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    Meta admite que Muse foi fortemente inspirado pelo OpenClaw

    A Meta reconheceu que seu novo agente de inteligência artificial, o Muse, foi fortemente inspirado pelo projeto de código aberto OpenClaw, embora afirme que o produto foi construído do zero. Usuários apontaram arquivos com nomes iguais e conteúdos quase idênticos, o que reacendeu o debate sobre crédito e imitação na indústria de tecnologia.

    Leandro Vieira

    CEO e founder | IA.com.br

    Mesa de trabalho com dois monitores exibindo código em um escritório iluminado
    Monitores com código em um ambiente de desenvolvimento de software.

    A Meta reconheceu que o Muse, seu novo agente de inteligência artificial voltado ao público geral, foi fortemente inspirado pelo OpenClaw, um projeto de código aberto que virou febre entre desenvolvedores no início de 2026. A admissão veio depois de cerca de duas semanas de comparações feitas por usuários e coloca no centro do debate uma pergunta antiga da indústria de tecnologia: onde termina a inspiração e começa a cópia?

    Um agente de inteligência artificial é um programa que não apenas responde perguntas, mas executa tarefas em nome do usuário, como marcar consultas, preencher formulários, fazer compras e organizar a agenda. O Muse funciona como aplicativo próprio em computadores Mac e também dentro do WhatsApp, e é destinado a maiores de 18 anos. Segundo a Meta, ele organiza viagens, pesquisa ofertas, acompanha despesas e resolve conflitos de horários.

    O que os usuários encontraram

    As comparações começaram nas redes sociais. Usuários notaram que Muse e OpenClaw usam os mesmos nomes para arquivos centrais, entre eles o SOUL.md, e que o conteúdo desses arquivos é quase igual. O SOUL.md é um arquivo de texto simples, escrito em Markdown, uma linguagem de formatação leve, que define a personalidade do agente, seu tom de voz, seus valores, seus limites de comportamento e suas áreas de especialidade. Pense nele como um manual de instruções que diz ao agente quem ele deve ser.

    Pessoa usa notebook diante de duas telas com arquivos de texto abertos em um escritório
    Arquivos de texto abertos em telas durante o trabalho de desenvolvimento de software.

    Um dos posts que impulsionaram a discussão foi o de Ansh Nanda, cofundador de um aplicativo de inteligência artificial, que afirmou que o Muse é o OpenClaw para quem não é técnico. Ele publicou também uma resposta dada pelo próprio Muse, na qual o agente dizia que a semelhança entre seus arquivos e os do OpenClaw não era coincidência, e sim correspondência. O episódio ilustra um ponto delicado: um agente pode produzir textos convincentes sobre si mesmo sem que isso seja prova técnica de como foi construído.

    O que a Meta diz

    Nat Friedman, chefe de produto dos laboratórios de superinteligência da Meta e ex-presidente executivo do GitHub, respondeu publicamente no X. Ele afirmou que o Muse foi construído do zero, mas que é fortemente inspirado como produto pelo OpenClaw. Contou que passou a usar o OpenClaw em janeiro, comprou centenas de computadores Mac mini para a equipe e que muitos colegas se apaixonaram pela ferramenta. O objetivo, segundo ele, era criar algo parecido, porém seguro, fácil de usar e capaz de atender bilhões de pessoas.

    Questionado sobre por que os nomes de arquivos e trechos do SOUL.md foram mantidos, Friedman não contestou a premissa. Disse apenas que a equipe considerou que Peter Steinberger, criador do OpenClaw, acertou exatamente nesses pontos. As respostas foram publicadas como mensagens pessoais, e não como comunicado oficial da empresa.

    De onde veio o OpenClaw

    Steinberger é um desenvolvedor austríaco que lançou o OpenClaw como projeto de código aberto. Código aberto significa que qualquer pessoa pode ler, estudar e reutilizar o que foi publicado, respeitando os termos da licença. O projeto passou por dois nomes antes do atual e, em cerca de uma semana, atraiu dois milhões de visitantes e 100 mil estrelas em uma plataforma de hospedagem de código. A ferramenta conversava com usuários por aplicativos de mensagem comuns, como WhatsApp, Telegram e Slack, e por isso ganhou tração fora do círculo técnico. Em fevereiro, Steinberger foi contratado pela OpenAI para trabalhar com agentes.

    Por que isso importa

    Como o OpenClaw é aberto, a semelhança de arquivos é uma questão de produto, e não necessariamente jurídica. O ponto em disputa é outro: crédito e reconhecimento. A Meta tem histórico de adotar formatos que funcionaram em outros lugares e levá-los a um público muito maior, como fez com as histórias que o Snapchat criou. Nesse caso, porém, a inspiração veio de um projeto independente, o que torna a discussão sobre autoria mais difícil de separar do próprio produto.

    Números e segurança

    O Muse foi lançado em 8 de setembro de 2026 e chegou ao topo da loja de aplicativos dos Estados Unidos. Dados internos da Meta, citados em relatos de imprensa, indicam mais de 500 mil usuários na primeira semana,

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