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    Bill Gates chama IA de tecnologia mais perigosa já inventada e prevê surpresas negativas

    Em entrevista ao programa State of the Union, da CNN, exibida em 11 de outubro de 2026, Bill Gates disse que a inteligência artificial é a tecnologia mais perigosa já inventada pelos humanos e previu 'surpresas negativas', sobretudo em ataques cibernéticos, nos próximos doze meses.

    Homem de terno sentado em poltrona durante entrevista ao vivo em estúdio de telejornalismo, com iluminação azul de cenário e expressão séria, espaço livre no canto inferior direito
    Em entrevista a rede de notícias, bilionário afirma que inteligência artificial é a tecnologia mais perigosa já criada e prevê surpresas negativas nos próximos doze meses
    Neste artigo

    Bill Gates, cofundador da Microsoft e presidente da fundação que leva seu nome, chamou a inteligência artificial de "a tecnologia mais perigosa que os humanos já inventaram" e previu "muitas surpresas negativas" para o próximo ano, principalmente na área de ataques cibernéticos. A declaração foi feita em entrevista ao programa State of the Union, da CNN (abre em nova aba), exibida em 11 de outubro de 2026, conduzida pelo apresentador Jake Tapper.

    A frase sobre a tecnologia mais perigosa apareceu no meio de uma crítica mais ampla. Gates disse que é claro que "não estamos fazendo o suficiente" e que deixar as próprias empresas de IA como única checagem disponível à sociedade é um erro.

    O que ele previu para os próximos 12 meses

    A parte mais concreta da fala não trata de um futuro distante. Gates apontou os ataques cibernéticos, que são invasões ou sabotagens feitas por meio de computadores, como a frente mais provável de problemas.

    Cadeado de segurança metálico rachado ao meio pousado sobre teclado de computador, com cabos de rede desconectados ao fundo
    Ciberataques estão entre as principais ameaças apontadas por especialistas em tecnologia

    "A frente que provavelmente vamos ver de forma mais dramática no próximo ano são os ataques cibernéticos", disse ele na entrevista. Segundo Gates, já existe um modelo de crime conhecido nesse campo: grupos que ameaçam sistemas exigindo pagamento ou causando transtornos que mexem com o mercado de ações ou com apostas.

    A lógica do alerta tem três peças. Primeiro, os modelos mais recentes de IA são muito capazes. Segundo, existem proteções embutidas neles, as chamadas salvaguardas, que são barreiras internas que impedem o sistema de ajudar em crimes, fraudes ou violência. Terceiro, e é aqui que mora o problema segundo Gates: hoje é permitido retirar todas essas proteções. Ele resumiu assim: "Quando você tem pessoas más, nenhuma salvaguarda e então os modelos mais recentes, é aí que, no próximo ano, principalmente na área cibernética, vamos ter muitas surpresas negativas."

    Ou seja, o perigo imediato, na leitura dele, não é a máquina agindo sozinha. É gente usando a máquina de propósito, sem freios. Qualquer pessoa que já lidou com um golpe aplicado por telefone consegue imaginar o salto de escala quando o golpe é automatizado por um sistema que aprende rápido e não dorme.

    O que ele não disse

    A declaração tem um contrapeso que evita reduzi-la a alarmismo. Gates afirmou que "o perigo real agora não é a IA sair do controle" e que um grande impacto por perda de controle está "a anos de distância". O risco curto prazo, para ele, é o uso mal-intencionado.

    Na conversa com Tapper, Gates também recusou o ponto mais extremo do debate. Ele disse que afirmações de que "toda a humanidade está em risco de alguma forma iminente" vão longe demais. E, ainda assim, sustentou a comparação: a IA é "mais perigosa que" carros, aviões ou remédios, tecnologias que a sociedade decidiu regulamentar justamente porque podem causar dano em massa.

    O tema da comparação não é casual. Gates usou a mesma analogia na rede X, no dia da entrevista, ao defender regras para o setor. O post completo, traduzido:

    Assim como regulamos aviões, carros e remédios, precisamos de salvaguardas que nos ajudem a realizar o incrível potencial da IA enquanto reduzimos os riscos. Elas não vão eliminar todos os danos, mas podem ajudar a prevenir o uso indevido por agentes mal-intencionados. Ainda não estamos onde precisamos estar, e isso merece muito mais da nossa atenção.

    — Bill Gates (@BillGates), 11 de out. de 2026, no X

    O alarme não nasceu neste domingo

    Não se trata de um espanto de última hora. Em matéria publicada em 26 de agosto de 2026, o New York Times registrou que Gates já tratava os riscos da IA como deveria ser "a principal prioridade do mundo". Naquela ocasião, ele reagiu com sarcasmo à ideia de que o setor poderia se fiscalizar sozinho: "Autorregulação na ferramenta mais perigosa já inventada? Não, obrigado!"

