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    NotíciaInfraestrutura e hardware

    A solução da OpenAI contra protestos por água e luz: chamar data center de "campus"

    Em ofensiva de lobby após as eleições nos EUA, a dona do ChatGPT quer rebatizar seus galpões de servidores de "campus de computação de IA" para tentar conter a revolta de moradores com contas de luz mais caras, barulho e consumo de água.

    Enorme galpão industrial cinza de data center cercado por linhas de alta tensão e torres de resfriamento soltando vapor denso, com um pequeno gramado verde e árvores jovens na frente sob luz de fim de tarde.
    Data centers enfrentam resistência de moradores nos EUA devido ao alto consumo de água e energia elétrica.
    Neste artigo

    Quando o Vale do Silício esbarra em um problema físico que não pode ser resolvido com linhas de código, o instinto padrão dos executivos é chamar o departamento de relações públicas. Diante de protestos crescentes de moradores contra a construção de galpões gigantescos que consomem água e energia em escala industrial, a OpenAI (abre em nova aba) decidiu que o verdadeiro problema dos seus data centers é o nome. A nova estratégia da criadora do ChatGPT é aposentar o termo tradicional e tentar convencer o público a chamar essas instalações de "campus de computação de IA" (no original em inglês, AI compute campuses).⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌​​⁠

    A mudança de vocabulário faz parte de uma ofensiva de lobby e comunicação preparada para estrear logo após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). Quem lidera o plano é o chefe de assuntos globais da empresa, Chris Lehane, que justificou a manobra ao portal Axios com aquele tipo de frase pomposa típica de quem tenta vender fumaça em Washington: segundo ele, uma organização pode apenas perseguir o momento ou tentar "informar o momento por meio do poder das ideias". Na prática, a grande ideia consiste em dar um banho de loja semântico em instalações barulhentas para ver se os vizinhos passam a odiá-las um pouco menos.

    O desgaste que motivou o rebatismo não tem nada de abstrato. Para quem mora perto dessas estruturas, a inteligência artificial não vive em uma nuvem mágica, mas em prédios enormes que exigem redes elétricas pesadas e volumes imensos de água para resfriar servidores. O resultado nas cidades inclui barulho constante, poluição do ar, aumento na conta de luz dos moradores e contratos costurados entre construtoras e autoridades locais sob acordos de confidencialidade, deixando a população sem acesso a informações básicas sobre os projetos. No IA.com.br, acompanhamos como o custo físico da infraestrutura de IA deixou de ser um debate restrito a engenheiros e virou um foco de tensão política nas comunidades locais.

    Complexo industrial de data center com torres de resfriamento soltando vapor e subestações elétricas ao fundo, contrastando com casas residenciais em primeiro plano sob um céu nublado.
    Avanço de gigantescos data centers sobre áreas residenciais gera revolta de moradores devido ao alto consumo de água e energia.

    A revolta saiu da internet e travou obras bilionárias

    O pânico da indústria com a própria imagem já vinha dando sinais explícitos. Meses atrás, o cofundador do Reddit (abre em nova aba), Alexis Ohanian, admitiu em uma publicação no X que o setor precisava urgentemente "encontrar uma nova narrativa para essa coisa de data center". Um porta-voz da OpenAI confirmou a tentativa de emplacar o novo nome ao Business Insider no domingo (1º), sob o argumento de que a expressão "campus de computação" descreve melhor a escala das obras, tratadas pela companhia como investimentos de longo prazo capazes de transformar regiões e gerar milhares de empregos qualificados, uma promessa amplamente contestada por críticos desse modelo.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌​​⁠

    A pressa para mudar de assunto se explica pelos números e pelas obras barradas pelo caminho. Uma pesquisa da Redfin divulgada em maio mostrou que 47% dos norte-americanos são contra a construção de um novo data center em sua comunidade, enquanto outro levantamento recente apontou que mais da metade da população do país acredita que esses prédios prejudicam o meio ambiente. No estado de Michigan, pelo menos 19 municípios aprovaram restrições a novas instalações do tipo depois que o projeto Stargate, uma parceria de US$ 16 bilhões entre a OpenAI e a Oracle (abre em nova aba), avançou mesmo sob forte oposição local. Já no mês passado, a Amazon (abre em nova aba) desistiu de construir quatro data centers no norte da Virgínia após enfrentar a resistência dos moradores.

    Enquanto a Microsoft (abre em nova aba) tentou acalmar os ânimos em janeiro prometendo cobrir os aumentos nas tarifas de energia causados por suas instalações, a OpenAI aposta que um nome com ares universitários, somado a promessas de acordos comunitários e à defesa de "limites de velocidade" regulatórios para o desenvolvimento de novos sistemas, servirá de escudo político. Lehane definiu as eleições legislativas desta semana como um "trailer de filme" para a corrida presidencial de 2028, quando o impacto da IA nos empregos, na economia e no meio ambiente estará no centro do palco. Acostumadas à postura amigável da Casa Branca sob Donald Trump (que chegou a sugerir a troca da sigla IA por SI, de "superinteligência"), as gigantes de tecnologia temem que uma Câmara controlada pelos democratas traga um escrutínio muito mais duro. Trocar a placa na porta do galpão pode soar brilhante em uma sala de reunião em São Francisco, mas não vai reduzir em um centavo a conta de luz de quem vota.⁠​‌​​‌​​‌​‌​​​​​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​‌‌‌‌​‌‌​‌‌​‌​​‌​‌‌‌​​‌‌​​​‌​​‌‌‌​​‌​​‌‌‌‌‌​​​​‌‌​​‌​​‌‌​​​​‌​‌‌​​‌‌​​​‌‌​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​​​​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​​‌​​‌‌​​​​​​‌‌​​‌​​​‌​‌‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​‌​‌‌​​​​‌​‌‌​​​‌​​​‌​‌‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌‌​​‌‌​​‌​‌​‌‌​​​‌‌​​‌​‌‌​‌​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​​​​‌‌​​​​​‌‌​​​‌‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​​‌​​​‌‌​‌​‌​‌‌​​​‌​​‌‌​​‌​‌​​‌‌​‌​‌​​‌‌​​‌​​‌‌​​‌​​⁠

    Foto de Leandro Vieira

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

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