Enquanto uma plataforma desse tipo não se torna realidade em todo o mercado, o Airbnb prepara sua própria arquitetura para ser amigável aos agentes autônomos. A estratégia consiste em criar pequenos assistentes especializados dentro do próprio aplicativo: um dedicado à aba de busca e exploração, outro voltado ao atendimento ao cliente e novos módulos para serviços adicionais.

    No futuro, um assistente geral, chamado por Chesky de macroagente, deverá coordenar todas essas funções. Esse núcleo poderá interagir com assistentes externos usando o MCP, sigla em inglês para um padrão técnico que permite conectar programas de inteligência artificial a softwares diversos.

    No dia 30 de setembro de 2026, véspera das declarações sobre a tecnologia, Chesky já havia adiantado novidades práticas que mostram a ampliação dos serviços e dos formatos de uso:

    Hey everyone, we made some updates based on feedback from you. We’ll keep shipping, so I’ll post more updates soon - connect with your friends to get trip ideas - AI search in your own words (this is just a baby step towards agentic AI, which is a UI coming soon) - get laundry done, rent baby gear, and more

    — Brian Chesky (@bchesky), 30 de set. de 2026, no X

    Essa atualização trouxe novas áreas de atendimento, como serviços de lavanderia e aluguel de itens infantis, além de recursos para planejar itinerários com amigos. O executivo confirmou que a voz assumirá um papel central na experiência, com agentes de voz programados para lançamento ainda neste outono.

    CaracterísticaCenário Atual dos AplicativosVisão Proposta por Brian Chesky
    Ponto de execuçãoAdaptados sobre sistemas comuns (iOS, Windows)Operação no núcleo (kernel) de um sistema próprio de inteligência artificial
    Interface com o públicoDiálogos simples em formato de chatbotControles visuais ricos, comandos por voz e planejamento em grupo
    Conexão externaProgramas fechados e isoladosIntegração aberta entre agentes usando padrões como MCP
    Arquitetura internaFunções estáticas no aplicativoMúltiplos agentes especializados coordenados por um macroagente

    A consolidação desse modelo depende tanto da chegada de novas plataformas pelas fabricantes de celulares quanto da capacidade do setor de construir interfaces mais ricas para os usuários.

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    Leandro Vieira

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