    Segundo o mesmo texto do New York Times, Gates sustentava posições específicas em agosto. Uma delas, que ele chamou de "Human Reserved", seria proibir que certos empregos sejam substituídos por IA, incluindo cuidadores e funções cujos trabalhadores teriam pouca chance de encontrar outra colocação. Outra seria a criação de acordos internacionais para monitorar e restringir riscos extremos, como o bioterrorismo, que é o uso deliberado de agentes biológicos para causar doenças. Ele chegou a afirmar que bastariam poucas pessoas com acesso a uma IA avançada para desenvolver novos patógenos e que debateria com qualquer um que se opusesse à revisão obrigatória de sistemas capazes de criar moléculas que pudessem desencadear uma pandemia. O jornal descreveu Gates como "estupefato" com as medidas voluntárias em discussão na Casa Branca e com a indústria, e em "estado de choque" com a falta de urgência.

    Um desses pontos foi retomado na entrevista de outubro. Jake Tapper atribuiu a Gates a declaração anterior de que o risco de um ataque bioterrorista é hoje "50 vezes" o risco de uma pandemia natural. Gates não rebateu o número; pelo contrário, usou a ocasião para dizer que os líderes não estão fazendo o suficiente.

    O contraponto no próprio setor

    O debate tem ao menos dois polos dentro da indústria. Tapper mencionou na entrevista que Sam Altman, executivo-chefe da OpenAI, alertou contra "a armadilha do derrotismo", a ideia de que já seria tarde e nada importa. Gates respondeu que Altman e Dario Amodei, da Anthropic, também classificam a situação como "muito preocupante". A divergência, portanto, não é sobre existir risco; é sobre o tamanho e o prazo dele.

    Gates ocupou um meio do caminho. Considerou exagerada a retórica de risco imediato para toda a humanidade, mas classificou a tecnologia como mais perigosa que carros, aviões e drogas, e cobrou algo que vai além da disciplina voluntária das empresas. Segundo ele, é de se esperar movimentos "além da autorregulação" e a criação de "grupos de segurança" dentro do próximo ano.

    Como os veículos registraram a fala

    Houve uma diferença de registro entre as agências. A AFP atribuiu a entrevista à rede ABC News. Já a transcrição oficial do programa da CNN, a página de vídeo da própria CNN publicada no mesmo dia e um post de Gates citando a conta do programa apontam todos para a CNN. Ou seja, o conteúdo da fala é confirmado por mais de uma via, mas a origem exata aparece descrita de forma diferente entre os veículos, o que vale registrar para o leitor que for buscar o original.

    O título da página da CNN sobre a entrevista resumiu o tom de Gates: ele falou em "possibilidades sombrias se não mantivermos o controle" da IA.

    O que Gates espera daqui para frente

    A entrevista terminou com uma agenda, não com um lamento. Gates listou decisões que, no entender dele, a sociedade precisará tomar nos próximos tempos: como taxar o uso de IA ou de robôs, e quais empregos reservar para humanos. As duas ideias já estavam no conjunto de propostas que ele defendia desde agosto, segundo o New York Times.

    Na política, ele disse ter ouvido "de vários políticos" e se mostrou esperançoso de que terá a chance de conversar com o presidente Donald Trump sobre o que precisa ser feito. A expectativa declarada por ele é que haja, dentro de um ano, passos além da autorregulação e estruturas dedicadas a segurança.

    O detalhe que sustenta toda a entrevista é pequeno e técnico: as salvaguardas existem, funcionam, e hoje é permitido desligá-las. Todo o resto, do alerta sobre ataques cibernéticos à comparação com carros e remédios, decorre dessa autorização que, na visão de Gates, ninguém deveria conceder sem regra.

    Perguntas frequentes

    Onde Bill Gates disse que a IA é a tecnologia mais perigosa já inventada?

    Na entrevista ao programa State of the Union, da CNN, exibida em 11 de outubro de 2026, com o apresentador Jake Tapper. Ele também repetiu a defesa de regulamentação em um post próprio na rede X no mesmo dia.

    O que Gates quis dizer com "surpresas negativas"?

    Ele se referia, no próximo ano, principalmente a ataques cibernéticos cometidos por pessoas mal-intencionadas que usam os modelos mais recentes de IA depois de retirar todas as salvaguardas de segurança embutidas nelas.

    Gates acha que a IA vai sair do controle em breve?

    Não. Ele disse que "o perigo real agora não é a IA sair do controle" e que um grande impacto por perda de controle está a anos de distância. O risco imediato, para ele, é o uso mal-intencionado da tecnologia. Ao mesmo tempo, considerou exageradas as alegações de que toda a humanidade está em risco iminente.

    Como outros líderes do setor reagiram a esse debate?

    Sam Altman, da OpenAI, já havia alertado contra "a armadilha do derrotismo". Segundo Gates, tanto Altman quanto Dario Amodei, da Anthropic, consideram a situação "muito preocupante", o que indica que a discordância está no grau e no prazo do risco, não na sua existência.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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