Pular para o conteúdo
    NotíciaSociedade e regulação

    Altman lista três finais para a corrida da IA, incluindo um que “derrete” GPUs rivais

    Segundo o The Information, Sam Altman descreveu a funcionários três desfechos para a corrida pela superinteligência. Ele também disse que a OpenAI tem um ano para definir um “limite de velocidade” para IAs que se aprimoram sozinhas.

    Placa de vídeo com dissipador deformado e soldas derretidas sobre uma bancada de reparo, com fumaça leve e iluminação lateral fria
    Sam Altman descreveu a funcionários três desfechos para a corrida pela superinteligência, entre eles um em que GPUs rivais são inutilizadas
    Neste artigo

    Sam Altman tem uma lista de três jeitos de a corrida pela superinteligência terminar. Em um deles, uma única empresa dispara tanto na frente que passa a poder desligar os computadores de todas as rivais. A expressão que circulou é "derreter as GPUs de todo mundo". Altman chamou esse final de "terrível". O trecho mais revelador da conversa, porém, não é o cenário de ficção científica. É a admissão de que o jeito como a OpenAI (abre em nova aba) decide hoje o que lançar tem prazo de validade.

    Os detalhes foram publicados pelo The Information (abre em nova aba), em reportagem de Stephanie Palazzolo e Amir Efrati. A apuração se baseia em pessoas a par de uma fala de Altman a funcionários na semana passada. Não se trata de anúncio oficial, e a reportagem é fechada para assinantes. Os pontos principais foram repercutidos por veículos como The Decoder, The Rundown e AI Weekly. O momento importa: segundo esses relatos, o governo Trump prepara o que seria seu primeiro marco para supervisionar empresas que desenvolvem superinteligência.

    Do "pacing 1.0" ao "pacing 2.0"

    Hoje, a regra da OpenAI é relativamente simples. Se um modelo passa nos testes de segurança, ele é lançado, e as eventuais preocupações são sinalizadas. Segundo o The Rundown, Altman chama isso de "pacing 1.0", algo como "ritmo 1.0". A versão 2.0, que a empresa pretende definir em até um ano, precisaria incluir um "limite de velocidade": um ponto de parada para sistemas de IA capazes de melhorar a si mesmos, em que cada geração ajuda a construir a próxima.

    Engenheiros sentados a uma mesa de reuniões examinam relatórios impressos de testes de segurança, iluminados por luz natural que entra pela janela lateral
    Na OpenAI, revisões de segurança antes de lançamentos ganham peso diante do prazo de um ano para definir um “limite de velocidade” a sistemas que se aprimoram sozinhos

    O próprio The Information, que revelou a história, resumiu assim no X a pergunta que Altman diz que a empresa precisa responder:

    Sam Altman diz que a empresa precisa descobrir quando a IA se torna poderosa demais para ser desenvolvida ou lançada com segurança. Batizado internamente de "pacing 2.0", o esforço estabeleceria limites para sistemas de IA capazes de se aprimorar continuamente. Leia mais: https://thein.fo/3WCUYPR

    — The Information (@theinformation), 20 de out. de 2026, no X

    Aqui está a notícia de verdade. Uma das empresas no centro da corrida diz, da porta para dentro, que precisa de um freio. Segundo o The Decoder, Altman ainda reclamou que existem poucas propostas viáveis de limite de velocidade na mesa.

    Os três finais

    1. Um fiscal global, como na energia nuclear

    A opção preferida de Altman é uma organização inspirada na Agência Internacional de Energia Atômica (abre em nova aba), a AIEA, que fiscaliza programas nucleares. Esse órgão imporia padrões de segurança, inspecionaria sistemas, exigiria auditorias e monitoraria o poder de computação e a energia consumidos pelos laboratórios. A OpenAI defende publicamente esse tipo de instituição desde maio de 2023. Mas há um porém: o modelo só funciona com cooperação internacional, inclusive da China.

    2. O "plano Demis": todo mundo sob o mesmo teto

    O nome faz referência a Demis Hassabis, cofundador da DeepMind (abre em nova aba). Há cerca de dez anos, ele propôs uma organização de IA nos moldes do CERN (abre em nova aba), o laboratório europeu de física de partículas. Na versão de Altman, os grandes laboratórios se fundiriam numa só entidade, ou trabalhariam sob o guarda-chuva dela, e forneceriam modelos aos países que aderissem.

    3. O "plano Eliezer": um vencedor que desliga os outros

    Este leva o nome do pesquisador Eliezer Yudkowsky, a quem se atribui a imagem das GPUs derretidas. GPUs são os chips que treinam e rodam modelos de IA. No cenário, um desenvolvedor chega primeiro à IA que se aprimora sozinha e ganha tanto poder econômico que passa a reter capacidade de computação. Nesse ponto, ele poderia desligar a infraestrutura dos concorrentes. Segundo o The Decoder, Altman só citou a hipótese para a lista ficar completa. O site acrescenta que uma das fontes leu a menção como uma alfinetada numa concorrente, por causa dos laços de Yudkowsky com a Anthropic (abre em nova aba).

    O freio que ninguém consegue puxar sozinho

    A preferência de Altman pelo fiscal global tem uma lógica que vale reconhecer. Limite de velocidade só funciona se valer para todo mundo. Um laboratório que freia sozinho apenas entrega a dianteira ao vizinho. Segundo o The Decoder, Altman disse algo bem nessa linha: a OpenAI não pode se dar ao luxo de perder terreno.

    O problema é que a opção favorita depende de quase tudo o que a OpenAI não controla. Ela exige uma agência que ainda não existe e um acordo que inclua a China. Também depende de um governo americano que só agora estaria montando sua primeira estrutura de supervisão. Dentro de casa, as pressões apontam para o lado oposto: OpenAI e Anthropic estariam se preparando para abrir capital. E investidor de empresa listada em bolsa costuma gostar pouco da palavra "parar".

    Por isso, o prazo de um ano merece atenção. Se o "pacing 2.0" vier com um ponto de parada concreto e critérios públicos, será uma mudança real na forma como a indústria se autorregula. Se vier no formato "freamos quando o fiscal chegar", será o pacing 1.0 com outro número de versão.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    Ver perfil completo