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    ArtigoModelos e ferramentas

    TinyFish zerou o preço da busca; a conta do agente que lê a web continua nos tokens

    A TinyFish tornou gratuitos o Search e o Fetch, com limites de 500 buscas por hora e 1.000 URLs por dia. Os números disponíveis indicam que a fatura de um agente está no texto que chega ao modelo, e não na requisição.

    Folha de página web impressa com anúncios e menus recortados, restando uma tira estreita de texto apoiada sobre uma balança de precisão, sob luz lateral suave
    Com Search e Fetch gratuitos na TinyFish, o custo de um agente que lê a web passa a se concentrar no volume de texto entregue ao modelo
    Neste artigo

    Em 4 de maio, a TinyFish (abre em nova aba), empresa de infraestrutura web para agentes e criadora do AgentQL, tornou gratuitos o Search e o Fetch, as duas chamadas que um agente usa para achar uma página e depois lê-la. Cinco meses depois, o preço zero já rendeu ranking, integração em projeto de código aberto e artigo patrocinado. Antes de trocar de fornecedor por causa dele, vale fazer a conta inteira, porque o item que ficou zero era o menor da fatura.

    Para um agente que lê a web, o que pesa é o volume de texto que chega ao modelo, não a requisição que foi buscá-lo. A TinyFish acertou ao zerar a requisição. Se os números dela se sustentarem, acertou mais ainda ao devolver páginas enxutas. Mas a gratuidade tem teto baixo, quase todos os dados comparativos saem da própria empresa e a busca dela não é a mais precisa do mercado.

    O que é de graça, e até onde

    O anúncio (abre em nova aba), assinado pelo cofundador e COO Keith Zhai, vale para a API REST, o servidor MCP, os SDKs de Python e TypeScript, a CLI e integrações como LangChain, CrewAI, n8n e Dify. Não há assinatura, gasto mínimo nem exigência de cartão de crédito. No plano pré-pago, baseado em carteira, as duas chamadas funcionam com saldo de US$ 0,00, e URLs que falham não descontam da cota.

    Recibo curto de carteira pré-paga ao lado de uma longa tira de papel impressa com blocos de texto, estendida sobre um balcão iluminado por luz lateral
    Com busca e leitura de páginas gratuitas, o custo de um agente passa a depender do volume de texto que chega ao modelo.

    A manchete fala em limites por minuto: 30 buscas e 150 URLs. Os limites que de fato valem estão na página de preços (abre em nova aba): 500 buscas por hora e 1.000 URLs por dia. Trinta por minuto dariam 1.800 por hora, e o teto efetivo equivale a pouco mais de oito buscas por minuto sustentadas. No Fetch, a distância é maior: no ritmo máximo, a cota diária acaba em menos de sete minutos.

    Acima de 500 buscas por hora, segundo a própria empresa, só com plano Enterprise, que envolve contrato, revisão de segurança e um preço que não aparece na página. Contas novas recebem US$ 8 na carteira, mas esse saldo não é consumido por Search e Fetch. Ele serve para os produtos pagos.

    Onde a conta realmente está

    Um agente que consulta a web paga duas parcelas. A primeira é a recuperação, quando o fornecedor cobra por ela. A segunda é o processamento, pelo modelo, de tudo o que voltou, somado ao raciocínio e à resposta. A primeira é tabelada e fácil de comparar. A segunda depende de quanto o fornecedor despeja no contexto, e quase ninguém a mede.

    Primeiro, a parcela tabelada. Em setembro, segundo lista compilada pela TinyFish, mil buscas custavam US$ 1 na Parallel, cerca de US$ 1,66 no plano Standard do Firecrawl (abre em nova aba), US$ 5 na Brave e na Perplexity, US$ 7 na Exa (até dez resultados) e US$ 8 na Tavily.

    A segunda parcela aparece num teste que a TinyFish fez em 2 de junho com 45 URLs. Uma reportagem do Daily Mail com cerca de 4.300 caracteres voltou com 4.737 caracteres pelo Fetch da empresa e com 171.095 pelo Firecrawl. Com a aproximação de quatro caracteres por token e o preço ilustrativo de US$ 1 por milhão de tokens de entrada, os mesmos parâmetros usados pelo MarkTechPost, dá para converter em dinheiro:

    FornecedorCaracteres devolvidos (1 página)Tokens aprox.Entrada por mil leituras a US$ 1/milhãoCobertura no teste de 45 URLs
    TinyFish Fetch4.7371.184US$ 1,1893%
    Tavily46.43311.608US$ 11,6180%
    Exa65.79316.448US$ 16,4573%
    Firecrawl171.09542.774US$ 42,7762%
    Parallel (excerto)600150US$ 0,1558%

    Ler aquela página mil vezes pelo Firecrawl custaria cerca de US$ 43 só em entrada, mais de 25 vezes o preço de lista de mil buscas no mesmo fornecedor. Na Tavily, seriam US$ 11,61 de leitura contra US$ 8 de busca. A comparação junta operações diferentes (busca de um lado, leitura de página do outro), mas o que interessa aqui é a ordem de grandeza. E a parcela de leitura escala com o modelo: num modelo cinco vezes mais caro na entrada, ela fica cinco vezes maior, enquanto a da requisição continua igual.

    Há ainda um multiplicador que a tabela não mostra: o agente não lê a página uma vez só. Num laço de chamadas de ferramenta, o resultado de cada passo costuma ficar no histórico e é reenviado ao modelo nas chamadas seguintes, a menos que alguém corte, resuma ou use cache de prompt. Os 42 mil tokens de menu, rodapé e script lidos no segundo passo voltam a ser cobrados no terceiro, no quarto e no quinto. O ruído não é um custo fixo por página. Ele cresce com a profundidade da tarefa.

