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    Altman fala em novo computador para a IA; a pista concreta é um humanoide em 2027

    Em entrevista, Sam Altman falou sobre por que a IA precisaria de um novo tipo de computador, mas o conteúdo não foi detalhado publicamente. A pista concreta da semana é o robô humanoide da OpenAI, com demonstração prometida para 2027.

    Protótipo de robô humanoide sobre bancada de testes em laboratório, com engenheiros ajustando as articulações de um dos braços sob luz fria de oficina
    Robô humanoide da OpenAI, com demonstração prometida para 2027, é a pista mais concreta sobre o novo tipo de computador citado por Sam Altman
    Neste artigo

    Na quarta-feira (21), Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI (abre em nova aba), passou 45 minutos conversando com Matthew Berman, apresentador do podcast Forward Future. Pouco mais de sete minutos e meio foram dedicados a máquinas. Cerca de quatro trataram da aposta da empresa em chips e em computação mais barata, e pouco mais de três discutiram por que a inteligência artificial precisaria de "um novo tipo de computador". O título é forte, mas a divulgação do episódio não diz qual seria esse computador, quanto custaria nem quando chegaria.

    O próprio Berman publicou no X o roteiro da conversa, e é por ele que se vê o peso que o hardware teve na entrevista:

    Minha entrevista com Sam Altman (@sama): 0:00 Introdução · 0:52 Quando a IA vai descobrir novos tratamentos? · 3:31 Por que a IA não acabou com os empregos em programação · 11:47 Assistentes pessoais de IA · 15:39 Por que estamos mais ocupados do que nunca? · 20:10 Por que o debate sobre consciência da IA preocupa Sam · 26:09 O ChatGPT concorda demais · 30:03 A aposta da OpenAI em chips e computação mais barata · 34:20 Por que a IA precisa de um novo tipo de computador · 37:41 Sam sobre pressão: "Escolha a grande coisa" · 42:18 Por que "a IA vai curar o câncer" não basta

    — Matthew Berman (@MatthewBerman), 21 de out. de 2026, no X

    Dois homens sentados frente a frente em estúdio de podcast, com microfones sobre a mesa, câmeras gravando a conversa e luz lateral suave
    Em entrevista, Altman defendeu um novo tipo de computador para a IA, sem detalhar a proposta; a pista concreta é o humanoide prometido para 2027.

    Quem quiser saber o que a OpenAI entende por hardware novo precisa olhar para o resto da semana. Ela foi farta.

    Um corpo com data marcada

    No dia 17, o site Engadget relatou que Altman foi perguntado, no podcast Sources, se a empresa construiria de fato um robô humanoide. Respondeu com uma palavra: "Vamos." À revista Fortune, deu o calendário: "Acho que teremos uma demonstração bacana em 2027... Não acho que haverá robôs andando pelas ruas por mais alguns anos." Em 2027 o robô sobe ao palco. A loja fica para depois.

    A justificação do formato humano é de engenheiro: "o mundo é muito desenhado para pessoas". Portas, teclados, escadas e ferramentas foram feitos para um corpo com duas mãos e duas pernas. Uma máquina parecida circularia por esses espaços sem que fosse preciso reformá-los.

    Em seguida, Altman empurrou o problema para o terreno onde a OpenAI se sente em casa. O desenho do robô, disse, é "menos importante do que realmente descobrir... o cérebro que faz o robô funcionar". Faz sentido. Braços não servem de nada a uma máquina que não sabe o que fazer com eles. Para pegar uma caneca, lembrou o Engadget, o robô precisa identificá-la, achar a alça, calcular a pegada e dosar a força. Se errar, o resultado é café no chão.

    O discurso fala de software, mas as contratações apontam para fábrica. A OpenAI anuncia 27 vagas em robótica, que vão do controle de movimento à infraestrutura para treinar IA "física". Segundo o Engadget, os anúncios indicam que a empresa desenvolve atuadores eletromecânicos próprios, com motores, transmissões, sensores e sistemas térmicos. São as peças que fazem um robô se mexer. Há também vagas em manufatura e em cadeia de suprimentos, pensadas para produzir em escala. Ninguém contrata especialista em cadeia de suprimentos para fazer uma demonstração. Contrata para fabricar.

    O site israelense Ynet, citando relatos, informa que os primeiros robôs iriam para a construção de instalações e a operação de data centers, os galpões onde ficam os computadores que rodam a IA. Seria a máquina construindo a casa da máquina.

    Há precedente, e ele recomenda prudência. O projeto Dactyl, da própria OpenAI, ensinou uma mão robótica a manipular objetos reais, incluindo um cubo mágico, com treino feito inteiramente em simulação. O Engadget resumiu a lição que ficou para o setor: o software aprende o que deveria acontecer, mas a palavra final é da física.

    O poder mora no silício

    A semana trouxe ainda um lembrete de que, para Altman, hardware não é acessório. Segundo o The Information, ele apresentou a funcionários três desfechos possíveis para a corrida pela superinteligência:

    • uma agência internacional nos moldes da Agência Internacional de Energia Atômica, opção que, segundo duas pessoas, pareceu ter a preferência dele;
    • a fusão dos grandes laboratórios num organismo comum, o "plano Demis", referência a Demis Hassabis, do Google DeepMind (abre em nova aba);
    • uma empresa que dispara na frente e, nas palavras atribuídas a ele, "derrete as GPUs de todos os outros".

    GPUs são os chips que treinam e rodam os modelos, empilhados nesses mesmos data centers. Altman teria chamado a terceira hipótese de "terrível" e dito que só a mencionou para completar a lista. A ressalva é bem-vinda, mas o detalhe revelador é outro: no mapa do fim do jogo desenhado por ele, quem decide a disputa é quem controla os chips.

    E silício custa caro. Segundo o Dealroom, a OpenAI tenta levantar cerca de US$ 30 bilhões antes da estreia da rival Anthropic (abre em nova aba) na bolsa.

    Falta o essencial para quem pretende comprar, usar ou competir. O robô não tem parceiro anunciado, preço nem data de lançamento, e o "novo tipo de computador" da conversa com Berman continua sem nome e sem forma conhecida. O que existe é uma direção: a empresa que popularizou a conversa com um programa agora quer dar a ele mãos, motores e uma linha de produção. A demonstração de 2027 dirá se o cérebro está à altura do corpo. As ruas, como o próprio Altman admitiu, ainda vão esperar.

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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