O desenvolvimento de cidades temporárias acaba de ganhar uma ferramenta voltada para automação comunitária e gestão transparente de recursos. Criado pelo desenvolvedor Konrad Gnat durante a maratona tecnológica ETHGlobal Tokyo 2026, o AICity (abre em nova aba) foi estruturado para facilitar a fundação e a manutenção dessas iniciativas passageiras, conhecidas internacionalmente como pop-up cities. O projeto já se encontra ativo na rede principal da Ethereum, embora seus idealizadores alertem que o sistema não passou por auditorias externas e recomendem cautela aos usuários.
Uma cidade temporária funciona como um acampamento urbano ou retiro colaborativo: reúne pessoas em um local específico durante um intervalo determinado de dias ou semanas. A missão declarada da plataforma é acelerar a coordenação humana por meio da criação de laços culturais sob uma perspectiva de aceleração diferencial extropiana. Para que o processo ocorra sem burocracias manuais, o sistema une regras automatizadas por código e agentes físicos de controle.
Como a plataforma funciona na prática
A organização de uma cidade temporária ocorre em etapas bem definidas. O cadastro inicial exige uma verificação de identidade via World ID, que assegura que cada conta pertença a uma pessoa humana real, única e maior de 18 anos.
- Criação da cidade: O fundador registra o nome, a localização, as datas de início e fim, a descrição e a missão do evento. Essas informações ficam salvas fora da rede principal de blocos (em um banco de dados Postgres tradicional) e não movimentam dinheiro diretamente. O criador forma a equipe principal da cidade, responsável por aprovar ou reprovar atividades.
- Proposta de residências: Qualquer pessoa verificada pode propor uma residência interna, como o aluguel de uma casa, incluindo link para o anúncio do imóvel, quartos, leitos, datas, preço por vaga e número mínimo e máximo de participantes.
- Aprovação e contrato próprio: A equipe central da cidade analisa a proposta. Se aprovada, o anfitrião publica um contrato inteligente exclusivo na Ethereum por meio de uma fábrica digital de contratos (ResidencyFactory). A partir desse momento, a moradia ganha vida financeira própria.
- Candidatura e pagamento: Os interessados enviam perfil e escolhem a cama desejada. O anfitrião aprova o candidato, que então deposita a quantia estipulada em USDC, uma moeda digital pareada ao valor do dólar americano.

Nenhuma quantia fica sob custódia da equipe da plataforma. Os valores permanecem trancados dentro do próprio contrato inteligente da residência até que as metas preestabelecidas sejam atendidas.
Gestão econômica e regras de proteção
O caso de uso financeiro e de governança do projeto foi desenhado para eliminar a necessidade de confiança cega no anfitrião. Em vez de depender da palavra de uma pessoa, o contrato digital executa as regras automaticamente de acordo com prazos e quantidades de reservas.
| Situação no prazo limite | Status da residência | O que acontece com o dinheiro |
|---|---|---|
| Menos vagas pagas do que a quantidade mínima | Falha (Failed) | Todos os hóspedes recebem reembolso integral; o anfitrião não tem acesso aos valores. |
| Mínimo de vagas atingido | Ativa (Active) | O anfitrião pode realizar saques graduais vinculados a comprovantes com código de segurança registrado na rede. |
| Término do período do evento | Encerrada (Closed) | Todo o saldo residual que não tiver sido gasto pelo anfitrião é devolvido proporcionalmente aos hóspedes. |
O organizador também tem a opção de cancelar a residência antes do encerramento das inscrições, ação que dispara automaticamente a devolução de todos os valores aos participantes.
Hardware autônomo e controle de acesso
As funcionalidades técnicas apresentadas no repositório no GitHub (abre em nova aba) demonstram como o projeto integra o ambiente digital com o espaço físico. No lugar de portarias convencionais ou chaves físicas entregues por atendentes, o sistema aplica o conceito de cidade focada em agentes autônomos.
O mecanismo utiliza uma placa compacta Raspberry Pi Zero configurada sem conexão com redes sem fio ou internet, conhecida tecnicamente como carteira isolada (air-gapped). Esse componente atua como a chave do hóspede: armazena a mesma carteira digital que pagou pela reserva da cama. Quando o residente chega à acomodação, ele conecta essa placa via porta de dados USB a um computador central Raspberry Pi 4 instalado na entrada.
O computador da porta solicita uma assinatura criptográfica de uso único para verificar se aquela carteira digital tem autorização válida para o local. Assim que a identidade matemática é confirmada sem envio de dados privados, uma trava eletrônica controlada por servomotor se abre durante trinta segundos. Em paralelo, a residência dispõe de um painel visual que monitora a contagem de moradores, o prazo restante da estada e o saldo financeiro da tesouraria em tempo real.