    A última linha da tabela tem uma pegadinha. O excerto da Parallel devolveu 600 caracteres de um texto de 4.300: saiu barato porque veio incompleto, e a cobertura de 58% mostra o preço disso. O alvo não é o menor número de tokens. É o menor número de tokens que ainda contém a resposta.

    O benchmark de terceiro aponta na mesma direção

    O Artificial Analysis (abre em nova aba) mede ferramentas de busca para agentes fixando o mesmo modelo de resposta, o GPT-5.6 Luna com esforço médio, em DeepSearchQA, BrowseComp e AA-Omniscience. No recorte de 28 de setembro, o custo de modelo por mil tarefas foi de US$ 8,04 a US$ 21,65 entre as 12 configurações exibidas. Com o mesmo modelo e as mesmas perguntas, trocar só o fornecedor de busca mudou a conta de tokens em até 2,7 vezes. A TinyFish ficou em US$ 9,30, perto do piso, e não pagou nada pela busca.

    Dois cuidados com esse dado. O placar não avalia o Fetch, porque o Artificial Analysis usa uma camada de extração própria, igual para todos. E custo por mil tarefas não é preço por mil requisições, já que cada tarefa pode envolver várias buscas.

    A TinyFish converteu esses dados num ranking de pontos do índice por dólar, no qual aparece em primeiro, com 2.060 pontos por dólar. O texto tem o mérito de declarar o viés a favor da casa. Mas é uma métrica em que preço zero de busca pesa muito, escolhida justamente por quem cobra zero.

    O melhor argumento contra

    A TinyFish fez 71 pontos. A Perplexity Search, a melhor do recorte, fez 80. Sem busca nenhuma, o modelo fica em 33. No levantamento da própria TinyFish, ela foi a mais fraca das nove em DeepSearchQA, precisou de mais buscas por tarefa que qualquer concorrente e levou cerca de 59 segundos por tarefa. Nove pontos de índice não são detalhe. Se cada erro custa uma nova rodada, uma revisão humana ou um cliente que desiste, os poucos dólares economizados por mil tarefas desaparecem. Em pesquisa profunda, o fornecedor que cobra pode sair mais barato.

    O argumento é bom, mas não derruba a tese. Reforça. A variável que importa é o custo por resposta correta, que soma tokens, retrabalho e espera. O preço por requisição é a parcela que menos informa sobre ele.

    Também é preciso dizer de onde vêm os números. O teste de Fetch foi feito pela TinyFish, o ranking foi escrito pela TinyFish, e o artigo do MarkTechPost que reúne tudo se declara patrocinado por ela. O Artificial Analysis é o único dado de terceiro, e não mede a leitura de páginas. Há ainda uma consequência que a empresa trata como mera espera: com teto de 500 buscas por hora, quem faz mais buscas por tarefa chega antes ao limite.

    Por que é de graça

    O CEO, Sudheesh Nair, explicou a lógica (abre em nova aba) em setembro. A empresa não diz que buscar ficou barato. Trata a busca como uma primitiva, no mesmo grupo de DNS ou armazenamento, e coloca o valor em concluir fluxos na web. A cobrança começa quando saber vira fazer: logar numa conta, preencher formulário, manter sessão, repetir tentativas, verificar se a ação aconteceu, gerenciar credenciais.

    Na tabela de preços, isso aparece em três produtos:

    • Agent: US$ 0,016 por passo, com duas execuções simultâneas.
    • Browser: US$ 0,002 por minuto, com cinco sessões.
    • Monitor: US$ 0,005 por checagem.

    No Agent e no Browser, a inferência do modelo está incluída, sem chave própria nem conta separada no provedor, junto com proxies residenciais e tratamento de anti-bot. O Enterprise acrescenta ISO 27001, SSO, logs de auditoria, implantação em VPC e SLA de 99,99%.

    A distribuição completa o desenho. Em 16 de outubro, a conta oficial da empresa anunciou que a busca gratuita passou a ser a primeira chamada do WebAccess, ferramenta de código aberto da Treg:

    A web é gratuita para humanos. Agentes não deveriam ter que pagar para lê-la. Nossos Search e Fetch gratuitos (30 buscas por minuto, sem cartão) agora alimentam a primeira chamada do WebAccess, de código aberto, da @treg_ai. Experimente: https://treg.to/web-access

    — TinyFish (@Tiny_Fish), 16 de out. de 2026, no X

    Ser a primeira chamada é exatamente o objetivo. Quem começa lendo a web pela TinyFish tende a continuar com ela quando o agente precisar logar e preencher formulários. Para quem constrói produto, o risco mais concreto não é a busca passar a ser cobrada de uma hora para outra. É a gratuidade ter sido dimensionada para protótipo e uso moderado, com um contrato sem preço público como degrau seguinte.

    Para quem atende usuários no Brasil

    Começar não exige cartão, o que remove um obstáculo comum para quem paga em reais. Fora isso, nenhum dos números acima diz como a busca se comporta com consultas em português ou com resultados regionais. E a conta de quatro caracteres por token é uma aproximação calibrada para inglês. Em boa parte dos tokenizadores, texto em português rende mais tokens pela mesma quantidade de caracteres, o que aumenta o peso da parcela de leitura.

    O preço zero da TinyFish é real e útil para prototipar. A economia que importa, porém, está no tamanho do Markdown que volta de cada página, e esse número qualquer desenvolvedor consegue medir numa tarde, com as próprias URLs, antes de confiar no ranking de quem quer que seja.

    Filipe Mendes

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