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    NotíciaSociedade e regulação

    Anthropic desativa modelos Fable 5 e Mythos 5 após ordem dos EUA que limita acesso estrangeiro

    A ordem marca uma escalada na política de controle de exportação dos EUA. Até então, as restrições se concentravam principalmente em chips e ferramentas que alimentam a IA, não na própria inteligência artificial

    Nome Anthropic sobre composição abstrata de fitas translúcidas coloridas
    Foto por Brecht Corbeel no Unsplash
    A startup norte‑americana Anthropic anunciou em 12 de junho que desativaria abruptamente seus modelos mais avançados, Fable 5 e Mythos 5, para todos os usuários. A decisão veio após o governo dos EUA ordenar que a empresa suspendesse o acesso a esses modelos por estrangeiros, alegando riscos à segurança nacional.

    Segundo comunicado ao qual a Reuters teve acesso, a empresa recebeu uma diretriz de controle de exportação para restringir o acesso dos modelos a cidadãos estrangeiros, mas não recebeu detalhes específicos sobre a suposta ameaça. A Anthropic explicou que o governo acredita existir um método de “jailbreak” – uma forma de contornar os mecanismos de segurança de Fable 5 que permitiria o uso da ferramenta na identificação de vulnerabilidades de softwareA companhia discorda, afirmando que a potencial falha é pontual e não universal e que retirá‑la do ar “para todos os clientes” é desproporcional.

    A ordem marca uma escalada na política de controle de exportação dos EUA. Até então, as restrições se concentravam principalmente em chips e ferramentas que alimentam a IA, não na própria inteligência artificial.

    A Anthropic argumenta que, se a lógica da suspensão se tornar regra, todos os novos modelos de fronteira seriam afetados, freando inovações e prejudicando a competitividade americana.

    O conflito ocorre num momento delicado para a relação entre a startup e Washington. No início do ano, a Anthropic recusou pedidos do Departamento de Defesa para que seus modelos fossem usados em vigilância doméstica e sistemas de armas autônomas, insistindo que isso violaria seus princípios. O governo retaliou colocando a empresa em uma lista de risco da cadeia de suprimentos, com efeitos previstos para o fim do ano.

    O Pentágono defendeu a decisão. A diretora de informação da Defesa, Kirsten Davies, declarou em uma publicação na rede X que a segurança nacional deve vir antes de “ciclos de receita, manchetes e avaliações de pré‑IPO”, reforçando o lema “America First”.

    Para analistas, o episódio evidencia a tensão crescente entre desenvolvedores de IA e reguladores: enquanto empresas pedem regras claras e cooperação para mitigar riscos, autoridades pressionam por acesso e controle, especialmente diante de modelos que podem ser usados para ciberataques. Especialistas citados pela Reuters alertam que as versões Mythos podem, nas mãos erradas, acelerar ataques sofisticados, principalmente em setores como bancos, que utilizam sistemas antigos e interligados.
    Foto de Simão Vieira de Mairins

    Simão Vieira de Mairins

    COO e co-fundador do ia.com.br

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